TÍTULO: Reaproveitamento da Semente de Maracujá para Biocombustíveis

AUTORES: TRAJANO, M. F. (UEPB) ; MELLO, V. S. (UEPB) ; FAUSTINO, L.S.M. (UEPB) ; MOTTA, J.M. (UEPB) ; CARNEIRO, K.A.A. (UEPB)

RESUMO: Um projeto liderado pela Embrapa(Rio de Janeiro/RJ) quer reverter o desperdício de matéria-prima do maracujá. Neste trabalho, realizou-se um estudo para caracterizar e verificar um melhor aproveitamento das sementes excedentes.Para tanto, à separação das partes da fruta, com posterior quantificação gravimétrica. As sementes obtidas foram secas em estufa e moídas para a obtenção de um farelo. O óleo do farelo obtido foi extraído em soxhlet e caracterizado através da metodologia oficial da AOCS (1995). O farelo desengordurado obtido foi também caracterizado por métodos físico-químicos, através da determinação do teor de umidade, proteínas, lipídeos, fibras, cinzas e carboidratos por metodologia oficial AOAC (1984). O óleo extraído das sementes apresentou elevado teor de ácidos graxos insaturados com predominância do ácido linoléico.

PALAVRAS CHAVES: reaproveitamento, sementes de maracujá, biodiesel

INTRODUÇÃO: O maracujá pertence a família botânica das Passifloraceae, que contempla um grande número de espécies, num total de 500 a maioria delas nativa do Brasil. É cada vez maior a demanda desses produtos devido ao seu valor nutricional (Oliva et al.,1996),e principalmente as frutas tropicais,pelo sabor exótico que possuem. As sementes, no maracujá, representam cerca de 6 A 12% do peso total do fruto e,segundo Tocchini (1994), podem ser boas fontes de óleo, carboidratos, proteínas e minerais.A Embrapa lidera um projeto para reverter o desperdício de matéria-prima em indústrias de processamento de suco e polpa de maracujá. A iniciativa visa ainda reduzir o impacto ambiental, já que 70% da massa do maracujá é constituída de casca e semente que são jogadas fora, e apenas 30% da fruta é utilizada para suco.Essa fruta tem excelente aceitação entre os consumidores, representando uma boa porcentagem dos sucos exportados (IBGE, 2002). A maior produção deste fruto na Paraíba situa-se no Curimataú - Nova Floresta - com um plantio de 40 hectares de maracujá produzindo 800 toneladas do fruto por safra. Tomemos como base a Fábrica de polpas,Zirfrut (situada no município citado acima), que como tantas outras fábricas veem nas sementes apenas um rejeito, sendo desperdiçadas cerca de 400 toneladas das mesmas por safra neste município. Com este projeto visamos total aproveitamento da semente, vibilizando a produção de óleo para biodiesel a partir dessa oleagenosa em parceria com a Zirfrut.

MATERIAL E MÉTODOS: Inicialmente, procedeu-se à separação das partes da fruta, com posterior quantificação gravimétrica. Após, as sementes obtidas foram secas em estufa a 50ºC e moídas para a obtenção de um farelo. O óleo de farelo foi extraído com hexana em extrator tipo soxhlet, o solvente foi evaporado em evaporador rotativo e o óleo, posteriormente, foi caracterizado através de metodologia oficial quanto a: Densidade, método Cc 10a-25 AOCS (1995); Teor de ácidos graxos livres e índice de acidez, método Ca 5 a-40 AOCS (1995); Índice de iodo, método Cd 1-25 AOCS (1995); Índice de saponificação, método Cd3-25 AOCS (1995), e Índice de refração, segundo o método Cc 7-25 AOCS (1995). A composição em ácidos graxos foi determinada após conversão dos mesmos em ésteres metílicos, e analisados por cromatografia gasosa, empregando-se cromatógrafo CG, equipado com coluna empacotada com 15% DEGS a 175°C, com detector de ionização em chama e injetor a 225°C. A identificação dos ácidos graxos foi efetuada através da comparação de tempo de retenção de padrões injetados nas mesmas condições que a amostra. O farelo desengordurado obtido foi também caracterizado por métodos físico-químicos, segundo metodologia oficial da AOAC (1984), através da determinação dos teores de umidade, proteínas, lipídeos, fibra bruta, cinzas e carboidratos totais.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: O óleo extraído das sementes, que corresponde a 25,7% do peso do farelo seco obtido, apresentou elevado teor de ácidos graxos insaturados, com predominância do ácido linoléico, com índice de iodo de 136,5g I2/100g. Este óleo pode ser utilizado tanto na alimentação humana e animal, quanto na indústria de cosméticos, tintas, sabões, alimentos e outras. O óleo extraído das sementes apresentou elevado teor de ácidos graxos insaturados (87,54%), com predominância do ácido linoléico, com índice de iodo de 136,5g I2/100g. O farelo desengordurado obtido apresentou teor da 10,53% de umidade; 15,62% de proteínas; 0,68% de lipídeos; 1,8% de cinzas, um elevado teor de fibras de 58,98 e 12,39% de carboidratos. O farelo, resultante da extração do óleo, é rico em proteínas e carboidratos, e apresentou alto teor de fibras.Apresenta densidade de 0,9 g/cm3; indice de saponificaçaõ 127; indice de refração 1,476; pH de 9,45. Sendo assim, com a percentagem adquirida da semente, com o indices observados podemos obter a produção de biodiesel.






CONCLUSÕES: O percentual de óleo na semente de maracujá, cerca de 25,7% do peso do farelo seco obtido, com elevado teor de ácidos graxos insaturados, demonstra que este produto tem um bom potencial para aproveitamento. O farelo desengordurado obtido, após a moagem das sementes e extração com solvente, apresentou um teor protéico que deve ser considerado, podendo também ser aproveitado como fonte de fibra devido ao teor elevado encontrado neste tipo de componente. As sementes de maracujá, resíduo agroindustrial da extração do suco, de pouco ou nenhum valor econômico, podem ser transformados em produtos de valor econômico, como na produção de biodiesel, devido aos indices de saponificação, densidade, pH, indice de refração, de iodo serem de ótima condição para esta produção.


AGRADECIMENTOS: A Deus em primeiro lugar e a Valdicleide Silva e Mello, colega de profissão e amiga!!!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA:
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. On line. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/> acesso em 25 junho. 2008.

OLIVA, P. B.; MENEZES, H.C.; FERREIRA, V.L.P. Estudo da estabilidade do néctar de acerola. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Campinas , v. 16, n. 3, p. 228-223, 1996.

TOCCHINI, R. P. III Processamento: produtos, Caracterização e Utilização.In: Maracujá: cultura, matéria-prima e aspectos econômicos. 2. ed. Revista e ampliada. Campinas: Ital, 1994. p. 161-175.