TÍTULO: ESTUDO DA APLICABILIDADE DO EXTRATO DE BATATA-DOCE (IPOMOEA BATATAS L.LAM) COMO INDICADOR ÁCIDO-BASE NA DETERMINAÇÃO DA ACIDEZ TOTAL EM ÁLCOOL DE BATATA-DOCE.
AUTORES: BALEEIRO, M. A. A. (UFT) ; CARVALHO, V. D. P. (UFT) ; FERREIRA, D. M. (UFT) ; SILVEIRA, M. A. (UFT)
RESUMO: O Laboratório de Sistemas de Produção de Energias Renováveis da UFT vem desenvolvendo pesquisas no aperfeiçoamento da produção de álcool de batata-doce. Também possui um banco de variedades novas as quais estão sendo geneticamente melhoradas e possuem aplicabilidades das mais diversas. Sendo assim, observou-se que a variedade 100-22 apresenta alto teor de antocianidinas as quais tem a propriedade de mudar de cor em soluções ácidas (vermelho) ou básicas (amarelo). Com isso, estudou-se a aplicabilidade do extrato aquoso de batata-doce na determinação da acidez total em álcool carburante de batata-doce. O resultados mostraram que o indicador testado possui estabilidade e pode auxiliar em aulas práticas como recurso didático, entretanto deverá se ter cuidado com possíveis erros já que a faixa de viragem não se apresentou estreita entre 5 e 10.
PALAVRAS CHAVES: acidez total; álcool carburante; indicadores
INTRODUÇÃO: O uso de substâncias presentes em extratos de vegetais vem sendo um recurso didático amplamente utilizado como estratégia de ensino em equilíbrio ácido-base e identificação de acidez ou basicidade de diversos materiais (SOARES et al., 2007). Sendo assim, observou-se que dentre as inúmeras cultivares a variedade 100-22 apresentou casca roxa e polpa branca-arrouxeada fora do normal, podendo-se supor a presença de antocianidinas o que foi constatado através da literatura, da varredura espectrométrica e da verificação visual da mudança de cor através da adição de solução ácida (vermelha) e básica (amarela). Segundo Março et al (2008) as duas classes de flavonóides consideradas como mais importantes são os flavonóis e as antocianidinas. As antocianidinas apresentam como estrutura fundamental o cátion flavílico. Uma característica marcante das antocianinas está no fato de que em soluções aquosas, apresentam diferentes estruturas em função do pH. De modo geral, em meio extremamente ácido (pH entre 1-2), as antocianinas apresentam coloração intensamente avermelhada devido ao predomínio da forma cátion flavílico. Para um meio com pH menor que 6, é observado um equilíbrio entre o cátion flavílico e uma estrutura conhecida como pseudobase carbinol. Em valores de pH acima de 6,0, tanto a estrutura pseudobase carbinol quanto anidrobase podem formar a espécie chalcona dando cor amarela. Em presença de cátions de Al, Fe, Sn e outros metais, as antocianinas formam produtos insolúveis que, no caso do alumínio, encontram aplicações como corantes que apresentam estabilidade ao calor, pH e oxigênio superior à das antocianinas livres. Existe um grande interesse no estudo das antocianinas em diversas áreas, como na saúde, devido ao seu grande potencial terapêutico, na indústria, com destaque para as aplicações na fabricação de vinhos e como corantes naturais.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram aquecidos em 300mL de água destilada a 80ºC por 40 minutos em chapa de aquecimento, cerca de 150g das batatas da variedade 100-22, cortadas em fatias. Em seguida, a parte líquida foi filtrada e concentrada por evaporação. A verificação do pH de viragem do indicador foi realizada através de uma curva peagamétrica da titulação ácido-base utilizando-se um peagâmetro da Bell ENGINEERING modelo W3B com um eletrodo de membrana de vidro. O titulante foi adicionado com o auxílio de uma bureta de 50mL e anotou-se os valores de pH para cada adição de titulante, com o cuidado de perceber o ponto de viragem do indicador. A determinação da acidez total foi realizada seguindo metodologia do Instituto Adolfo Lutz (1985), através da volumetria de neutralização, usando-se como referência a mesma amostra titulada com fenolftaleína. As análises espectrométricas no visível foram realizadas adicionando-se 5mL do extrato em 20mL de uma solução tampão em pH previamente definido usando-se espectrofotômetro marca SPECTRUMLAB modelo 22E.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Uma avaliação do erro relativo apresentado na comparação entre o volume de equivalência, determinado pela curva peagamétrica, e o volume correspondente ao ponto de viragem indicado pelo extrato, mostrou que extrato de batata-doce apresenta-se como um excelente indicador ácido-base para titulações de ácidos fortes. Os erros observados para as determinações de acidez total do álcool carburante estiveram numa faixa aceitável entre 3,9% e 8,8% (tabela 1), uma vez que o erro médio do método titulométrico é de 5%. Tendo em vista as observações descritas acima, resolveu-se realizar varreduras espectrofotométricas em diferentes valores de pH.
As varreduras espectrométricas realizadas com os valores de pH: 2, 5, 7, 9, 12 (gráfico 1) auxiliaram na identificação da faixa de viragem do indicador de extrato de batata-doce fornecendo indícios de que ocorre entre 5,0 a 10,0. Fato este constatado através da visualização da zona de viragem. Contudo, um bom indicador, segundo Terci et al (2002) deve apresentar algumas vantagens principais: o pH do ponto de equivalência deve está contido na zona de viragem do indicador, ou seja, o pKInd deve situar-se o mais próximo possível do pH do ponto de equivalência; A zona de viragem do indicador deve ser mais estreita possível; A faixa de viragem deverá estar localizada na zona abrupta de variação de pH da curva de titulação; A quantidade de base ou ácido necessário para haver mudança de cor do indicador deve ser tão insignificante que não altere os resultados da titulação.


CONCLUSÕES: Os erros realtivos na titulação do álcool indicaram que o extrato de batata-doce apresenta boa aplicabilidade como indicador para titulações de ácidos fracos; A análise espectrométrica mostra que o pH de viragem está de acordo com aqueles obtidos na titulação peagamétrica; A comparação dos resultados obtidos na titulação de diferentes amostras de álcoois com fenolftaleína e o extrato de batata-doce mostra o potencial deste material como indicador. O extrato de batata-doce variedade 100-22 pode se apresentar excelente para fins didáticos, uma vez que praticamente não apresentou mudanças nas suas propriedades após ser armazenado por 2 meses sob refrigeração. No entanto, a zona de viragem não é estreita, apresentando-se de 5 a 10, o que pode acarretar erros na visualização.
AGRADECIMENTOS: Agradecemos ao CNPq, Lasper e a UFT por terem fornecido os
recursos para esta pesquisa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenadoria dos Serviços Técnicos Especializados. Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz. Gov. do Estado de São Paulo, v. 01, p. 345, 1985.
TERCI, D. B. L.; ROSSI, A. V. Indicadores naturais de pH: usar papel ou solução? Rev Química Nova, v. 25, n. 4, p. 684-688, 2002.
SOARES, M. H. F. B.; SILVA, M. V. B.; CAVALHEIRO, E. T. G. Aplicação de corantes naturais no ensino médio. Eclet. Quím. p. 225-234. (2007) Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo>
MARÇO, P. H.; POPPI, R. J.; SCARMÍNIO, I. S. Procedimentos analíticos para identificação de antocianinas presentes em extratos naturais. Química Nova. v. 31, n. 5, p. 1218-1223, 2008.
