8º Simpósio Nacional de Biocombustíveis
Realizado em Cuiabá/MT, de 15 a 17 de Abril de 2015.
ISBN 978-85-85905-11-8

TÍTULO: AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO DA SECAGEM DO BIODIESEL UTILIZANDO DOIS MÉTODOS DISTINTOS A PARTIR DE ÓLEOS RESIDUAIS

AUTORES: Rodrigues, M.C. (IFMT CÁCERES-MT) ; Gonçalves, C.R. (IFMT CÁCERES-MT) ; Marostega, G.B. (IFMT CÁCERES-MT) ; Martins, W.M. (IFMT CÁCERES-MT) ; Leão, M.F. (UAB-IFMT)

RESUMO: Este trabalho visa a avaliação do rendimento do Biodiesel em dois métodos distintos de secagem. Realizou-se a produção de biodiesel a partir de dois óleos de frituras. Após a obtenção do biodiesel bruto e lavagem empregou-se, na etapa final de purificação, dois métodos de secagem. O primeiro método consistiu na adição do Sulfato de Sódio Anidro, repouso e filtração; e o segundo, o uso da Estufa a 105oC durante 24 horas. Através das análises físico-químicas pode se observar que independente do método de secagem do biodiesel ambos apresentaram resultados dentro dos parâmetros estabelecidos pela ANP. A secagem em estufa apresentou resultados superiores comparados ao uso do sulfato de sódio anidro. Após este estudo pode-se concluir que os dois métodos de secagem são eficazes na etapa final de obtenção de um biodiesel purificado.

PALAVRAS CHAVES: biodiesel; óleo de fritura; secagem

INTRODUÇÃO: A reutilização do óleo vegetal vem se destacando no Brasil, pois o óleo quando reutilizado é uma fonte limpa e alternativa de energia (Neto et al., 2000). O biodiesel surge como alternativa em relação ao petróleo e seus derivados, pelo fato de sua produção apresentar um custo mais baixo (HOLANDA, 2004). Por meio da transesterificação o óleo vegetal pode se transformar em mistura de ésteres de ácidos graxos, tendo como resíduo a glicerina. A utilização de óleo residual para a produção de biodiesel é uma alternativa barata e viável. Pesquisas vêm sendo realizadas com esta finalidade (ZHENG et al., 2006). De acordo com a pesquisa de Christoff (2007), é possível utilizar óleo residual para a produção de biodiesel. De acordo com Ferrari; Oliveira; Scablo (2005), após a etapa de separação das fases seguida da transesterificação de óleo de soja neutro, foi feita a lavagem dos ésteres com uma solução contendo água destilada e 0,5% de HCl, para a neutralização do catalisador. A separação da fase aquosa do éster foi feita por decantação e os traços de umidade foram eliminados por meio da filtração com sulfato de sódio anidro. Lie e Xie (2006) fizeram a lavagem do produto após o processo de transesterificação. Após a separação das fases por decantação, foi realizada a secagem do biodiesel com o sulfato de sódio anidro. O processo de produção, lavagem e secagem do biodiesel pode ser feitos por diferentes métodos, dando a oportunidade de se utilizar a maneira mais pertinente. Diante do exposto, este trabalho tem por objetivo comparar dois métodos de secagem na purificação do biodiesel produzido por catálise básica e rota metílica.

MATERIAL E MÉTODOS: Os experimentos foram realizados no laboratório de Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, Campus- Cáceres-MT. Primeiramente foi realizada a coleta do óleo residual em uma pastelaria e peixaria, realizando a filtração como tratamento preliminar e caracterizou-os através das análises físico-químicas, segundo as metodologias do Instituto Adolfo Lutz (2005); Moretto e Fett (1989). A produção de biodiesel foi realizada em escala laboratorial, a partir da reação de Transesterificação por via básica e rota metílica tendo como catalisador hidróxido de potássio (KOH) e como álcool, o metanol, na razão molar 1:6- óleo: metanol, seguindo a metodologia de Geris et al (2007). Inicialmente, em um balão de fundo chato (500 mL) foram adicionados o óleo residual de pastelaria (A1) tratado, e realizou-se a reação de transesterificação. Posteriormente, a mistura reacional foi transferida para um funil de separação para permitir a decantação e separação das fases. O biodiesel produzido foi lavado com 25 mL da solução aquosa de ácido clorídrico a 0,5% (v/v), solução saturada de NaCl e água destilada. Para remoção dos traços de umidade no biodiesel utilizou-se o sulfato de sódio anidro (Na2SO4) como dessecante, adicionado no funil de separação, ficando em repouso durante 24 horas (Geris et al., 2007). Repetiu-se o experimento da produção do biodiesel, alterando a etapa final do processo de secagem, o qual foi realizado em estufa por 24 horas em temperatura constante de 105°C. Alterou-se a matéria-prima, mudando para o óleo residual de peixaria tratado (A2), nos dois procedimentos explicados acima. Posteriormente o Biodiesel foi encaminhado para as caracterizações físicas- químicas, segundo as metodologias do Instituto Adolfo Lutz (2005); Moretto e Fett (1989).

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Após as analises, observou que depois de utilizar o óleo para fritar alimentos, o mesmo sofreu degradação. Após proceder ao método de filtragem e caracterização físico-química constatou-se que os valores de acidez, dos ácidos graxos livres e densidade relativa, encontram-se dentro das normas da ANP, mostrando a viabilidade do óleo na produção de biodiesel. Através do processo de produção do biodiesel dos óleos de frituras constatou-se que os valores de massa especifica, índice de acidez e umidade do biodiesel, encontram-se dentro dos parâmetros estabelecidos pela ANP. Candeia (2008) encontrou resultados semelhantes em suas pesquisas. Utilizando os métodos de secagem pode-se observar que na estufa há um maior rendimento, quando comparado com a secagem com o sulfato de sódio anidro.

Resultados dos parâmetros físico-químicos do biodiesel



CONCLUSÕES: Os óleos residuais de distintos estabelecimentos comerciais são viáveis para produzir o biodiesel. Através dos estudos realizados pode-se concluir que ambas as técnicas de secagem, utilizando o processo de transesterificação mostraram-se eficazes na produção de biodiesel. O método de secagem na estufa apresentou um maior rendimento.

AGRADECIMENTOS: A todos que contribuíram direta ou indiretamente e ao IFMT Campus Cáceres pelo apoio para a realização deste trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: CANDEIA, R. A. Biodiesel de soja: Síntese, degradação e misturas binárias. 2008. 132f. Tese (Doutorado em Química) – Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa: PB, 2008.
CHRISTOFF, P. Óleo Residual de Fritura da Associação Vira Combustível (Biodiesel). 2006. UNIFAE Centro Universitário Franciscano do Paraná, do Curso de Engenharia de Produção e de Engenharia Ambiental, Licenciado em Quimica pela UFPR e Mestre em Desenvolvimento de Tecnologia (Biocombustivel), 2006. Tese disponívelem:<http://www.fae.edu/intelligentia/includes/imprimir.asp?lngIdNoticia=90072>. Acesso em: 13/10/2014
FERRARI, R. A.; OLIVEIRA, V.S.; SCABLO, A. Biodiesel de soja – taxa de conversão em ésteres etílicos, caracterização química e consumo em gerador de energia. Química Nova, v. 28, n. 1, p.19-13, 2005.
GERIS, R. et al. Reação de Transesterificação para Aulas Práticas de Química Orgânica. Química Nova. , vol. 30, Nº05. 1369-1373. Salvador: Revista Química Nova, 2007.
HOLANDA, A. Biodiesel e Inclusão Social. Câmara dos Deputados. Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica. Brasília: 2004.
MORETTO, E., FETT, R. Óleos e gorduras vegetais: Processamento e análises. 2ª edição. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1989.
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NETO, P.R C.et al. Produção de biocombustível alternativo ao óleo diesel através da transesterificação de óleo de soja usado em frituras. Revista Química Nova, 23(4), p. 531- 537. Rio de Janeiro: Química Nova, 2000.
INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz: Métodos químicos e físicos para análise de alimentos. v.1. 3ª ed. Eletrônica. São Paulo: IMESP, 2005.
ZHENG,S.etal.Acid-catalysedproductionof,biodiesel,fromwastefryingoil. Biomass and Bioenergy, n. 30, p. 267-272, 2006.