CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DA PRÓPOLIS VERMELHA PRODUZIDA NO ESTADO DO CEARÁ.

ISBN 978-85-85905-10-1

Área

Alimentos

Autores

Maciel de Oliveira Silva, M. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ) ; Tavares Cavalcanti Liberato, M.C. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ)

Resumo

A palavra própolis é derivada do grego onde pro significa “em defesa de” e polis “cidade”, ou seja, em defesa da cidade ou da colmeia. Sua utilização na colônia está relacionada com suas propriedades de proteção, assepsia e ação antimicrobiana, garantindo um ambiente asséptico. Amostra de própolis vermelha da cidade de Aquiraz, no Ceará, foi analisada para determinação dos parâmetros físico-químicos e fitoquímica qualitativa. O extrato metanólico da própolis foi obtido através de Soxhlet.

Palavras chaves

Própolis vermelha; Análise físico-química; Compostos fenólicos

Introdução

A própolis vermelha é proveniente de uma região de mangue da cidade de Aquiraz, tendo como origem botânica a planta “rabo-de-bugio” (Dalbergia ecastophyllum). A espécie D. ecastaphyllum é a principal fonte de resina para a produção da própolis vermelha brasileira (DAUGSCH et al., 2006; SILVA et al., 2008). Após analisar o perfil químico de D. ecastaphyllum e da própolis vermelha os autores constataram que ambas demonstraram ter constituintes químicos semelhantes, sendo os principais compostos os isoflavonóides medicarpina e 3-hidróxi-8,9- dimetóxipterocarpna (SILVA et al., 2008). Segundo Seifert & Haslinger, (1991), as ceras de própolis podem ser constituídas por alcanos, alcenos, alcadienos, monoésteres, diésteres, ésteres aromáticos, cetonas e ácidos graxos entre outras classes de compostos. Alcanos com 26-35 átomos de carbono foram detectados em extratos hexânicos de própolis brasileiras (PEREIRA et al., 2002). Os constituintes químicos encontrados nos vegetais são sintetizados e degradados por inúmeras reações que constituem o metabolismo das plantas. Grande número de ervas aromáticas e medicinais, como folhas e frutos de algumas plantas, produzem fitoquímicos como flavonoides e compostos fenólicos que passam através do néctar para os produtos apícolas. Os compostos fenólicos possuem atividade antioxidante e podem ser usados como fonte natural de compostos que combatem os radicais livres.

Material e métodos

A amostra da própolis foi obtida através de apicultores da região de Aquiraz, posteriormente lavada e tratada para retirada de sujidades e armazenada a 4°C. Resíduo insolúvel em metanol: O cartucho utilizado na extração por Soxhlet, contendo substâncias não solubilizadas em metanol, foi colocado em vidro de relógio e levado à capela de exaustão, onde permaneceu por 1 h para evaporação do excesso de solvente. O conjunto foi então levado à estufa pré-aquecida a 105°C, por 2 h. Em seguida, o conjunto foi resfriado em dessecador e o cartucho pesado isoladamente. O processo de aquecimento, resfriamento e pesagem do cartucho, foi repetido com intervalos de 1 h, até se atingir massa constante na pesagem (FUNARI & FERRO, 2006). Teor de cera: O extrato metanólico de própolis, obtido por Soxhlet, foi levado à geladeira por 24 h e posteriormente ao freezer, por 30 min. A solução foi então, filtrada em funil de Buchner (com papel de filtro previamente seco e pesado) sob vácuo. A cera depositada sobre o papel de filtro foi lavada com metanol até a sua clarificação. O volume de extrato livre de cera foi medido e acondicionado em recipiente de vidro vedado. O conjunto filtro/cera foi levado à capela de exaustão, por 1 h, para eliminação do excesso do solvente. O conjunto foi depositado em estufa pré-aquecida a 105°C, por 2 h, resfriado em dessecador e pesado. O processo de aquecimento, resfriamento e pesagem do material, foi repetido com intervalos de 1h, até se atingir massa constante (FUNARI & FERRO, 2006). Análise fitoquímica qualitativa: A metodologia aplicada foi baseada na descrita por Matos (2002).

Resultado e discussão

Com a extração da própolis vermelha obteve-se um rendimento de 88,5%, considerado um bom rendimento. A composição da própolis tem relação direta com a vegetação da região de coleta. Sua consistência a temperatura ambiente indica a razão entre os teores de resina e cera em sua composição. O teor de cera da própolis de Aquiraz foi de 14,8% e o de resíduo insolúvel em metanol foi de 18,4%, estando de acordo com a Legislação Brasileira vigente (BRASIL, 2001). Os resultados obtidos através de testes fitoquímicos qualitativos foram bastante consideráveis, pois apresentaram indicação de quase todos os constituintes analisados. Para o extrato da própolis marrom ocorreu à detecção de classes de compostos como fenóis, flavonoides, flavanonas, catequinas, xantanas, triterpenóides pentacíclicos livres e saponinas. A amostra de própolis vermelha apresentou compostos como taninos flobafênicos, fenóis, flavonoides, flavononas, flavonóis, xantanas, esteróis livres e saponinas. Tais dados podem ser vistos na tabela 1.

Tabela 1. Prospecção fitoquímica qualitativa da própolis vermelha.



Conclusões

O estudo químico da própolis vermelha apresentou correlação com o padrão já existente para os resíduos insolúveis em metanol e o teor de cera de acordo com a Legislação Brasileira. Nos testes fitoquímicos qualitativos constituintes como esteróides, triterpenóides, catequinas e saponinas foram detectados presentes em ambas as amostras.

Agradecimentos

A Universidade Estadual do Ceará e ao CNPq pelo financiamento da pesquisa.

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento. Instrução Normativa n. 3, 19 jan 2001.
DAUGSCH, A.; MORAES, C.S.; FORT, P.; PACHECO, E; LIMA, E.B.; ABREU, J.A; PARK, Y.K. Propolis vermelha e sua origem botânica. Mensagem Doce, v. 89, p. 2-8. 2006.
FUNARI, C.S; FERRO, V.O. Análise de Própolis. Ciência Tecnologia de Alimentos, v. 26, p. 171-178. 2006.
MATOS F.J.A. Farmácias Vivas: sistema de utilização de plantas medicinais projetado para pequenas comunidades. Fortaleza: Ed. UFC; 2002.
PEREIRA, A.S, SEIXAS, F.R.M.S, AQUINO, NETO F.R. Própolis:100 anos de pesquisa e suas perspectivas futuras. Química Nova, v. 25, p. 321-326. 2002.
SILVA, B. B. Caracterização da própolis vermelha: sua origem botânica e o efeito sazonal sobre sua composição química e atividade biológica. Dissertação. Universidade Estadual de Campinas, Piracicaba-SP. 2008.

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