APLICAÇÃO DO CARVÃO DE COCO DE BABAÇU MODIFICADO COM ÁCIDO CÍTRICO NA REMOÇÃO DO INDICADOR AZUL DE METILENO.

ISBN 978-85-85905-10-1

Área

Química Analítica

Autores

Silva, I.N. (UFRN) ; Almeida, J.M.F. (UFRN) ; Oliveira, E.S. (UFRN) ; Souza, S.P.M.C. (UFRN) ; Fernandes, N.S. (UFRN)

Resumo

O babaçu é uma palmeira nativa da América Latina que produz um fruto com alta potencialidade comercial, sendo possível produzir carvão a partir desse fruto. A literatura aponta para algumas modificações que podem ser realizadas no carvão para melhorar a sua área superficial. Os corantes encontram-se entre os principais compostos perigosos para o ambiente aquático e por isso devem ser tratados. O carvão de coco de babaçu usado neste trabalho foi tratado com ácido cítrico e após a ativação foi realizado uma análise de MEV para verificar evidências dessa modificação. O ensaio de adsorção mostrou uma remoção de 76,78% na cor do azul de metileno e aponta esse adsorvente como um bom material para a remoção desse corante.

Palavras chaves

Carvão de Coco de Babaçu; Ácido Cítrico; Azul de Metileno

Introdução

O babaçu é uma palmeira proveniente da América Latina. No Brasil pode ser encontrada nas regiões Amazônicas, Cerrado, Mata Atlântica e na Caatinga. Dentre as partes que constituem essa palmeira, o fruto possui o maior potencial econômico, pois é possível produzir diversos produtos, tais como: etanol, metanol, celulose, farináceas, ácidos graxos, glicerina e o carvão (BRASIL, 2009). Os corantes encontram-se entre a classe de compostos mais perigosos para o ambiente aquático. Quando descartados sem nenhum tratamento prévio no meio ambiente podem causar danos à fauna e flora aquática, já que são considerados altamente tóxicos para a vida aquática, reduzindo a capacidade de reoxigenação da água, dificultando a passagem de luz solar e, consequentemente, reduzindo a atividade fotossintética (DOTTO et al, 2011). A adsorção é uma técnica que se mostrou bastante eficaz no tratamento de soluções aquosas e trata-se de uma técnica relativamente econômica. A ativação química envolve a impregnação de agentes desidratantes como ácido fosfórico e o cloreto de zinco visando o aumento da área superficial de materiais carbonizados, como é o caso do carvão (CLAUDINO, 2003). Neste trabalho propõe-se modificar o carvão de coco de babaçu com ácido cítrico e realizar um teste de adsorção para remover o corante azul de metileno de efluentes gerados em aulas práticas de Química Analítica.

Material e métodos

O carvão utilizado nesse estudo foi proveniente do estado do Maranhão. O carvão foi triturado, pulverizado e peneirado com uma faixa granulométrica de 50 a 100 mesh. O material foi modificado com ácido cítrico 1,0 mol/L. Para a modificação utilizou-se 5g de carvão para 100 mL da solução ativante (ácido cítrico). Em seguida o material ficou em contato por 4 horas sob agitação magnética. Após o tempo de contato o carvão foi filtrado e lavado com água destilada até pH ≅ 7 e seco em uma estufa com circulação forçada de ar por 4 horas a 60º C. Para a realização do ensaio de adsorção foi adicionado 100 mg de carvão de coco de babaçu modificado a 30 mL de solução de azul de metileno com concentração de 10 ppm. O material ficou em contato em uma mesa agitadora a 25ºC em um intervalo de tempo de 100 minutos, os pontos foram coletados a cada 10 minutos. A percentagem de remoção da cor do azul de metileno foi calculada pela equação (%Remoção = (A0-At/A0)*100).

Resultado e discussão

A (Figura 1a) apresenta a análise de MEV para o carvão de coco de babaçu sem modificação. Como pode ser observado na imagem o carvão apresenta um número considerável de poros, porém na (Figura 1b) referente à análise de MEV para o carvão de coco de babaçu modificado com ácido cítrico, pode-se observar uma distribuição mais uniforme na quantidade desses poros, o que pode indicar uma boa possibilidade das moléculas do corante serem acondicionadas e adsorvidas no interior dos poros. A (Figura 2a) apresenta a tabela com o percentual de remoção do azul de metileno usando o carvão de coco de babaçu modificado com ácido cítrico. O percentual de remoção máximo foi 76,78% em 60 minutos de adsorção, sendo que no total de 100 minutos apresentou um intervalo de adsorção de 62,31 a 76,78%. A (Figura 2b) mostra a fotografia do teste de adsorção para o azul de metileno.

Figura 1

MEV do carvão de coco de babaçu sem modificações (a), MEV do carvão de coco de babaçu modificado com Ácido cítrico (b).

Figura 2

Tabela com o percentual de remoção do azul de metileno (a), Fotografia do teste de adsorção para o azul de metileno (b).

Conclusões

Conclui-se que o carvão de coco de babaçu modificado com ácido cítrico apresentou um bom desempenho na remoção da cor do azul de metileno com um percentual de remoção de 76,78 % mostrando que a metodologia empregada foi eficaz na remoção desse corante.

Agradecimentos

A CAPES pelo apoio financeiro, Instituto de Química e UFRN.

Referências

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fom e Ministério do Meio Ambiente. Promoção Nacional da Cadeia de Valor do Coco Babaçu. Brasília, 2009.

CLAUDINO, A. Preparação de carvão ativado a partir de turfa e sua utilização na remoção de poluentes. 2003. 90p. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis - SC, 2003.

DOTTO et al. Remoção dos corantes azul brilhante, amarelo crepúsculo e amarelo tartrazina de soluções aquosas utilizando carvão ativado, terra ativada, terra diatomácea, quitina e quitosana: estudos de equilíbrio e termodinâmica. Química Nova, v. 34, p. 1193-1199, 2011.

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