Alimentação: Um tema articulador de conhecimentos e atitude para o ensino de química na EJA

ISBN 978-85-85905-10-1

Área

Ensino de Química

Autores

Kelly Corrêa de Paiva, R. (UEG) ; dos Santos Fernandes, A. (UEG) ; Jacinto da Silva, V. (UEG) ; Alves Dourado, A. (UEG) ; Genini Vaz, J. (UEG)

Resumo

Na presente proposta priorizou-se a utilização de metodologias que despertassem o desejo pelo aprendizado, através da contextualização do conhecimento químico e integração dos estudantes, da EJA, de uma escola pública, estadual. Diferentes procedimentos, como, atividades lúdicas, experimentação, leitura e discussão de artigo foram planejados e ministrados, por bolsistas do PIBID/CAPES/Química, da UEG. Os resultados indicaram uma grande receptividade por parte dos alunos, que se mostraram interessados ao aprendizado. Além disso, o projeto oportunizou aos bolsistas do PIBID, o contato e o despertar, para uma forma diferente de ensinar, que transcende o método tradicional.

Palavras chaves

Contextualização; composição dos alimentos; Aprendizagem

Introdução

A história da Educação de Jovens e adultos (EJA) perpassou por várias mudanças ao longo dos anos, mostrando a estreita relação com as transformações sociais, econômicas e políticas que estavam ocorrendo em diferentes momentos históricos do Brasil. Desde a colonização do país a preocupação com a escolarização dos adultos é notada (Vieira, 2007). Atualmente de acordo com a LDB a educação de Jovens e Adultos tem por finalidade resgatar homens e mulheres que por varias razões não conseguiram concluir seus estudos em tempo regular. E vale ressaltar que nesta modalidade de ensino, o professor deve ter uma atenção redobrada com a motivação, pois a maioria dos estudantes são trabalhadores que chegam à sala de aula, cansados (Bonenberger et al., 2006). No que diz respeito ao ensino de química, ainda cabe ao professor ser articulador do ensino-aprendizagem, de modo que os alunos, ao final do processo, sejam capazes de interagir com o mundo que o cerca, de forma mais consciente e crítica. Desta forma, buscando estimular os alunos a aprendizagem de conteúdos de química, buscamos metodologias diferenciadas, dentro do contexto, “Alimentação saudável e de baixo custo”, para ensinar composição dos alimentos, funções orgânicas, densidade, conteúdo calórico dos alimentos e dieta saudável e econômica. A contextualização permite a inserção do cotidiano à sala de aula e também colabora para a valorização dos conhecimentos prévios dos estudantes. O contexto “Alimentação Saudável e de baixo custo”, além de permitir a aprendizagem de conhecimentos de química, colabora para a formação crítica, quanto ao consumo indiscriminado de alimentos processados e de baixo valor nutricional, e também proporciona a aquisição de habilidades em montar dietas saudáveis com receitas de baixo custo.

Material e métodos

O presente trabalho foi realizado com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de um colégio público estadual, do município de Anápolis, Goiás. O Tema “Alimentação Saudável e de baixo custo” foi escolhido, com base em conversa informal com alunos e análise do plano de ensino da professora regente da disciplina. A proposta consistiu em: 1) Seminário para aprendizagem da composição dos alimentos: Água, carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas e sais minerais (Figura 1a). Este foi apresentado utilizando recurso midiático e slides elaborados no programa Prezi. 2) Atividade lúdica realizada pelos alunos: Elaboração de painéis com diferentes estruturas de vitaminas (A, B2, C, E e K) e identificação de funções orgânicas presentes, bem como alimentos em que são encontradas e anomalias causadas pela sua falta (Figura 1b). 3) Experimento investigativo de densidade utilizando refrigerante light e normal mostrando a diferença de massa de duas latas de refrigerante de mesmo volume (Figura 1c). 4) “Pic nic no pátio” (Figura 1d) com receitas saudáveis e de baixo custo: brigadeiro de mandioca, beijinho de soja, bolinho de espinafre, suco de alface, bolo de abobora e coco, mousse de cenoura (SESI, 2006). 5) Construção de pirâmides alimentares e determinação de conteúdo calórico dos alimentos para homens e mulheres sedentários e que praticam exercícios (Figura 1e). Após estudo de termoquímica e artigo,os estudantes montaram as pirâmides alimentares e construíram cardápios para uma dieta saudável, buscando sempre alimentos de baixo custo. 6) Discussão em grupo sobre a importância em consumir alimentos naturais e menos alimentos processados, após leitura de artigo “Educação Alimentar: Uma Proposta de Redução do Consumo de Aditivos Alimentares (Silva et al., 2012).

Resultado e discussão

A contextualização a partir do seminário “Alimentação Saudável e de baixo custo” e a realização das atividades lúdicas e experimentos permitiram a integração do conhecimento científico e cotidiano. Isto foi possível, pois houve valorização dos saberes populares dos estudantes, permitindo a participação dos mesmos. Segundo os PCNEM (Brasil, 2000, p.78), “O tratamento contextualizado do conhecimento é o recurso que a escola tem para retirar o aluno da condição de espectador passivo”. Isto verificamos pela quantidade de questionamentos e apontamentos que os estudantes fizeram durante as atividades. Segundo Bergamo (2012), este tipo de atividade, privilegia uma educação que vise o desenvolvimento pessoal do aluno e a atuação em cooperação. Ainda verificamos a construção do conhecimento a cerca da diferença entre refrigerante diet e normal, bem como conceito de densidade pela realização do experimento com esses refrigerantes. A realização do pic nic no pátio proporcionou aos estudantes, que são em sua maioria pais e mães de família, a possibilidade de adotar refeições de baixo custo e nutritivas para a família. Fato reportado por muitos. A leitura e análise dos rótulos de alimentos, a construção de um cardápio equilibrado, a construção de pirâmides alimentares e a discussão do artigo sobre aditivos químicos nos alimentos, colaborou para reflexão e conscientização dos estudantes quanto à escolha de suas refeições. Essa conscientização segundo Freire (2011) promoveu aprendizagem, pois para ele “Aprender é construir, reconstruir, constatar para mudar” (Freire, 2011. p.68). Para os pibidianos, a realização da proposta permitiu um olhar diferente para o ensino de química com propostas que superem a dicotomia química-aprendizagem para a vida.




Conclusões

A contextualização por meio da temática “Alimentos Saudáveis e de baixo custo”, a realização de atividades lúdicas, como, experimentação, construção de painéis, pirâmides alimentares, pic nic e discussão em grupo, mostraram-se eficazes para motivar estudantes da EJA ao ensino-aprendizagem de química. A proposta metodológica baseada em procedimentos que transcendem o ensino tradicional proporcionou aos pibidianos uma reflexão a cerca da prática docente que valoriza a aprendizagem e que tem o aluno como foco do processo.

Agradecimentos

Agradecemos ao PIBID/CAPES/UEG e ao programa de auxílio eventos (Pró-Eventos) da Universidade Estadual de Goiás

Referências

Albuquerque, M. V.; Santos, S. A. dos; Cerqueira, N. T. V. do; Silva, J. A. da.Educação Alimentar: Uma Proposta de Redução do Consumo de Aditivos Alimentares. Química Nova na Escola. Vol. 34, n. 2, p. 51-57, 2012.
Bonenberger, C. J.;Costa, R. S.; Silva, J.: Martins, L. C. O Fumo como Tema Gerador no Ensino de Química para Alunos da EJA. Livro de Resumos da 29a Reunião da Sociedade Brasileira de Química. Águas de Lindóia, SP, 2006.

Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários á prática. São Paulo, Paz e Terra, 2011.
Viera, S. L. A educação nas constituições brasileiras: texto e contexto. Revista brasileira. Est. pedag., Brasília, v. 88, n. 219, p. 291-309, maio/ago. 2007.
SESI, Alimente-se bem: 152 receitas econômicas e nutritivas. 11 edição, São Paulo. 2006.

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