A produção de bioplásticos como ferramenta para o ensino de técnicas básicas de laboratório

ISBN 978-85-85905-10-1

Área

Ensino de Química

Autores

Silva, L.V.A.T. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS) ; Silva, V.N.T. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS) ; Santos, Y.D.R. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS) ; Santos, J.V.I. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS)

Resumo

O presente trabalho foi realizado no IFAL - Campus Maceió, tendo como objetivo promover um melhor aprendizado acerca das Técnicas Básicas de Laboratório. Para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, foi utilizada a produção de polímeros biodegradavéis com a finalidade de unificar a parte teórica com a experimental de forma prática e dinâmica. O procedimento foi bastante lucrativo no que se refere à assimilação de conteúdo pelos alunos do ensino médio. Ao unirmos a produção de plástico biodegradavéis observamos que a dificuldade em compreender os procedimentos laboratoriais foi minimizada, pois tal dificuldade se dava por não haver diversidade no ensino. Contou-se com a participação da comunidade interna e externa próxima ao IFAL.

Palavras chaves

Química experimental; Sustentabilidade; Ensino laboratorial

Introdução

O bioplástico é um produto muito pesquisado nas últimas décadas. Sua produção vem aumentando dentro dos laborátorios de pesquisa. Tal fato ocorre por haver uma necessidade de obter um produto sustentável e com propriedades biodegradativas que substitua o plástico derivado do petróleo, o qual demora centenas de anos para ser degradado na natureza, causando transtornos ambientais (VROMAN e TIGHZERT, 2009). Assim, a produção de bioplásticos se apresenta como um procedimento experimental atrativo para o processo de ensino-aprendizagem, pois está relacionado com um tema de relevância social e científica. Isso permite uma abordagem intuitiva, com exposição de conceitos sobre pesagem de sólidos, medição de volumes, secagem, aquecimento, vidrarias e suas funções, utilização de reagentes, segurança no laboratório e manuseio de equipamentos. Dessa forma, salientando-se a importância do bioplástico para a sociedade e das técnicas aplicadas a sua produção, este trabalho visa retratar uma experiência iniciada no IFAL - Campus Maceió, com o objetivo de transmitir a disciplina de TBLA (Técnicas Básicas de Laboratório) de forma contextualizada, minimizando e desfazendo qualquer dificuldade que seja apresentada pelos alunos.

Material e métodos

As aulas foram ministradas no laboratório de Química Orgânica do Instituto Federal de Alagoas – Campus Maceió. Foram formados, via inscrição, dois grupos de 15 alunos do ensino médio e da comunidade externa próxima ao IFAL, totalizando 30 alunos. Deve-se notar que os participantes não tinham conhecimentos sobre a disciplina ensinada. Assim, as aulas seguiram dois tipos de abordagem: uma teórica, sobre segurança laboratorial, manuseio de equipamentos, separação de misturas, aferição de volumes, medição de pH, vidrarias e suas funções, e o comportamento apropriado no laboratório; e uma prática, na qual iniciamos os procedimentos experimentais. Primeiramente, formaram-se grupos de 3 pessoas, totalizando 5 grupos para cada turma. Cada grupo confeccionou seu bioplástico, utilizando reagentes como a glicerina, vinagre, hidróxido de sódio (NaOH) e o amido extraído da batata inglesa. O processo de produção do bioplástico é simples. Trata-se de um sistema sob aquecimento (chapa aquecedora, bico de Bunsen ou agitador magnético com aquecimento) onde ficará um recipiente (béquer) com os reagentes. Haverá formação de um gel, que após a secagem formará o bioplástico. Dessa forma, com o auxílio dos voluntários e retomando os conteúdos das aulas teóricas, os alunos colocaram em prática tudo que aprenderam. No final de cada aula revisamos cada procedimento que eles haviam realizado, visto que isso era necessário para uma melhor fixação do conteúdo pelos envolvidos.

Resultado e discussão

Ao iniciarmos o procedimento experimental, observamos que os alunos inscritos não apresentavam conhecimentos básicos da disciplina de TBLA, mas os mesmos tinham um grande interesse e carência em aprender os conteúdos relacionados com tal matéria. Ao usarmos de uma estratégia didática de ensino, conseguimos que houvesse um grande interesse e aprendizado da parte dos alunos que participaram. À vista disso, 80% dos alunos associaram corretamente o nome das vidrarias e equipamentos utilizados com suas funções; 65% assimilaram conceitos básicos de química experimental (leitura do menisco, densidade, medição de pH, etc.) e 77% seguiram corretamente todas as recomendações de postura em ambiente laboratorial. Tais porcentagens foram alcançadas por causa da aplicação didática das aulas teóricas e práticas, com a contextualização dos temas abordados. Observamos que para os adolescentes do ensino médio que mostraram dificuldades nos temas de química experimental, em sua maioria, isso se dava pela ausência de um modo diversificado de docência, o qual é caracterizado pela presença do uso de uma metodologia mais dinâmica e que foge do padrão restritivo adotado pelas instituições de ensino (LÔBO, 2012; FERREIRA et al., 2010). Assim, percebe-se que a união da teoria de TBLA com o procedimento experimental envolvido na produção bioplástico, implica em êxito tanto na fixação de conteúdo teórico, quanto no aprimoramento de habilidades práticas.

Conclusões

Após o término das atividades, constatou-se que a grande dificuldade dos alunos em compreender a disciplina de TBLA, era causada por não haver uma didática diferenciada e uma maneira mais descomplicada de ensinar, aproximando-os do cotidiano e usando exemplos práticos e contextualizados. Verificou-se um grande aprendizado por parte da comunidade, que até então não tinha conhecimentos relacionados ao ambiente laboratorial. Assim, a metodologia empregada se mostrou eficaz, no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem.

Agradecimentos

A Deus e ao Instituto Federal de Alagoas - Campus Maceió pela estrutura disponibilizada.

Referências

FERREIRA, S. L. O trabalho experimental no ensino de Química. Revista Química Nova, v. 35, nº 2, 2012.

LÔBO, F. H.; HARTWIG, D. R.; OLIVEIRA, R. C. Ensino Experimental de Química: Uma Abordagem Investigativa Contextualizada. Revista Química Nova na Escola, nº 2, p.101-106, 2010.

VROMAN, I., TIGHZERT, L. Biodegradable Polymers. Materials Journal, n° 2, p.307-344, 2009.

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