CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DE ÓLEO DE ANDIROBA COMERCIALIZADOS EM BELÉM-PA E EM BRAGANÇA-PA.

ISBN 978-85-85905-10-1

Área

Produtos Naturais

Autores

Melo da Silva, P.M. (UFPA) ; da Silva Pinheiro, D. (UFPA) ; Carvalho de Souza, E. (UFRA) ; dos Santos Silva, A. (UFPA) ; Celi Sarkis Muller, R. (UFPA)

Resumo

Na Amazônia, mais especificamente nos Estado do Pará e Amazonas, dentre as plantas medicinais que são mais utilizadas com frequência, encontra-se a andiroba (Carapa guianensis). O óleo contido na amêndoa da andiroba é amarelo-claro extremamente amargo, que é usado na medicina popular para diversas doenças, tais como: reumatismo, cicatrização, inchaços, etc. (VASCONCELOS et al., 2008). Neste trabalho os óleos de andiroba foram obtidos em 3 localidades: Mercado do Ver-O- Peso (Belém-PA), supermercados de Belém-PA e no município de Bragança-PA, sendo que foram analisados os seguintes parâmetros: pH, índice de acidez, densidade, viscosidade, e cinzas totais, seguindo metodologias oficiais. Foi aplicada análise de componentes principais para a discriminação das origens dos óleos.

Palavras chaves

andiroba; controle de qualidade; Amazônia

Introdução

A espécie Carapa guianesis pertence à família Miliaceae conhecida popularmente como andiroba, andirova, angirova, carapinha e ladirova. Sua distribuição ocorre nos estados do Amapá, Pará, Acre, Amazonas e Maranhão. (FEREIRA et al., 2005) A andirobeira, possui múltiplos usos, tanto como fonte de madeira como de fruto, com alto valor econômico para comunidades, pois seus óleos é um dos produtos medicinais mais comercializados na Amazônia (VASCONCELOS et al., 2008). As sementes de andiroba liberam um óleo de coloração amarela, sabor amargo e em temperaturas inferiores a 25 °C, solidifica-se. Impróprio para a alimentação, mais muito procurado pelas indústrias cosméticas e farmacêuticas em função de suas propriedades antisséptica, antiinflamatórias, cicatrizantes e emolientes (SILVEIRA, 2003). O objetivo do presente trabalho foi avaliar parâmetros físico- químicos dos óleos de andiroba comercializados em 3 localidades: Ver-O-Peso (Belém-PA); rede de supermercados de Belém-PA e em Bragança, cidade do nordeste paraense. Aos dados obtidos se aplicou análise de componentes principais para a separação das amostras conforme sua origem.

Material e métodos

Foram adquiridas doze amostras de óleo de andiroba, entre abril e junho de 2014, sendo quatro amostras de cada uma das três localidades envolvidas neste estudo: supermercados de Belém-PA (óleo de andiroba, produzidas por empresa paraense especializada em produtos da flora amazônica de valor medicinal e denominadas de S1 a S4); feira do Ver-O-Peso (óleos de procedências diversas e denominadas de V1 a V4); e Bragança-PA (óleos extraídos recentemente de sementes maduras e denominadas B1 a B4). Todas as amostras foram levadas ao Laboratório de Controle de Qualidade e Meio Ambientes (LACQUAMA-PA), onde foram mantidas sob temperatura ambiente (22º C), permitindo observar o estado físico das amostras. Foram feitas as seguintes análises: pH, determinado usando um pHmetro (PHTEK) calibrado com solução tampão pH 4 e 7; densidade, medida através da medida de massa de óleo contida em picnômetro de 25 mL; índice de acidez, através de titulação de uma solução de óleo em éter-etanol (2:1) com solução de KOH 0,1 mol L-1 (ADOLFO LUTZ, 1985); viscosidade, aferida através do escoamento em copo Ford e medida do tempo de escoamento, sendo tempo convertido em viscosidade através da equação fornecida com o aparelho; cinzas, através da pesagem de 5 g de massa de óleo pesados em cadinho de porcelana aferido previamente e queimados em mufla a 650º C até eliminação completa do carvão (ADOLFO LUTZ, 1985). Todas as determinações foram realizadas em triplicatas e os resultados expressos em termos de média e desvio padrão. Os resultados de cada parâmetro foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e teste de Tukey (p<0,05). O tratamento estatístico multivariado de análise de componentes principais foi executado empregando o programa MINITAB 16, para se separar as amostras conforme suas origens.

Resultado e discussão

As amostras provenientes de Bragança (B1 a B4) se solidificam a temperatura de 22º C, enquanto as de supermercado (S1 a S4) sofreram endurecimento parcial e as do Ver-O-Peso (V1 a V4) se mantiveram líquidas. Conforme Silveira (2003), o óleo de andiroba se solidifica abaixo de 25º C, logo as amostras que se mantiveram líquidas são suspeitas de adulteração. Os resultados dos parâmetros analisados estão contidos na Tabela 1. A média de pH para os três grupos de óleos foram: 4,95 (supermercado), 5,80 (Bragança) e 5,83 (Ver-O-Peso). O menor índice de acidez médio (71,93 g de KOH/100g) foi encontrado para as amostras de supermercado e o maior (141,42 g de KOH/100g) para as amostras de Bragança. Estes valores são bem superiores ao encontrado por Ferreira et al. (2005) que foi de 0,695 g de KOH/100g. A densidade média dos óleos variou entre 0,86 e 0,88 kg/m3, sem haver diferença significativa entre os três grupos de óleos (p<0,05), e sendo um pouco inferior ao valor encontrado Ferreira et al. (2005) que foi de 0,915 kg/m3. As cinzas tiveram médias entre 0,17 e 0,68% e a viscosidade média variou entre 155,67 e 253,21 cSt. Os valores de cinzas encontrados são superiores aos encontrados por Vasconcelos et al. (2008) que variaram entre 0,024 e 0,029%. A aplicação de análise de componentes principais aos dados obtidos produziu o gráfico da Figura 1, onde se evidencia a separação dos três grupos de óleos de andiroba estudados.

Tabela 1- Resultados para os óleos de andiroba.

Letras diferentes significam haver diferença significativa (p<0,05) entre os grupos de óleos, segundo ANOVA seguida de teste de Tukey.

Figura 1- Resultado da análise de componentes principais



Conclusões

As amostras de óleo de andiroba adquiridas no Ver-O-Peso podem estar adulteradas, por não terem endurecido a 22º C. Os parâmetros físico-químicos das amostras estudadas não concordaram com aqueles raros resultados encontrados na literatura, mas podem servir para a caracterização do produto paraense, pois os resultados da literatura se referem a óleos de outras localidades. Os parâmetros analisados foram suficientes para separar as doze amostras em três agrupamentos conforme a origem dos óleos estudados.

Agradecimentos

A UFPA

Referências

INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz. São Paulo, 1985, v.1.
FERREIRA, E. S.; LUCIEN, V. G.; SILVEIRA, C. S. ESTUDO FÍSICO-QUÍMICO DO ÓLEO FIXO EXTRAÍDO DA SEMENTE DE ANDIROBA (Carapa guianensis Aubl.). In: II Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel, Varginha, 2005.
SILVEIRA, B. I. & CARIOCA, C. R. F. Hidrólise de óleo de andiroba através da catalise ácida e básica. In: Anais do 12ºC Congresso Brasileiro de Catálise, Rio de Janeiro, 2003.
VASCONCELOS, M. A. M.; MATTIETTO, R. A.; GONGALVEZ, A. C. S.; OLIVEIRA, P. S.; MOREIRA, P. I. O.; ALVES, S. M.; MOREIRA, D. K. T.; FIGUEIREDO, J. G.; DANTAS, H. A. Avaliação do processo de extração e caracterização do óleoe sementes de andiroba (Carapa guianensis Aublet). In: Conferência do subprograma de Ciência e Tecnologia SPC&T Fase II/PPG7, Belém, 2008.

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