Avaliação in vitro da atividade antioxidante de extratos etanólicos das folhas e frutos de Pachira aquática.

ISBN 978-85-85905-10-1

Área

Produtos Naturais

Autores

Damasceno, K.H.R. (IFG- CÂMPUS ITUMBIARA) ; Alves, B.H.P. (IFG- CÂMPUS ITUMBIARA) ; Souza, A.S. (IFG- CÂMPUS ITUMBIARA)

Resumo

A Pachira aquática é uma planta encontrada em todo território brasileiro é vulgarmente conhecida como: munguba, castanheira do maranhão, entre outros. Seus frutos são comestíveis e a casca da raiz apresentou potencial antifúngico. Para determinar a atividade antioxidante em extratos etanólicos das folhas e frutos foi utilizado o método do sequestro do radical livre estável 2,2-difenil-1- picrilhidrazila (DPPH•). Os extratos etanólicos foram diluídos em água nas seguintes concentrações 1000, 800, 400, 200 e 100 µg.mL-1. Todos os extratos apresentaram atividade sequestradora de radicais DPPH. O fruto apresentou maior porcentagem de inibição dos radicais DPPH (42,26% a 84,97%) e teve CI50 de 1262,2 µg/mL. O fruto pode ser aproveitado como potencial fonte de antioxidante na alimentação.

Palavras chaves

atividade antioxidante; radical DPPH; Pachira aquática

Introdução

A Pachira aquática é uma planta pertencente à família da Bombacaceae, encontrada em todo território brasileiro é vulgarmente conhecida como: munguba, castanheira do maranhão, castanheira, cacau-selvagem, mamorana, castanhola, paineira de Cuba (VIEIRA, 2010; DU BOCAGE; SALES, 2002). Os frutos da Pachira aquática são comestíveis com características organolépticas muito apreciadas pelas populações amazônicas que os consomem de diversas maneiras: crus, assados, cozidos, ou torrados e transformados em farinha. Das cascas da raiz desta planta foi obtido compostos como, a isohemigossipolona, que apresentou alto potencial antifúngico (VIEIRA, 2010 apud SHIBATANI et al., 1999). Vários métodos são utilizados para determinar a atividade antioxidante em extratos e substâncias isoladas; um dos mais usados consiste em avaliar a atividade seqüestradora do radical livre 2,2- difenil-1-picril-hidrazila - DPPH•, de coloração púrpura que absorve a aproximadamente 518 nm. Por ação de um antioxidante (AH) ou uma espécie radicalar (R•), o DPPH• é reduzido formando difenil-picril-hidrazina, de coloração amarela, com conseqüente desaparecimento da absorção, podendo a mesma ser monitorada pelo decréscimo da absorbância. (BRAND-WILLIAMS W, CUVELIER ME, BERSET , 1995; SOUSA, et al 2007). O presente trabalho tem como objetivo a avaliação da atividade antioxidante dos extratos etanólicos das folhas e do fruto da Pachira aquática (Monguba) a fim de contribuir para o estudo sobre as plantas usadas pela população e que constituem a flora da região.

Material e métodos

As amostras de folhas e sementes foram coletadas no município de Itumbiara – GO, levadas ao laboratório, onde foram submetidas ao processo de secagem e moagem. Os extratos etanólicos foram obtidos por extração em aparelho de Soxhlet, a partir de 10 g de cada amostra O sistema ficou em refluxo até se observar a descoração total do solvente. Finalizada a extração, os extratos foram rotaevaporados e retirou-se alíquotas de 1,0 mL para cálculos de rendimento. A atividade antioxidante foi determinada através do sequestro do radical livre estável 2,2-difenil-1-picrilhidrazila (DPPH•) seguindo o método descrito por LIMA (2008). Preparou-se uma solução de DPPH• em metanol na concentração de 40 μg mL-1. Os extratos etanólicos foram diluídos em água nas seguintes concentrações 1000, 800, 400, 200 e 100 µg.mL-1. Foram retirados 0,3 mL de cada extrato diluído e colocados para reagir com 2,7mL de DPPH•. As soluções foram deixadas em repouso, no escuro, por 30 minutos. As leituras das absorbâncias das amostras foram realizadas em um espectrofotômetro Shimatzu UV- 160 1 PC, no comprimento de onda de 517 nm. Foi feito um branco nas mesmas condições. De acordo com Lima (2008), para calcular a concentração de inibição de 50% do DPPH (CE50), é necessário calcular a porcentagem de DPPH remanescente, como segue a equação: % DPPHrem = {[DPPH] am /[DPPH]bran}*100 Em que: [DPPH]am: concentração de DPPH na concentração avaliada (extrato) [DPPH]bran: concentração de DPPH no branco (todos os reagentes exceto a amostra) No cálculo da porcentagem de DPPH inibido pelas amostras, utilizou-se a equação: %I= 100 - %DPPH REM E para obtenção da CE50 calculou-se os valores de % de inibição do DPPH versus as concentrações das amostras.

Resultado e discussão

Para avaliar o teor de atividade antioxidante, construiu-se uma curva de calibração do DPPH (Figura 1), tal gráfico permite determinar a concentração desse radical em função da absorvânvia. Essas concentrações foram usadas para o cálculo da % de inibição do radical DPPH. Os cálculos foram realizados com base na porcentagem em DPPH (concentração do DPPH em ug/ml (calculado pela equação da reta), logo depois foi feito o cálculo da % de DPPH remanescente, em seguida o cálculo da % de inibição (Tabela 5) e por fim cálculo CI50 = %inibição versus [das amostras]. Os extratos das folhas e do fruto apresentaram atividade antioxidante, sendo que a porcentagem de inibição dos extratos mostra uma maior atividade sequestradora dos radicais DPPH para o fruto, para a mesma concentração dos extratos. O valor de concentração inibitória (CI50) calculado para o extrato do fruto reforça essa observação, pois quanto menor o valor de CI50, maior a capacidade antioxidante da amostra. Os frutos são utilizados, em algumas regiões, na alimentação humana e na criação de gado. Na alimentação humana os frutos são utilizados crus ou torrados. Pelos resultados encontrados nesse trabalho, o fruto de Pachira aquática podem ser aproveitados como fonte de antioxidantes na alimentação.

Figura 1. Curva de calibração do DPPH• (absorbância pela concentração



Figura 2. Gráfico da % de inibição de DPPH• em função da concentração



Conclusões

Os extratos etanólicos das folhas e fruto de Pachira aquática apresentaram atividade sequestradora de radicais DPPH. O fruto, que em algumas regiões é usado na alimentação mostrou maior atividade. Esses resultados mostram que o fruto pode ser aproveitado como potencial fonte de antioxidante na alimentação.

Agradecimentos

IFG - Câmpus Itumbiara; NUPEQUI; PROPg/IFG; IQ-UFU.

Referências

DU BOCAGE, A. L.; SALES, M. F. A família bombacaceae kunth no estado de Pernambuco, Brasil. Acta Bot. Bras. v.16 n.2, p. 123-139, 2002. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/abb/v16n2/a01v16n2.pdf> Acesso em: 02/04/2013 às 18:03.

LIMA, R. K.. Óleos essenciais de Myristica fragrans Houtt. e de Salvia microphylla H. B. K.: caracterização química, atividade biológica e antioxidante. Tese (Doutorado) – Programa de Pós- graduação em Agroquímica, Universidade Federal de Lavras, Lavras – MG, 2008.

SOUSA, C.M.M.; SILVA, H.R.A; VIEIRA-JR., G.M.; AYRES, M.C.C.; COSTA, C.S.; ARAÚJO, D.S.; CAVALCANTE, L.C.D.; BARROS, E. D. S.; ARAÚJO, P. B. de M.; BRANDÃO, M. S.; CHAVES, M. H. Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, v. 30, p. 351-355, 2007.

VIEIRA, S. A. P. B. Avaliação do Potencial Antiofídico e genotóxico da isohemigossipolona, uma naftoquinona isolada da Pachira aquática (Aubl.). Uberlândia, 2010. (Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de Uberlândia)

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