Métodos de extração e análise química de óleos vegetais de palmeiras da Amazônia.

ISBN 978-85-85905-15-6

Área

Química Analítica

Autores

Gonçalves, J.P. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Costa, L.F.M. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Santos, W.R.L. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Lucas, F.C.A. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Carneiro, J.S. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ)

Resumo

O presente trabalho objetivou estudar as formas de extração e análise química de óleos vegetais dos frutos: dendê (Elaeis guineensis Jacq.) e tucumã (Astrocaryum vulgare Mart.). Neste estudo, a extração dos óleos foi realizada por dois métodos: artesanal e o por solvente, com análise e comparação de: rendimento, índice de acidez e saponificação para cada método. Os resultados mostraram que os óleos obtidos na extração por solvente tem maior rendimento. Quanta a acidez, o óleo de tucumã por solvente e dendê artesanalmente estão nos valores de referência. Para saponificação a extração artesanal mostrou-se mais adequada. Portanto, o trabalho é mais uma contribuição química que pode auxiliar na melhor forma de produção de alimentos e cosméticos que tem como matéria prima o dendê e tucumã.

Palavras chaves

Dendê; Tucumã; Análise Química

Introdução

O dendezeiro é uma planta perene e de grande porte que apresenta melhor desenvolvimento em regiões, com clima quente e úmido, precipitação elevada e bem distribuída ao longo do ano, por isso seu cultivo é bastante apropriado à Região Norte (LEBID; HENKES, 2015). Essa cultura é uma das mais importantes atividades agroindustriais das regiões tropicais e poderá, no futuro, ser uma excelente fonte geradora de empregos no meio rural (VIABILIDADE, 2007). O tucumanzeiro esta inserido entre as palmeiras nativas da Amazônia com inúmeras utilidades à população local desde a época pré-colombiana. O óleo extraído do fruto desta palmeira apresenta um alto valor nutricional, rico em vitaminas e ácidos graxos, pois seu fruto é rico em substâncias graxas e fibras, além de apresentar um potencial vitamínico extraordinário, especialmente em vitamina A, atingindo 52000 UI por 100 gramas (SILVA, 1993). Rodriguez Amaya (1996) confirmou dados anteriores de que este fruto se encontra entre os de maior concentração em β- caroteno (107±31µg/g), sendo superado somente pelo buriti (Mauritia flexuosa L.), e à frente da pupunha (Bactris gasipaes Kunth). Neste estudo realizou-se a extração artesanal e por solvente químico dos óleos de dendê (Elaeis guineensis Jacq.) e tucumã (Astrocaryum vulgare Mart.) caracterizando-os quimicamente, com o intuito de contribuir com a utilização destes por parte da indústria e agregar valor comercial a estas biomassas, valorizando desta forma, a utilização e o comércio destes frutos abundantes no Estado do Pará. Portanto, este trabalho é mais uma contribuição química a esse leque de possibilidades de aplicações e usos dos produtos derivados dessas palmeiras, em especial de seus frutos, através do conhecimento químico de seus óleos.

Material e métodos

Os frutos de dendê foram doados pela empresa Agropalma e os de tucumã provenientes do Rio Itacuruça, em Abaetetuba, Pará. Estes foram coletados 2 vezes no estágio maduro no período de agosto de 2012 a maio de 2013 e transportados para a UEPA. Foram realizadas 3 replicatas, sendo que a extração artesanal foi baseada no método de Facioli e Gonçalves (1998), onde cerca de 200 gramas de polpa dos frutos foram submetidas a cozimento intensivo com água e separando o óleo sobrenadante, em seguida, o óleo é seco em fogo baixo, utilizando uma panela de alumínio até que o mesmo perca a opacidade devido à umidade. Já a extração por solvente, foi utilizado o aparelho de Soxhlet, e o método descrito pela American Oil Chemist’s Society (A.O.C.S, 1993). Ele determina as substâncias extraídas com hexano a 90°C por 6h de aquecimento, seguido de evaporação do solvente. Com o término das extrações, calculou-se o rendimento dos óleos através da fórmula: R= (mÓleo/mAmostra)x100. O índice de acidez foi determinado seguindo as normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz (1985), esta determina a quantidade de ácidos graxos livres presentes nas amostras de óleos durante o processo de extração líquido-líquido. O índice de saponificação foi determinado segundo Vogel (2011), onde alíquotas da solução de hidróxido de potássio foram tituladas com ácido clorídrico 0,5 M, usando fenolftaleína como indicador (registrou-se o resultado da titulação como a mL). Para a hidrólise, pesou-se 2g do óleo em erlenmeyer e adicionou-se 25mL da solução de hidróxido de potássio. Ajustou-se um condensador de refluxo e o erlenmeyer foi aquecido em banho de vapor por 1h, com agitação ocasional. A fenolftaleína é adicionada à solução ainda quente e titula-se o excesso de hidróxido de potássio com ácido clorídrico 0,5 M.

Resultado e discussão

Os resultados mostraram que no método artesanal o rendimento foi baixo e o produto obtido apresentou-se opaco devido à presença da água. Na extração por soxhlet obteve-se melhor rendimento e maior qualidade no produto. Isso só é possível por que, quando o hexano está em alta temperatura aumenta sua solubilidade, facilitando assim a extração da maioria dos ácidos graxos contidos na amostra mantendo os ácidos graxos de cadeia longa, importantes para a produção de biodiesel. Quanto às propriedades químicas, o óleo de dendê apresentou acidez de 4,45 KOH/g e 6,0 KOH/g, pelo método artesanal e solvente químico respectivamente. O valor da amostra extraída artesanalmente está de acordo com a ANVISA (<5,0 KOH/g), já a amostra extraída por solvente químico mostrou-se superior. O óleo de tucumã obteve acidez de 6,05 KOH/g e 3,28 KOH/g para extração artesanal e por solvente, respectivamente. Os valores estão superior ao encontrado por Bora et al. (2001) no óleo extraído do mesocarpo (1,12KOH/g). De acordo com Bastos e Assunção (1998) as alterações nas propriedades químicas dos óleos podem ocorrer devido a fatores como a origem, grau de maturação, condições de armazenamento dos frutos e principalmente, do processo de extração dos óleos. O índice de saponificação de 209,32 mgKOH/g de dendê artesanal e 206,53 mg KOH/g por solvente, encontrados neste estudo, estão dentro da faixa de 190 a 209mg KOH/g do óleo de palma segundo a ANVISA. O óleo de tucumã extraído artesanalmente apresentou o índice de saponificação igual a 205,24 mgKOH/g e o por solvente 189,33 mgKOH/g. Os índices encontrados mostraram-se superior ao óleo de soja de 189 a 195mg KOH/g, e inferior ao de coco de babaçu de 245 a 256mg KOH/g (BRASIL, 2005).

Conclusões

Tratando-se de rendimento, a extração por solvente é considerada mais apropriada. Em relação ao índice de acidez, os valores do óleo de tucumã por solvente e dendê extraídos artesanalmente encontram-se dentro dos valores-referência, tornando-os propícios para a comercialização, principalmente na indústria alimentícia. Os índices de saponificação dos óleos de dendê e tucumã extraídos artesanalmente apresentaram valor superior aos demais, sugerindo que ela é a mais apropriada para a fabricação de sabão, devido à temperatura mais branda manter os ácidos menores e mais saponificáveis íntegros.

Agradecimentos

Referências

A.O.C.S. Official methods and recommended practices. 4 ed. Champaign, 1993, v. 3.

ANVISA – Agência Nacional da Vigilância Sanitária, valores de referência: RDC No482, de 23/09/1999

BASTOS, A. C. L. M.; ASSUNÇÃO, F. P. Oxidação dos óleos de tucumã (Astrocaryum vulgare Mart) e buriti (Mauritia flexuosa Mart). Tópicos especiais em tecnologia de produtos naturais. Belém: UFPA, NUMA, POEMA, 1998. 152p.

BRASIL. Mistério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC/ANVISA/MS nº 270, de 22 setembro de 2005. Regulamento técnico para óleos vegetais, gorduras vegetais e creme vegetal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 set. 2005. Seção 1. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br. Acesso em: 14 maio. 2013.

BORA, P. S. et al. Characterisation of the oil and protein fractions os Tucuma (Astrocarym vulgare Mart.) fruit pulp and seed kernel. Ciênc. Tecnol. Alim., v. 3, n. 2, p. 111-116, 2001.

IAL - Instituto Adolfo Lutz (São Paulo). Métodos Físico-químicos para Análise de Alimentos /coordenadores Odair Zenebon, Neus Sadocco Pascuet e Paulo Tiglea - São Paulo: Instituto Adolfo Lutz, 2008 p. 1020.

LEBID T.; HENKES J. A. Óleo de dendê na produção de biodiesel: um estudo de caso das vantagens e desvantagens econômica, ecológica e social da cultura desta oleaginosa para a produção de biodiesel. Revista Gestão e Sustentabilidade Ambiental, Florianópolis, v. 4, n. 1, p. 392- 415, abr./set.2015

VIABILIDADE de extração de óleo de dendê no estado do Pará. Viçosa (MG), 2007.

SILVA, S. Frutas Brasil. São Paulo: Empresa de Artes, Projetos e Edições Artísticas Ltda, 1993. 166p.

RODRIGUEZ-AMAYA, D. B. Assessment of the Provitamin A Contents of Foods: the brazilian experience. Journal of Food Composition and Analysis. v. 9, 1996. p. 196-230.

VOGEL, Arthur Israel. Análise Química Quantitativa/ Vogel: tradução Júlio Carlos Afonso, Paula Fernandes de Aguiar, Ricardo Bicca de Alencastro. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro : LTC, 2011. 488p.

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