DISTRIBUIÇÃO DE TEMPERATURA EM GRÃOS DE SOJA ARMAZENADOS EM SILO VERTICAL DE BANCADA

ISBN 978-85-85905-15-6

Área

Química Tecnológica

Autores

Mendes, L.R.C.A. (CCET/UEG) ; Ramos, H.S. (BRAINFARMA) ; Costa, O.S. (CCET/UEG)

Resumo

Este trabalho teve por objetivo avaliar a distribuição da temperatura em grãos de soja armazenados em um silo vertical de bancada, com fluxo de calor unidimensional, em regime transiente e fonte exógena de calor. O silo foi confeccionado com tubo de PVC isolado termicamente nas laterais para conduzir o calor em única direção. Um banho termostatizado foi usado como fonte de calor, sendo conduzidos ensaios em duas temperaturas. Verificou-se um perfil crescente de distribuição da temperatura não linear apenas nas camadas próximas da fonte de calor, sendo os grãos classificados como ardidos apenas no ensaio.

Palavras chaves

calor; ardido; estocagem

Introdução

A United States Departament of Agriculture (USDA) em seu terceiro levantamento para a safra mundial de soja 2015/16, confirmou um novo recorde de 318,9 milhões de toneladas na produção global dessa oleaginosa. O consumo e as exportações globais do grão também foram elevados, seguidos de uma redução na expectativa dos estoques finais (FIESP, 2015). Seguindo a tendência mundial, está previsto um novo recorde de 97,9 milhões de toneladas para a safra brasileira 2015/2016, 2,6 % acima da produção de 95,4 milhões de toneladas de 2014/2015 (CANAL RURAL, 2015). O aumento na safra de soja sempre gerou preocupação nas operações de colheita, transporte e estocagem. Sendo que as maiores perdas ocorrem durante o armazenamento, por ser a etapa mais longa do processo, acarretando prejuízos na qualidade ou até mesmo no valor nutricional dos grãos (MOREIRA et al., 2015). Os silos verticais cilíndricos são o formato mais comum de armazenamento dos grãos de soja, sendo que o calor no interior do silo é transferido de duas formas diferentes, convecção e condução, passando sempre de uma região mais quente para uma mais fria. O calor que é passado de grão para grão por condução, é propagado apenas pelo contato. Já por convecção, a corrente de ar intergranular se desloca promovendo um aumento na temperatura do sistema por microconvecção. Dentro deste contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar a distribuição da temperatura em grãos de soja armazenados em um silo vertical cilindro, em escala de bancada, com fluxo de calor unidimensional, regime transiente e fonte exógena de calor.

Material e métodos

Um cano de PVC de 25 cm de comprimento, 10 cm de diâmetro e 0,5 cm de espessura de parede foi usado para simular um silo vertical cilíndrico de armazenamento dos grãos de soja em escala de bancada. A base foi vedada com tampa metálica para suportar o peso dos grãos e servir como área de troca térmica. As paredes laterais do cilindro foram revestidas com cortiça emborrachada (k = 0,15 Kcal/h.m.ºC), para promover fluxo de calor unidimensional, da base para o topo. Três orifícios foram realizados no sentido longitudinal nas posições Z1 = 4,5 cm, Z2 = 10,5 cm e Z3 = 17,0 cm, a partir da base (Z0 = 0,0 cm). Em seguida, procedeu-se da seguinte forma: 1) pesou-se 1,5 kg de grãos de soja in natura para preenchimento do silo de bancada; 2) no topo foi encaixada uma tampa de cortiça emborrachada para evitar a condensação de vapores sobre os grãos de soja; 3) os termopares (T1, T2 e T3) foram acoplados nos orifícios e 4) a base do silo, contendo os grãos de soja (volume de controle), foi posta em um banho termostatizado a temperatura constante (fonte exógena de calor). Dois ensaios de transferência de calor com fluxo de calor unidimensional (eixo Z do silo), em regime transiente e fonte externa de calor foram levados a cabo, nas temperaturas constantes do banho de 30°C e 55°C. O binômio tempo e temperatura foram registrados por meio do software PC Sensor TEMper USB Thermometer durante 30 min.

Resultado e discussão

A Figura 1 apresenta a distribuição longitudinal da temperatura no silo vertical em escala de bancada, onde se verificou que as camadas de grãos de soja próximos à fonte de calor são as que mais sofrem os efeitos da temperatura. Apresentando uma tendência de perfil de temperatura em função do tempo crescente e não linear, quanto maior for à temperatura da fonte de calor. Em contrapartida, essas camadas próximas à fonte de calor formaram uma barreira resistente à transmissão do calor, em ambos os ensaios realizados às temperaturas constantes do banho termostatizado de 30°C e 55°C. Foi observado, após a finalização do ensaio à temperatura constante do banho termostatizado de 55°C, a condensação da umidade na base do silo acompanhada do cozimento dos grãos, que foram classificados como ardidos pela “Cartilha de Procedimentos de Classificação e Descontos na Comercialização de Grãos de Soja” (APROSOJA, 2012).

figura 1



Conclusões

Os ensaios de armazenamento de grão de soja em silo vertical, em escala de bancada para fluxo de calor unidirecional, em regime transiente e fonte externa de calor ao volume de controle, revelaram que a distribuição de temperatura nas camadas próximas à fonte de calor, possui perfil crescente não linear, com tendência de formação de uma barreira resistente à transferência de calor. Entretanto, os grãos de soja pertencentes a esta região no ensaio à exposição de temperatura de 55°C foram deteriorados, sendo classificados como grãos ardidos.

Agradecimentos

À professora orientadora, Dra. Orlene Costa pela oportunidade de aprendizado e pela parceria na elaboração deste trabalho.

Referências

APROSOJA. Cartilha de procedimentos de classificação e descontos na comercialização de grãos de soja, Cuiabá, 2012.
CANAL RURAL. Sete desafios para safra de soja 2015/1016. Disponível em: <http://www.canalrural.com.br/noticias/milho/ibge-aponta-safra-2015-2043-toneladas-56962>. Acessado: jun 2015.
FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Safra mundial de soja. Disponível em: <http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/safra-mundial-de-soja/>. Acessado: jun 2015.
MOREIRA, M. F. P.; CORRÊA, R. G.; FREIRE, J. T. Modelo matemático para previsão da temperatura da soja armazenada em silos. Engevista, v.17, n.2, p. 240-253, jun., 2015.

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