O uso de desenhos animados como inovações metodológicas no Ensino de Química

ISBN 978-85-85905-19-4

Área

Ensino de Química

Autores

Leal, L.V.P. (UNIFESSPA) ; Santanna, J.S. (UNIFESSPA) ; Leder, P.J.S. (UEPA) ; Gama, V.J.P. (UNIFESSPA) ; Santiago, J.C.C. (UEPA)

Resumo

A presente pesquisa apresenta uma análise da compreensão dos conceitos de matéria e energia por 35 alunos do 9° ano do ensino básico, com foco no uso de analogias. O objetivo do trabalho era propiciar que os educandos propusessem uma relação entre o tema abordado e o desenho animado Dragon Ball Z. Para a interpretação dos resultados foram utilizados dois questionários com questões de cunho objetivo e subjetivo a fim de avaliar o entendimento dos estudantes quanto aos conceitos abordados e a analogia proposta. Os resultados indicam que a metodologia é satisfatória. .

Palavras chaves

Analogias; Educação Básica; Matéria e Energia

Introdução

Há uma crescente preocupação com ensino de química, visto que além das dificuldades apresentadas pelos estudantes em aprender os conteúdos, os mesmos não conseguem relacionar os temas abordados em sala de aula com o seu cotidiano. Nesse contexto, é papel do professor procurar métodos que tornem o processo de ensino-aprendizagem mais atrativo, a fim de superar a tradicional abordagem linear dos conceitos, visando que os estudantes aprendam não somente aquilo que lhes é específico, mas que sejam capazes de associar os diferentes fenômenos que os cercam com o conhecimento adquirido (MACENO e GUIMARÃES, 2013). Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs (BRASIL, 2000), sugere que os alunos recebam os conteúdos de forma contextualizada. Dentre as variadas metodologias que objetivam tornar o ensino mais prazeroso as analogias têm despertado bastante interesse nos pesquisadores da educação, pois este instrumento possibilita o desenvolvimento de capacidades cognitivas (FREITAS, 2011). No entanto, os educadores devem se atentar à realidade na qual os alunos estão inseridos a fim de não utilizar analogias que fujam da compreensão dos educandos e esse processo requer um trabalho amplo e contextualizado (VYGOTSKY, 2004). Nessa perspectiva o presente trabalho sugere a construção de uma analogia a partir da técnica de um personagem do desenho animado, Dragon Ball Z, e analisa a aceitação dos alunos quanto à mesma.

Material e métodos

A presente pesquisa foi realizada em um projeto de intervenção desenvolvido na componente curricular Estágio Supervisionado, no curso de Licenciatura Plena em Química, tendo como objetivo verificar a compreensão dos conceitos químicos relacionados aos temas Matéria e Energia por 35 alunos do 9° ano do ensino básico a partir do uso de analogias. Para o desenvolvimento da pesquisa foram necessárias quatro aulas, nas quais a professora responsável pela turma ministrou o conteúdo e a estagiária estimulou os estudantes a questionarem a técnica Genki Dama, utilizada pelo personagem Goku do desenho animado, Dragon Ball Z. A técnica consiste em construir uma bola de energia a partir da energia contida nos seres vivos. A problemática era desvendar se no processo de construção da técnica o personagem transformava a energia recebida em matéria ou se ele apenas concentrava a mesma, os alunos deveriam perceber também que a energia doada ao personagem fluía apenas de organismos vivos. Durante os três primeiros encontros não houve uma discussão profunda sobre a técnica com os alunos e ao fim do terceiro encontro foi aplicado um questionário (Q1). No quarto encontro a estagiária levou alguns episódios do desenho animado para que os alunos assistissem e discutissem o que eles perceberam de comum entre os vídeos e os conceitos estudados. Após aplicou um segundo questionário (Q2). Os questionários foram elaborados de acordo com o trabalho de Goldenberg (1997) a fim de investigar questões ligadas à subjetividade de cada estudante, levando em consideração os sentimentos e crenças individuais.

Resultado e discussão

A análise dos dados foi feita de forma qualitativa, exceto para as questões 3 e 4 do Q2 que possuíam cunho objetivo. Para a questão 1 do Q1, 63% dos respondentes disseram que apenas a matéria viva tem energia, destes 47% justificaram sua resposta de forma satisfatória, os demais não justificaram ou não satisfizeram à questão. Para a Questão 2 do Q1, 51% dos alunos relacionaram os temas de forma satisfatória utilizando-se de exemplos que iam além daqueles que foram explanados em sala de aula; 38% fizeram uso dos mesmos exemplos utilizados em sala de aula e 11% não conseguiram responder a questão satisfatoriamente. Esses dados demonstram que o assunto foi bem compreendido pela maioria dos alunos, o que valida o uso de analogias como ferramenta facilitadora no processo de ensino-aprendizagem, no entanto uma quantidade significativa dos estudantes ainda demonstraram dificuldades em propor exemplos e apenas repetiram aqueles que haviam sido usados pela professora. Para a Questão 1 do Q2, 88% dos alunos responderam negativamente, destes 74% justificaram utilizando-se de cenas do desenhos, aonde era possível observar que o personagem não transformava energia em matéria; os demais não justificaram. Para a questão 2 do Q2: 97% dos respondentes associaram esta questão com o conceito de trabalho, os demais não responderam à questão. A partir destes dados é possível verificar que a maioria dos alunos pôde relacionar o tema estudado à analogia proposta. As questões 3 e 4 do Q2 eram de cunho objetivo e tratavam respectivamente do uso de analogias em sala de aula e da compreensão dos respondentes quanto ao assunto estudado, 77% da turma avaliou a metodologia como excelente e 75% julgaram ter compreendido melhor o conteúdo a partir da analogia.

Figura 1

Questionário 1

Figura 2

Questionário 2

Conclusões

A análise dos dados obtidos nos mostram que o uso de analogias é um importante instrumento de ensino, pois estimula a curiosidade e atenção dos educandos. A utilização do desenho animado Dragon Ball Z enquanto metodologia facilitadora do processo de ensino-aprendizagem mostrou-se satisfatória, porém é necessário atentar-se para que os alunos proponham a relação entre o conteúdo estudado e o desenho, para que não seja apenas uma repetição de conceitos por parte dos educadores.

Agradecimentos

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio: Bases Legais. Brasília, Brasil, 2000.

FREITAS, L. P. S. R. O Uso de Analogias no Ensino de Química: Uma Analise das concepções de Licenciados do Curso de Química UFRPE. In: Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós Graduação em Ensino de Ciências – PPGEC da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. Recife, 2011.

GOLDENBERG, M. A Arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências. 3º Ed. Rio de Janeiro: Record, 1997.

MACENO, N. G.; GUIMARÃES, O. M.; A inovação na área de Educação Química. Química Nova na Escola 35 p 48 2013

VYGOTSKY, L. Psicologia Pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

Patrocinadores

CAPES CNPQ FAPESPA

Apoio

IF PARÁ UFPA UEPA CRQ 6ª Região INSTITUTO EVANDRO CHAGAS SEBRAE PARÁ MUSEU PARAENSE EMILIO GOELDI

Realização

ABQ ABQ Pará