Atividade antimicrobiana do óleo essencial de Lippia alba frente a bactérias isoladas de leite in natura comercializado no município de Rosário- MA

ISBN 978-85-85905-19-4

Área

Produtos Naturais

Autores

Castro, A.C. (UFMA) ; Viégas, H.D.C. (UFMA) ; Soares, J.C.B. (UFMA) ; Teles, A.M. (UFMA) ; Lacerda, C.A. (UFMA) ; Nascimento, A.R. (UFMA)

Resumo

A atividade antibacteriana in vitro do óleo essencial extraídos das folhas de erva-cidreira (Lippia alba) foi verificada por meio da técnica de difusão de discos em placas contendo meio de cultura Mueller-Hinton contaminadas com as bactérias Staphylococcus aureus, Eschericha coli, Listeria moncytogenes. Verificou-se que o óleo essencial testado apresentou halos de inibição significativos frente às cepas de S. aureus e L. moncytogenes estudadas, sendo caracterizado como efetivo no controle do desenvolvimento bacteriano destes microrganismos. Através de análise por CG/EM, foi possível caracterizar o quimiotipo da planta estudada como sendo o citral, dada a sua predominância em relação aos demais compostos presentes no óleo essencial.

Palavras chaves

bactericidas; resistência microbiana; patógenos

Introdução

A Lippia alba é uma espécie pertencente à família Verbenaceae, conhecida popularmente como erva-cidreira-brasileira, utilizada na medicina popular como calmante, contra intoxicações e problemas do estômago. Além disso, em algumas regiões do Brasil, a infusão das folhas é usada como calmante, contra hipertensão, náuseas, tosses e gripes, enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. As folhas de L. alba são ricas em óleo essencial, líquido oleoso volátil de aroma forte, cuja composição varia de tal forma, que a nomenclatura dos quimiotipos planta baseia-se nos compostos predominantes, como 1,8-cineol, carvona, limoneno, linalol e citral (DI STAZI; HIRUMA-LIMA, 2002). Em pesquisas de cunho científico as especiarias e plantas medicinais têm mostrado resultados satisfatórios na inibição de microrganismos patogênicos, deteriorantes, e/ou na inibição da produção de toxinas microbianas, uma vez que tais plantas vêm sendo amplamente utilizadas, principalmente em países em desenvolvimento, como uma terapia alternativa para a cura de diversas doenças (SOUZA et al., 2005; GURIB- FAKIM, 2006). Considerando a problemática da resistência microbiana aos medicamentos e conservantes convencionais, esta pesquisa teve como objetivo contribuir com os dados observados sobre a atividade antimicrobiana do óleo essencial de L. alba frente à Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Listeria monocytogenes isolados a partir de leite in natura.

Material e métodos

As folhas de L. alba foram colhidas e submetidas à secagem por exposição ao sol. O material foi encaminhado ao Laboratório de Microbiologia do Programa de Controle de Alimentos e Água - UFMA, onde foram fragmentadas e submetidas ao processo de hidrodestilação utilizando-se um extrator de Clevenger. O óleo obtido foi seco através da adição de Na2SO4 e armazenado sob refrigeração. Para verificação da atividade antimicrobiana do óleo, cepas teste de S. aureus, E. coli e L. monocytogenes, previamente isoladas de leite in natura foram ativadas em caldo BHI e, após o período de incubação, semeadas em placas contendo ágar Mueller-Hinton. À superfície das placas, foram aderidos, com o auxílio de uma pinça, pequenos discos estéreis embebidos com 0,1 mL do óleo extraído. As placas foram incubadas em estufa bacteriológica a 35ºC por 24 horas, procedendo-se com a leitura dos halos de inibição após esse período (BAUER, et al., 1966). Os resultados foram interpretados de acordo com os parâmetros estabelecido por Ponce et al (2003). Com base no diâmetro dos halos de inibição, os autores classificam o microrganismo como não sensível (≤ 8 mm), sensível (9-14 mm), muito sensível (15-19 mm) e extremamente sensível (≥20 mm). A determinação do componente majoritário do óleo foi realizada no Laboratório de Pesquisa em Química Analítica (LPQA – UFMA). O óleo foi solubilizado em hexano e analisado por Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrômetro de Massas - QP2010 SE SHIMADZU, coluna100% dimetilpolisiloxano (30 m X 0,25 mm ID X 0,25 µm).

Resultado e discussão

Os halos obtidos no teste frente ao S. aureus foram de 12,0 mm para todas as cepas testadas, resultados estes considerados bons por Ponce et al. (2003). Assim como neste estudo, Aquino et al. (2010) e Felix et al. (2010) também verificaram que, em relação ao S. aureus, o óleo essencial de L. alba demonstrou atividade antimicrobiana frente a todas as cepas estudadas. No caso da E. coli, não foi observada atividade bactericida do óleo de erva- cidreira utilizado neste estudo no combate a tal microrganismo. Por sua vez, os óleos de L. alba estudados por Aquino et al. (2010) e Félix et al.(2010) apresentaram halos de inibição entre 16,0 e 21,0 mm frente à E. coli. Nota-se que há uma diferença relevante entre os resultados obtidos nesta pesquisa e os encontrados na literatura, no que diz respeito à susceptibilidade deste microrganismo ao óleo das folhas de L. alba, de modo que pode-se associar tais resultados à possível utilização de cepas de diferentes sorogrupos do microrganismo. No teste frente à L. monocytogenes, os halos de inibição observados variaram entre 7,0 e 13,0 mm, no entanto, não foram encontrados trabalhos na literatura atual que tratem do estudo da aplicação da L. alba no combate a tal microrganismo. Através da análise do cromatograma obtido por CG/EM (Figuras 1 e 2), pôde-se constatar a presença do citral como componente majoritário do óleo de L. alba, ao qual é associada atividade biológica do óleo estudado.

Figura 1

Cromatograma obtido por CG/EM para o óleo essencial de Lippia alba.

Figura 2

Espectro de Massa obtido para o pico do componente majoritário do óleo.

Conclusões

O óleo essencial estudado apresentou uma ação bactericida significativa frente aos microrganismos testados, com exceção da E. coli, sobre a qual não se observou efeito inibitório. Esta pesquisa serve como base para o desenvolvimento de estudos toxicológicos adequados a fim de verificar a possibilidade de aplicação do óleo de L. alba no combate a tais microrganismos na indústria de fármacos e conservantes de alimentos, dada a sua aplicação na medicina natural.

Agradecimentos

FAPEMA, UFMA, FSADU.

Referências

AQUINO, L. C. L. et al. Atividade antimicrobiana dos óleos essenciais de erva-cidreira e manjericão frente a bactérias de carnes bovinas Alim. Nutr., Araraquara, v. 21, n. 4, p. 529-535, out./dez. 2010.
BAUER, A.W. et al. Antibiotic susceptibilidad testing by a standardized single disk method. American Journal of Clinical Pathology. Philadelphia, v.45, p.493-496, 1966.
DI STAZI, L.C.; HIRUMA-LIMA, C.A. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica - 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: UNESP, 2002.
FÉLIX, A. et al. Extração e determinação da atividade antimicrobiana do óleo essencial de Lippia alba (mill) n.e. Brown. V Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica – CONNEPI. 2010. Disponível em: <http://connepi.ifal.edu.br/ocs/index.php/connepi/CONNEPI2010/paper/viewFile/1676/546>. Acesso em: 13 de abril de 2014.
GURIB-FAKIM, A. Medicinal plants: traditions of yesterday and drugs of tomorrow. Mol. Aspects Med. v.27, p.1–93, 2006.
PONCE, A. G. et al. Antimicrobial activity of essential oils on native microbial population of organic Swiss chard. Lebensmittel-Wissenschaft und-Technology, 36, 679–684. 2003.
SOUZA, E. L. et al. Orégano (Origanum vulgare L., Lamiaceae): Uma especiaria como potencial fonte de compostos antimicrobianos. Hig. Aliment., v. 19, n.132, p.40-45, 2005.

Patrocinadores

CAPES CNPQ FAPESPA

Apoio

IF PARÁ UFPA UEPA CRQ 6ª Região INSTITUTO EVANDRO CHAGAS SEBRAE PARÁ MUSEU PARAENSE EMILIO GOELDI

Realização

ABQ ABQ Pará