Avaliação da atividade inseticida de extratos orgânicos da Jatropha gossypiifolia (pinhão-roxo) frente ao Sitophilus zeamais.

ISBN 978-85-85905-21-7

Área

FEPROQUIM - Feira de Projetos de Química

Autores

Silva, E.M. (IFAL - PALMEIRA DOS ÍNDIOS) ; Nascimento Júnior, P.A. (IFAL - PALMEIRA DOS ÍNDIOS) ; Lira, C.S. (UFPE) ; Navarro, D.M.A.F. (UFPE) ; Napoleão, T.H. (UFPE) ; Barros, C.J.P. (IFAL - PALMEIRA DOS ÍNDIOS)

Resumo

O presente trabalho objetivou avaliar a atividade inseticida de extratos orgânicos da Jatropha gossypiifolia frente ao Sitophilus zeamais. Os extratos foram obtidos através da técnica de Soxhlet. Para a avaliação da toxicidade por fumigação, soluções de 1.250, 2.500 e 5.000 ppm dos extratos foram testadas. Os resultados obtidos evidenciaram toxicidade por fumigação, principalmente nas frações de diclorometano, onde foi possível observar na concentração de 5.000 ppm uma taxa de mortalidade de 93,3%.

Palavras chaves

Atividade inseticida; Sitophilus zeamais; Jatropha gossypiifolia

Introdução

Os cereais são uma parte essencial do agronegócio brasileiro, destacando-se o milho, que é bastante difundido e cultivado em praticamente todo o território nacional, pois é uma cultura que se adapta a diferentes tipos de ecossistemas (SANTOS, 2006; FIESP, 2016). Uma das principais preocupações na fase de cultivo e armazenamento dos grãos de milho são os insetos-pragas, especialmente os gorgulhos, sendo a espécie S. zeamais a de maior relevância, por apresentar elevado grau de multiplicação, destruírem os grãos armazenados e proporcionarem infestação cruzada, ou seja, infestam a cultura no campo e permanecem profundamente nos grãos causando nele redução de peso e de qualidade física e fisiológica. Além de infestarem outras culturas tais como, trigo, arroz, cevada e aveia (ANTUNES et al., 2010; LORINI et al., 2010). Dentre as diversas plantas que vêm sendo estudadas pelo seu uso na medicina popular, uma das que mais se destaca é a Jatropha Gossypiifolia. Também conhecida como pinhão-roxo, essa planta está presente em diversas regiões brasileiras, apresentando uma elevada resistência a pragas e a estiagem. A sua utilização na medicina popular é ampla, sendo usada como anti- inflamatório, antiofídico e cicatrizante, além de auxiliar no tratamento de doenças como anemia, diabetes e malária. Os extratos de várias partes da J. Gossypiifolia apresentam efeitos biológicos, sendo um dos mais promissores a sua propriedade inseticida. As diversas propriedades apresentadas por esta planta devem-se a presença de compostos químicos como alcaloides, diterpenos, flavonoides e taninos (ALMEIDA, 2014; SANTOS, 2014). O presente trabalho relata a atividade dos extratos orgânicos das folhas da J. gossypiifolia (pinhão-roxo), obtidos pelo método de Soxhlet, frente ao Sitophilus zeamais.

Material e métodos

As folhas da J. gossypiifolia foram coletadas na região de Palmeira dos Índios/AL, secas em temperatura ambiente por cinco dias e, em seguida, colocadas em estufa na temperatura de 45 ºC por 24 horas. Esse material seco foi triturado e colocado em cartuchos para a extração em aparelho de Soxhlet por um período de 6 horas, conforme descrito por RAHUMAN et al (2008), utilizando os seguintes solventes previamente destilados: acetato de etila e diclorometano. A atividade inseticida dos extratos frente ao S. zeamais foi analisada pelo ensaio de toxicidade por fumigação, utilizando o método descrito por CHU et al (2010). Os testes foram feitos em triplicata e a mortalidade avaliada após oito dias. O tratamento controle foi realizado com o solvente utilizado na obtenção dos extratos. Nesse teste, um disco de papel filtro foi disposto no lato interno da tampa de um pote plástico. Em seguida, soluções foram preparadas com os extratos nas concentrações de 1.250, 2.500 e 5.000 ppm, e 20 µL das soluções foram adicionadas ao papel filtro. A tampa foi firmemente colocada no pote, ao qual foram adicionados previamente 20 insetos, para formar uma câmara selada e a mortalidade avaliada após 8 dias. Os cálculos foram feitos levando em consideração a correção de Abbott.

Resultado e discussão

Os rendimentos dos extratos das folhas secas da J. gossypiifolia, obtidos pelo método de Soxhlet com os solventes acetato de etila e diclorometano foram de, respectivamente, 7,01% e 24,75%. SANTOS (2014) obteve resultados semelhantes em relação a rendimento para o extrato do acetato de etila, em relação a outros solventes, onde o rendimento da extração líquido-líquido foi mais baixo para o acetato de etila em relação ao metanol e clorofórmio. Em relação ao teste de fumigação, os extratos testados mostraram-se eficientes, principalmente o extrato de diclorometano, já que o mesmo apresentou uma taxa de mortalidade de 93,3 % para a menor concentração testada (tabela 1). LIRA et al (2015), avaliou a atividade do óleo essencial de Alpínia purpurata frente ao S. zeamais e para o teste de fumigação obteve uma taxa de mortalidade de 45,7 % na concentração de 5.000 ppm. Assim, os extratos de acetato de etila e diclorometano se mostram como alternativas naturais para controle de S. zeamais por apresentarem toxicidade por fumigação.

Tabela 1.

Taxa de mortalidade dos extratos.

Conclusões

Os resultados obtidos indicam que os extratos de acetato de etila e diclorometano do pinhão-roxo podem se tornar uma alternativa mais viável para o controle e combate do gorgulho do milho, já que atualmente o controle dessa praga é feito por meio de inseticidas sintéticos, gerando populações de S. zeamais mais resistentes e produzindo resíduos tóxicos.

Agradecimentos

A UFPE e ao IFAL, pela disponibilização de laboratórios e materiais.

Referências

ALMEIDA, P. M. Potencial genotóxico do extrato foliar e do látex de pinhão-roxo (Jatropha gossypiifolia L.). Tese de Doutorado, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, 2014.
ANTUNES, L. E. G.; DIONELLO, R. G. Bioecologia de Sitophilus zeamais Motschulsky 1885 (Coleoptera:Curculionidae). 2010, Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2010_2/Sitophilus/index.htm>. Acesso em: 25/05/2017.
CHU, S. S.; LIU, Q. R.; LIU, Z. L. Insecticidal activity and chemical composition of the essential oil of Artemisia vestita from China against Sitophilus zeamais. Biochemical Systematics and Ecology, nº 38(4), 489-492, 2010.
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LIRA, C. S.; PONTUAL, E. V.; ALBUQUERQUE, L. P.; PAIVA, L. M.; PAIVA, P. M. G.; OLIVEIRA, J. V.; NAPOLEÃO, T. H. Evaluation of the toxicity of essential oil from Alpinia purpurata inflorescences to Sitophilus zeamais (maize weevil). Crop Protection, nº 71, 95-100, 2015.
LORINI, I.; KYZYZANOWSKI, F. C.; FRANÇA-NETO, J. B.; HENNING, A. A.; HENNING, F. A.; Manejo Integrado de Pragas de Grãos e Sementes Armazenadas. EMBRAPA: Brasília, DF, 2015.
RAHUMAN, A. A.; GOPALAKRISHNAN, G.; VENKATESAN, P.; GEETHA, K. Larvicidal activity of some Euphorbiaceae plant extracts against Aedes aegypti and Culex quinquefasciatus (Diptera: Culicidae). Parasitology Research, nº 102(5), 981-988, 2008.
SANTOS, J. P. Controle de Pragas Durante o Armazenamento de Milho. EMBRAPA: Sete Lagoas, MG, 2006.
SANTOS, M. P. Extração e caracterização de extratos da Jatropha gossypiifolia L. Avaliação da sua atividade antimicrobiana e antioxidante. Dissertação de Mestrado, Instituto de Engenharia de Lisboa, Portugal, 2014.

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