PADRONIZAÇÃO DE MÉTODOS PARA FABRICAÇÃO DE SABÃO PROVENIENTE DE ÓLEO RESIDUAL DE FRITURA

ISBN 978-85-85905-21-7

Área

Ambiental

Autores

Liborio, T.L. (UFOPA) ; Silva, G.G. (UFOPA) ; Souza, L.M. (UFOPA) ; Batista, D.A.J. (UFOPA) ; Santos, F.A. (UFOPA) ; Santos Filho, M.B. (UFOPA) ; Miranda, I.S. (UFOPA) ; Soares, A.M.S. (UFOPA) ; Souza, A.P. (UFOPA)

Resumo

Uma das maiores preocupações de nossa atualidade são o lixo e a poluição que ele causa no meio ambiente. Diariamente, grandes quantidades de resíduos de óleo de cozinha vem sendo descartado inadequadamente no meio ambiente, provocando diversos danos. Dentre as alternativas existentes para a reutilização do mesmo, destaca-se a produção de sabão em barra, por este ser de fácil produção e baixo custo. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo padronizar um método de produção do sabão de óleo de fritura, através de análise físico-química, para obter um sabão de qualidade e com rendimento. Este processo permite a reutilização desse material, oferecendo uma alternativa para o problema, sendo vantajoso para quem reutiliza, para a sociedade e para o meio ambiente.

Palavras chaves

MEIO AMBIENTE; ÓLEO RESIDUAL; SABÃO EM BARRA

Introdução

Uma das maiores preocupações de nossa atualidade são o lixo e a poluição que ele causa no meio ambiente. Tentando minimizar o impacto causado pela ação de materiais poluente, têm-se proposto e aplicado várias alternativas. A reutilização é uma forma muito atrativa de gerenciamento desses resíduos, pois transforma o lixo em insumos, com diversas vantagens ambientais, contribuindo para economia dos recursos naturais e gerando emprego e renda (SOUZA, 2008). O óleo de fritura caso atinja corpos d’água é degradado pelos microrganismos presentes, em especial as bactérias, que neste processo consomem o oxigênio dissolvido presente. A escassez do oxigênio provoca a morte da fauna aquática como peixes, crustáceos e moluscos que precisam respirar (SABESP, 2010). Dentre as alternativas existentes para reutilização do óleo de cozinha usado, destaca-se a produção de sabão em barra. O sabão é um produto tenso ativo usado em conjunto com água para lavar e limpar, do ponto de vista químico, o sabão é um sal de ácido graxo. Tradicionalmente, o sabão é produzido por uma reação entre gordura e hidróxido de sódio ou potássio, carbonato de sódio, e todos os álcalis, historicamente lixiviados das cinzas de madeiras de lei. A reação química que produz o sabão é conhecida como saponificação, a gordura e as bases são hidrolisadas em água; os gliceróis livres ligam-se com grupos livres de hidroxila para formar glicerina, e as moléculas livres de sódio ligam-se com ácidos graxos para formar o sabão (ANVISA, 2008). O sabão limpa porque suas moléculas não polares e polares ligam-se à gordura e tornam mais fácil de ser enxaguada em água, permite que a água remova matéria por meio da emulsificação (SILVA et al., 2009).

Material e métodos

O óleo foi colocado em um recipiente deixando em repouso por 24 horas para decantação, em seguida foi filtrado e lavado com água, para se retirar excesso de sais. Em um Becker foi adicionado óleo e gordura, aquecida em banho-maria e agitada até se misturar. Com a mistura fria foi adicionado à lixívia (solução de NaOH 30%) e álcool etílico. Logo após, foi levada para aquecimento em banho-maria em temperatura de 100ºC, sob constante agitação por 20 minutos, e após este procedimento o material obtido foi deixado em um recipiente repousando por 48 horas. Para obtenção do índice de saponificação (IS) foi preparado 80 mL de solução padrão de NaOH 0,5N, sobre o qual foi adicionado duas gotas do indicador fenolftaleína e que, foi titulado com solução de HCl 0,5N. Em seguida, em outro recipiente, pesou-se 15,2 g de óleo de fritura, onde foi adicionado 15 mL de água destilada, 10 mL de álcool 96º, 23,2 g de NaOH comercial e 1 mL de fenolftaleína. Posteriormente a mistura foi titulado com solução HCl 0,5N até que toda a coloração rosa da mistura despareça. Os valores gastos do volume de ácido foram anotados e substituídos na fórmula: (IS)=(P-A).28,05/p Onde, P é o volume (mL) da solução de HCl, A é o volume (mL) da solução de HCl e p é o peso da amostra em gramas. Foi medido o pH com auxílio de um pH-metro da marca Quimis modelo pH-500, o ensaio organolépticos se deu por meio da análise macroscópica da amostra, em seguida foi analisado o poder espumante ao agitar água e sabão; e por fim a determinação de material volátil pesando a amostra em balança semi-analítica e posteriormente foi levada a estufa com 70°C, após 10 minutos foi realizado novamente o processo de pesagem até se mostrar constante.

Resultado e discussão

Nos métodos analíticos, obtivemos os seguintes resultados: O IS do óleo proveniente de fritura é 155,375 mg KOH g-1. Estes valores poderem variar em cada caso, considerando tempo e temperatura de fritura do óleo, foi estabelecido para saponificar 150 g de óleo de fritura, seriam necessários 24 g de NaOH comercial, misturados a 80 mL de água e 10 mL de álcool. Para determinação de pH obtivemos o valor de 10,7. Já nas características organolépticas, o sabão apresentou odor característico e cor padrão, sem turvação e precipitação. De acordo com os valores de pH, o sabão se apresentou bastante alcalino, sendo orientado que seja utilizado apenas para fins de limpeza de materiais.

Conclusões

Portanto, o método é eficiente pois alcançou um pH que não causa danos saúde de quem utiliza, e um índice de saponificação ideal, sendo de qualidade, econômico e realizado em um curto tempo.

Agradecimentos

A UFOPA, ICTA e GEPEEA.

Referências

BALDAÇO, E. ; PARADELA, A. L. ; HUSSAR, G. J. Reaproveitamento do óleo de fritura na fabricação de sabão. Engenharia Ambiental, v. 7, n. 1, p. 216-228, 2010.
BRASIL. AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Guia de controle de qualidade de produtos cosméticos / Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. 2ª edição, revista –Brasília: Anvisa, 2008. 120 p.ISBN 978-85-88233-34-8.
SABESP – Programa de Reciclagem de Óleo de Fritura (PROL), 2010. <http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/programa_reciclagem_oleo_completo.pdf>
SILVA, J. P. (UFPA); RIBEIRO, L. S. (UFPA); SILVA, D. A. L. (UFPA); BARROS, H. C. (UFPA); MELO, R. P. (CEFET – PA). Fabricação de sabão com óleos usados em fritura. Congresso Brasileiro de Química (CBQ), 2009.
SOUZA, L. D. (UERN). Sabão neutro produzido a partir de óleo de cozinha usado. 48º Congresso Brasileiro de Química (CBQ), 2008.

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