Dia verde – Repensando práticas de laboratório no Ensino de Química de forma sustentável.

ISBN 978-85-85905-21-7

Área

Química Verde

Autores

Gomes, S. (IFRJ) ; Gomes, T. (IFRJ) ; Silva, B. (IFRJ) ; Silva, G. (IFRJ) ; Amorim, C. (IFRJ) ; Aversa, T. (IFRJ) ; Almeida, Q. (IFRJ)

Resumo

A preservação ambiental vem se tornando uma pauta cada vez mais comentada por conta da degradação que o planeta vem sofrendo. Muitos pesquisadores começaram a desenvolver estudos com o intuito de tornar a química menos prejudicial. Uma rota que começou a ser muito acessada foi a Química Verde, área que foca em reduzir o uso de reagentes tóxicos e em eliminar a geração de produtos prejudiciais. Deve-se introduzir os conceitos dessa filosofia nos cursos na área de química, pois a preservação ambiental é uma responsabilidade de todos e não somente do governo. O objetivo deste trabalho é a inserção dos conceitos da química verde no ensino através de um evento onde os alunos tem a oportunidade de aproximar-se mais desta vertente da química tão pouco abordada nas salas de aula.

Palavras chaves

Química Verde; Evento; Ensino de Química

Introdução

Na presente situação de degradação que o planeta se encontra, a preservação do meio ambiente vem se tornando uma pauta cada vez mais comentada (ANASTAS, WILLIAMSON, 1996).Pesquisadores começaram então a desenvolver estudos a fim de fazer com que a química se tornasse menos nociva ao meio ambiente e aos seres vivos, através de rotas inovadoras com claras vantagens sobre as metodologias tradicionais e com os mesmos níveis de eficácia, gerando menos resíduo químico para posterior tratamento (HUTCHINGS, 2007). Uma rota que começou a ser muito acessada foi a Química Verde, que surgiu nos anos 90 e faz uso de metodologias e práticas que focam na redução do uso de reagentes tóxicos, em eliminar a geração de produtos ou subprodutos e resíduos prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. (LENARDÃO et al, 2003). A responsabilidade pela preservação ambiental não é só do governo, é de todos. Nos cursos da área de química, práticas são realizadas todos os dias, muitas com reagentes tóxicos ou originam resíduos prejudiciais, então deve- se introduzir os conceitos de uma química mais limpa, principalmente nos cursos de licenciatura, pois os futuros professores atuarão na formação de outros cidadãos, disseminando esta filosofia. Mesmo com o crescente números de trabalhos científicos acerca da Química Verde, esta ainda é pouco contemplada nas salas de aula e escassas são as pesquisas na área de ensino de química sobre a inclusão da Química Verde no ensino (CUNHA, SANTANA, 2012). Este trabalho tem como objetivo inserir os conceitos da química verde no ensino através de um evento onde os alunos tem a oportunidade de conhecer mais a respeito desta vertente da química tão pouco abordada nas salas de aula através da visualização de experimentos com os tópicos da química verde inseridos.

Material e métodos

O evento “Dia verde – Repensando práticas de laboratório no Ensino de Química de forma sustentável” foi realizado dentro do laboratório de química orgânica do IFRJ – Campus Duque de Caxias, com o intuito de analisar a percepção dos alunos do curso técnico e de graduação perante a introdução dos conceitos da Química Verde nas aulas práticas. Os mais de 100 visitantes puderam conhecer a química verde, através de um banner exposto que continha seus 12 tópicos. Além disso havia outro banner explicando as 4 práticas que estavam sendo realizadas, que foram a síntese do bioplástico e da dibenzalacetona, cromatografia em coluna de açúcar e esterificação no ultra som. Os visitantes puderam presenciar essas 4 práticas sendo feitas, com explicações claras acerca do procedimento realizado e com bastante enfoque nos conceitos de Química Verde envolvidos. Os visitantes receberam um questionário com 7 perguntas para que fosse avaliado o que haviam absorvido e a real eficácia da introdução dos tópicos da Química Verde no ensino, mais especificamente nas aulas práticas de Química Orgânica. Através da metodologia realizada foi possível a realização de práticas visando o menor consumo de reagentes, realização de procedimentos que originem uma menor quantidade de produtos potencialmente tóxicos aos alunos e ao meio ambiente, tópico muito importante, pois uma vez que muito se fala dos resíduos originados pelas indústrias e não se leva em consideração os resíduos gerados pelas instituições de ensino espalhadas pelo Brasil, os quais muitas vezes são descartados de forma inadequada no ambiente.

Resultado e discussão

Os visitantes, depois da explicação sobre química verde, de tiraram dúvidas sobre esta filosofia e de presenciarem as práticas sendo realizadas com os conceitos da química verde que tinham acabado de aprender inseridos, receberam um questionário com 7 perguntas e 94 pessoas concordaram em respondê-lo. Através deste questionário, que encontra-se abaixo na figura 1, pode-se coletar dados sobre a percepção dos alunos frente às novas metodologias utilizadas. As respostas obtidas com o questionários estão descritas na tabela 1. Com a análise das respostas, percebe-se que quase em sua totalidade os alunos perceberam a importância da introdução dos conceitos da Química Verde tanto nas aulas práticas de química orgânica quanto no âmbito educacional por completo. Alguns alunos, no dia seguinte ao evento, falaram com seus professores para que as práticas realizadas no Dia Verde começassem a ser feitas em suas aulas, ao invés das já existentes na apostila, que são mais nocivas, o que nos comprova que a conscientização ambiental foi eficaz. Muitos alunos, mesmo com o evento, ainda confundem Química Verde com Química Ambiental, o que só demonstra a fragilidade na abordagem dessas vertentes, fazendo com que seja necessária uma maior atenção ao tema e a realização de mais projetos como este. Os alunos de licenciatura atuarão na formação de estudantes, então faz-se necessário abordar a Química Verde durante o curso, para que esta metodologia seja cada vez mais disseminada. O que não significa que o assunto não precisa ser abordado no curso técnico e com professores já formados. Para todos, há uma carência visível em conhecimento dessas metodologias, que além de preservar o meio ambiente e a saúde humana, afasta a química do estigma de estar sempre relacionada à poluição.


Figura 1 - Questionário aplicado no evento.


Tabela 1 - Porcentagens das respostas dadas às perguntas do questionário aplicado no evento.

Conclusões

Através do evento realizado, mostrou-se que é possível a realização de práticas visando o menor consumo de reagentes, realização de procedimentos que originem uma menor quantidade de produtos potencialmente tóxicos aos alunos e ao meio ambiente. A introdução da Química Verde no ensino desperta um pensamento crítico, em alunos e professores, no que diz respeito ao impacto que a química pode causar ao meio ambiente e à saúde humana.

Agradecimentos

CNPq, IFRJ campus Duque de Caxias.

Referências

ANASTAS, P. T.; WILLIAMSON, T. C. Green Chemistry: An Overview. Chapter 1, American Chemical Society, 1996.

CUNHA, S.; SANTANA, L. L. B. Condensação de Knoevenagel de aldeídos aromáticos com o ácido de Meldrum em água: uma aula experimental de Química Orgânica Verde. Química Nova, 2012.

HUTCHINGS, G. J. A golden future for green chemistry. Catalysis Today, 122, 196–200, 2007.

LENARDÃO, E. J. et al. “Green Chemistry” – Os 12 Princípios da Química verde e a sua inserção nas atividades de ensino e pesquisa. Revista Química Nova, Vol. 26, No. 1,p.123-129, 2003.

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