ESTUDO DA CORRELAÇÃO MERCÚRIO E SELÊNIO EM AMOSTRAS DE TECIDO CAPILAR EM UMA COMUNIDADE RIBEIRINHA DA BACIA DO TAPAJÓS/PA.

ISBN 978-85-85905-23-1

Área

Química Analítica

Autores

Faial, K.R.F.F. (IEC) ; da Silva, M.M.C. (IEC) ; Faial, C.R.F.F. (UFPA) ; Faial, K.C.F.F. (IEC) ; Medeiros, A.C. (IEC) ; Faial, I.L. (CESUPA) ; Costa, J.P. (IEC) ; Jesus, I.M. (IEC) ; Deus, R.J.A. (UFPA)

Resumo

O mercúrio (Hg) é um metal pesado de aspecto argênteo, inodoro, cujo símbolo Hg deriva do latim hydrargyrum que, normalmente, é encontrado em dois estados de oxidação e tóxico ao ser humano quando ingerido ou inalado. Em relação ao Selênio (Se) o mesmo é tido como principal elemento inibidor da ação tóxica de metais pesados. Foram coletadas 141 amostras de cabelo dos indivíduos, sendo 83 pertencentes ao sexo feminino e 58 do sexo masculino. As determinações de HgT foram realizadas por HG-AAS e as de Se foram por GF- AAS. A média de HgT encontrada foi de 13,99 mg/g e a de Se foi de 3,62 mg/g. Os resultados obtidos neste estudo, apesar de não serem conclusivos, indicam que a população pesquisada da comunidade Barreiras/PA, encontra-se seriamente exposta a elevadas concentrações de HgT.

Palavras chaves

Mercúrio; Selênio; Cabelo

Introdução

O mercúrio (Hg) é um metal pesado de aspecto argênteo, inodoro, cujo símbolo Hg deriva do latim hydrargyrum que, normalmente, é encontrado em dois estados de oxidação e tóxico ao ser humano quando ingerido ou inalado. Pertence à família química dos metais do grupo II B, da tabela periódica. Os dados disponíveis sobre os níveis de Hg em populações potencialmente expostas aos riscos de intoxicação em áreas impactadas pela garimpagem, através da ingestão de peixes ainda não são suficientes para traçar um perfil do comportamento desse agente nas comunidades envolvidas, sobretudo ribeirinhas. O selênio (Se) é um micronutriente essencial que foi descoberto por Jöns Jakob Berzelius (BERZELIUS, 1818) e está localizado no grupo VI da tabela periódica. Ao combinar-se aos metais, o selênio pode formar compostos de selênios inertes e inofensivos. O efeito protetor do selênio tem sido associado a uma maior retenção de Hg ao invés de maior excreção. Acredita-se que ele aja beneficamente no organismo através do favorecimento de uma redistribuição corporal, na competição com o Hg pelos sítios de ligação associados pela toxicidade e através da prevenção de danos oxidativos pela ação da enzima glutationa peroxidase, entre outros. O Principal objetivo desse estudo é avaliar as concentrações de Hg e Se em amostras de cabelo em indivíduos residentes em uma comunidade ribeirinha da bacia do tapajós e correlacionar os valores obtidos avaliando a possibilidade do Se atuar como inibidor da exposição mercurial.

Material e métodos

Foram coletadas 141 amostras de tecido capilar dos indivíduos, sendo 83 pertencentes ao sexo feminino e 58 do sexo masculino. As amostras foram coletadas próximo a inserção do couro cabeludo, com tesoura de aço inoxidável em torno de 0,1 a 1,0 g. Após a coleta as amostras foram acondicionadas em envelope de papel devidamente identificado e mantido à temperatura ambiente onde foram encaminhados ao laboratório para os procedimentos analíticos. As determinações de mercúrio total foram realizadas por Espectrometria de Absorção Atômica com sistema para geração de vapor frio de mercúrio marca Sanso seisakusho, modelo mercury analyzer Hg 201. As análises de Se foram realizadas no espectrômetro de absorção atômica acoplado com forno de grafite (GF-AAS), marca Varian, modelo AA 220Z, equipado com corretor de Zeeman e lâmpada de cátodo ôco monoelementar de Se.

Resultado e discussão

A média de concentração de HgT encontrada foi de 13,99 mg/g. A menor foi de 1,8 mg/g e a mais alta de 38,01 mg/g. Nos indivíduos do sexo masculino houve uma variação de 2,07 mg/g a 37,99 mg/g, com média de 14,91 mg/g, enquanto que no sexo feminino a variação foi de 1,80 mg/g a 38,01 mg/g com média de 13,35 mg/g. Em relação aos indivíduos do sexo feminino 37 (44,58%) representavam mulheres em idade fértil (15-40 anos), destas 32 (84,49%) estavam com a concentração de Hg total acima do limite de tolerância biológica proposto pela OMS que é de 6,00 mg/g. A concentração média de HgT obtido neste estudo, ultrapassa os teores referidos na legislação. A média de Se nas amostras de cabelo encontrada foi de 3,62 mg/g. A menor concentração foi de 0,98 mg/g e a mais alta de 5,14 mg/g. Nos indivíduos do sexo masculino houve uma variação de 0,98 mg/g a 4,91 mg/g, com média de 3,64 mg/g, enquanto que no sexo feminino a variação foi de 1,26 mg/g a 5,14 mg/g com média de 3,60 mg/g. Em relação aos indivíduos do sexo feminino 37(44,58%) representavam mulheres em idade fértil (15-40 anos), destas 35 (94,6%) estavam com a concentração de Se total acima do limite de tolerância biológica proposto pela OMS. Os limites preconizados pela Organização Mundial de Saúde – OMS de selênio total em amostras de cabelo é de 2 ug/g. Quando o estudo relacionou a razão molar Hg/Se e concentração de Hg, foram observadas uma forte correlação positiva entre os elementos, sendo os valores da razão molar encontrados ficaram próximos a 1. Quando os valores da razão molar próximas a 1 pode estar relacionado com a formação de um complexo Se-Hg capaz de diminuir a disponibilidade de Hg no organismo. Isso pode significar a formação do complexo Se-Hg, capaz de neutralizar os efeitos tóxicos do Hg.

Tabela 01 - Resultados de HgT e SeT em amostras de cabelo

Tabela 01- Resultados de HgT, CH3Hg e SeT nas amostras de cabelo e a relação Hg:Se e Se:Hg em amostras de cabelo de indivíduos da comunidade Barreiras

Relação Hg/Se e milimol de Hg

Relação molar Hg/Se em cabelo de indivíduos residentes na comunidade Barreiras/PA

Conclusões

Em relação ao Hg os resultados obtidos neste estudo, apesar de não serem conclusivos, indicam que a população pesquisada da comunidade Barreiras/PA, encontra-se seriamente exposta a elevadas concentrações de mercúrio Total. Os valores deste estudo estão de acordo com a pesquisa realizada por LEMIRE et al., (2010), os resultados obtidos apresentaram uma relação positiva e significativa entre S-Se e S-Hg, indicando que nas comunidades estudadas por LEMIRE et al, (2010) com alta exposição ao Hg, o Se apresentou um papel importante como protetor aos efeitos tóxicos do Hg.

Agradecimentos

Ao Instituto Evandro Chagas/Ministério da Saúde/Serviço de vigilância em Saúde

Referências

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