Fracionamento cromatográfico de Plectranthus ornatus e comparação dos chás de espécies do gênero

ISBN 978-85-85905-23-1

Área

Produtos Naturais

Autores

Matos, T.S. (UFC) ; ávila, F.N. (UFC) ; Pinto, F.C.L. (UFC) ; Pessoa, O.D.L. (UFC)

Resumo

O presente trabalho descreve um estudo comparativo dos chás das partes aéreas de 4 espécies de Plectranthus (P. ornatus, P. barbatus, P. amboinious e P. grandis) cultivadas no Horto de Plantas Medicinais Professor Abreu Matos, UFC. Os extratos aquosos liofilizados das espécies acima mencionados foram submetidos a extração a frio com MeOH, seguido por análise em Cromatografia Liquida de Alta Eficiência (CLAE). O extrato de P. ornatus foi fracionado culminando no isolamento e caracterização estrutural do composto identificado como sendo o ácido rosmarínico (AR), bem como de outros metabólitos secundários. A análise comparativa por CLAE tendo como base o tempo de retenção e dados de UV dos extratos das 4 espécies mostrou que para todas as espécies o AR é o composto principal.

Palavras chaves

Plectranthus ; Plectranthus ornatus; ácido rosmarínico

Introdução

Estudos etnobotânicos relatam que mais de 85% do uso de plantas do gênero Plectranthus (Lamiaceae) tem finalidades medicinais (LUKHOBA et al., 2006). Análises fitoquímicas dos extratos de espécies de Plectranthus apontam os diterpenos (abietanos, labdanos e cauranos) como principal classe de metabólitos secundários. Relatos sobre a composição química dos chás de P. barbatus e P. amboinicus mostrou a presença de compostos fenólicos, flavanóides glicosilados e diterpenos (PORFÍRIO, et al. 2010; PETER et al., 2015). No Brasil, P. barbatus é uma das espécies mais estudadas e suas propriedades para o tratamento de problemas gastrointestinais foi comprovado cientificamente (SCHULTZ et al., 2007). Outra espécie amplamente utilizada na forma de chá para o tratamento de cólicas e dores em geral, em substituição a P. barbatus, é P. ornatus (MATOS, 2007). Popularmente conhecida como “boldo-gambá” ou “boldinho”, esta espécie foi a única do gênero a produzir diterpenos do tipo clerodano (ÁVILA et al., 2017). Embora muito difundida na medicina popular, poucos estudos têm sido realizados com intuito de comprovar as propriedades medicinais de P. ornatus, nos motivando a continuar a investigar esta espécie. Desta forma resolveu-se estudar a composição química dos chás de P. ornatus bem como de outras três espécies (P. barbatus, P. amboinius e P. grandis) cultivadas no Horto de Plantas Medicinais Professor Abreu Matos, UFC. Neste trabalho é relatado, pela primeira vez, o estudo dos chás (decocto) de P. ornatus e P. grandis visando contribuir com o conhecimento químico e farmacológico destas espécies.

Material e métodos

As partes aéreas das espécies P. ornatus, P. barbatus, P. amboinious e P. grandis, foram coletadas, lavadas, imersas em água destilada e aquecidas por 15 minutos à 90ºC. O chá proveniente de cada espécie foi liofilizado, extraído com MeOH e, posteriormente analisado por CLAE com a finalidade de conhecer seus perfis cromatográficos. Para isto foi utilizado coluna analítica de fase reversa tendo como eluente um gradiente constituído de H2O (0,1% TFA)/ MeOH) em uma corrida de 30 min (Figs. 1 e 2). O extrato de P. ornatus foi inicialmente fracionado em SPE com H2O/MeOH em diferentes proporções (20%, 40%, 60%, 80% e 100%). A fração H2O/MeOH 40% foi fracionada sobre Sephadex LH-20 e eluída com MeOH resultando no isolamento do composto 1. A fração H2O/MeOH 60% foi submetida a fracionamento em Sephadex LH-20 e CLAE culminando no isolamento dos metabólitos 2-4 cujos rendimentos estão sendo apresentados na Fig. 3. Estes compostos quando analisados por CCD mostraram pureza satisfatória e foram enviados para obtenção de seus espectros e posterior caracterização estrutural.

Resultado e discussão

O fracionamento cromatográfico do chá de P. ornatus resultou no isolamento do composto majoritário, o ácido rosmarínico (1) e de 3 compostos minoritários: 3-O-[β-D-Xilopiranosil-(1-6)-β-D-glucopiranosil](3R)-1-octen-3-ol (2), ácido β-D-glucopiranosidurónico,5-hidroxi-3-metoxi-2-(4-metoxifenil)-4-oxo-4H- 1benzopirano-7-il (3) e ácido β-D-glucopiranosidurônico,4-(5-hidroxi-7-metoxi- 4-oxo-4H-1-benzopiran-2-il)fenil (4) (Fig. 4). As estruturas dos compostos isolados foram caracterizadas por RMN 1D e 2D. Os chás foram analisados por CLAE (Fig. 4) e o resultado mostrou que o ácido rosmarínico é o composto majoritário nos chás das 4 espécies de Plectranthus. A comparação foi realizada através da análise do tempo de retenção e do perfil de ultravioleta do AR. Esse mesmo resultado também foi verificado por Brito e colaboradores (2018) utilizando P. barbatus e outras 8 espécies de Plectranthus. O AR é um composto de grande interesse farmacológico por apresentar diversas atividades como: anti-inflamatória, antioxidante, antitumor, antimicrobiana e antiviral (KIM et al., 2015).

Figura 1: Esquema de isolamento dos metabólitos secundários.

Sequência de procedimentos realizados desde a coleta do material botânico até o isolamento e caracterização dos compostos isolados.

Figura 2: Cromatrogramas obtidos por CLAE [Coluna analítica C-18, grad

Comparação dos perfis cromatográficos do ácido rosmarínico com os chás das espécies de Plectranthus.

Conclusões

A investigação química do chá de P. ornatus resultou no isolamento do ácido rosmarínico como composto majoritário, corroborando com estudos prévios realizados com os chás de P. barbatus e P. amboinius. Também foram isolados três compostos glicosilados sendo dois flavonoides e um álcool. Este último obtido em quantidade significativa em relação aos flavonoides. O ácido rosmarínico já é bastante conhecido por suas diversas atividades farmacológicas, entretanto os componentes minoritários precisam ser perante as atividades relacionadas aos chás das espécies.

Agradecimentos

CENAUREMN e EMBRAPA pela obtenção dos espectros de RMN e EM. Aos órgãos de fomento CNPq, CAPES e FUNCAP pelas bolsas e suporte financeiro.

Referências

ÁVILA, F. N., PINTO, F. C. L., SOUSA, S. T., TORRES, M. C. M., COSTA-LOTUFO, L. V., ROCHA, D. D., VASCONCELOS, M. A., CARDOSO-SÁ, N., TEIXEIRA, E. H., ALBUQUERQUE, M. R. J. R., SILVEIRA, E. R., PESSOA, O. D. L. Miscellaneous diterpenes from the aerial parts of Plectranthus ornatus Codd. Journal of the Brazilian Chemical Society, v. 28, n. 6, p. 1014–1022, 2017.
BRITO, E., GOMES, E., FALÉ, P. L., BORGES, C., PACHECO, R., TEIXEIRA, V., MACHUQUEIRO, M., ASCENSÃO, L., SERRALHEIRO, M. L. M. Bioactivities of decoctions from Plectranthus species related to their traditional use on the treatment of digestive problems and alcohol intoxication. Journal of Ethnopharmacology, v. 220, p. 147–154, 2018.
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MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais – Guia de Seleção e Emprego de Plantas Usadas em Fitoterapia no Nordeste do Brasil. 3ed. Fortaleza: Ed da UFC, 2007. 394 p.
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SCHULTZ, C., BOSSOLANI, M. P., TORRES, L. M. B., LIMA-LANDMAN, M. T. R., LAPA, A. J., SOUCCAR, C. Inhibition of the gastric H+,K+-ATPase by plectrinone A, a diterpenoid isolated from Plectranthus barbatus Andrews. Journal of Ethnopharmacology, v. 111, n. 1, p. 1–7, 2007.

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