BIOFÁRMACO OBTIDO ATRAVÉS DO EXTRATO DO FRUTO DA ESPÉCIE Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl. (Batiputá)

ISBN 978-85-85905-23-1

Área

Produtos Naturais

Autores

Silva, A.M. (UECE) ; Souza, M.J. (UECE)

Resumo

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de um extrato com consistência pastosa, obtido dos frutos da espécie Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl., conhecida popularmente nas regiões do Ceará por batiputá. Os frutos desta espécie que foram usados para a produção da pasta foram coletados nos tabuleiros litorâneos que compreendem o município de Beberibe-CE. O extrato- pasta foi analisado quimicamente e biologicamente, através de uma prospecção fitoquímica e consequentemente a verificação do potencial farmacológico, através de vários experimentos realizados. Os problemas submetidos à ação do produto, como queimaduras, micoses, gastrites e ferimentos cutâneos, passaram por um rigor científico e metodológico. As análises de prospecção fitoquímica foram realizados com sucesso.

Palavras chaves

Batiputá; Plantas Medicinais; Ouratea fieldingiana

Introdução

O estudo com plantas tem sido aplicado há séculos empiricamente. Os antigos egípcios que se desenvolveram na arte de embalsamar os cadáveres para guardá- los da deterioração, experimentaram muitas plantas, cujo poder curativo descobriram ou confirmaram. A utilização das plantas como fonte de produtos para o tratamento das enfermidades que acometem a espécie humana, remonta à idade antiga. Registros médicos comprovam que os chineses já utilizavam as plantas medicinais desde 3700 a. C. (CARBONARI, 2006, apud OLIVEIRA, 2010, p. 9). O Brasil possui uma farmacopeia popular muito diversa, baseada em plantas medicinais, fruto da miscigenação (MARTINS, CASTRO e CASTELLANI, 2003; MARTIUS 1979). Essa farmacopeia também se deve a riqueza vegetal que o Brasil é possuidor. São aproximadamente 55mil espécies de plantas. Isto faz este país ser detentor de um potencial para a produção de medicamentos fitoterápicos. Com a finalidade de resgatar a cultura popular (etnobotânico) e valorizar a grande riqueza do Bioma dos Tabuleiros Litorâneos, objetivou-se neste trabalho verificar o potencial químico e farmacológico de uma espécie de Ochnaceae pertencente ao gênero Ouratea. Trata-se da espécie Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl, conhecida popularmente, na região Nordeste do Brasil, por Batiputá (JOLY, 1988). Seguindo-se a indicação popular de uso da espécie O. parviflora (Gardner) Engl, analisou-se neste trabalho, as correlações entre os relatos etnobotânicos das atividades farmacológicas desta espécie, tendo como objeto de estudo a si comparar, um extrato bruto (pasta) obtido com a trituração e posterior cozimento do fruto da referida planta. Em alguns casos o extrato foi usado externamente, em outros, endogenamente em pessoas que se predispuseram.

Material e métodos

A espécie testemunho, isto é, a que originou esta pesquisa, foi encontrada na cidade de Beberibe-CE, e sua exsicata foi identificada pelo professor- pesquisador, Luiz Wilson Lima-Verde, no dia 24/11/2015, sob o número 58887. A mesma se encontra no Herbário Prisco Viana (EAC) da Universidade Federal do Ceará (UFC), com a identificação botânica de Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl. Todas as ações aqui descritas tiveram como base os relatos da população local a respeito da grande importância e utilidades da espécie de planta O. fieldingiana (Gardner) Engl, o batiputá, nos tratamentos de problemas concernentes à pele como ferimentos, queimaduras, micoses, erisipelas, problemas gástricos e fúngicos. Procurou-se obter, de um modo eficaz, um extrato que fosse acessível as populações de baixa renda. Daí passou-se a ter início a produção de uma pasta, tendo por base o fruto do Batiputá. Os frutos foram coletados diretamente do tabuleiro durante toda a sua época de colheita. O local de coleta foi à cidade de Beberibe, município que se situa no Litoral Leste do estado do Ceará, distante 80 km da cidade de Fortaleza, capital do Ceará. Ainda se tem neste local uma grande riqueza da espécie trabalhada, porém, já foi bem maior, pois a especulação imobiliária e as queimadas inapropriadas devastam a cada dia esta pérola dos nossos tabuleiros. De um modo rudimentar caseiro, os frutos foram lavados e deixados de molho durante um dia e logo depois triturados em um liquidificador comum. Depois deste procedimento, à cada 1L de frutos moídos, adicionava-se 2 litros de água potável, onde, logo depois, era levado a um fogão à lenha para passar por um processo de cozimento em panela de alumínio puro, que durava 1h:30 minutos.

Resultado e discussão

Os resultados da prospecção fitoquímica revelaram que a amostra foi positiva para a presença de vários metabólitos secundários como, fenóis, taninos, leucoantocianidina, catequinas, flavononas, alcalóides, esteróides, tripterpenos e flavonóides. A amostra se revelou negativa para saponinas, antocianinas e antocianidinas, de acordo com o quadro 1. A boa condição de flavonóides existentes na amostra, como revela o quadro 1, afirma ser esta possuidora de uma excelente atividade antioxidante, de acordo com o gráfico 1. Estes metabólitos secundários que foram confirmados pelas análises de prospecção fitoquímica são possuidores de atividades biológicas várias e são muito importantes no tratamento de problemas inflamatórios, reumáticos, fúngicos, gástricos, cicatrizantes e queimaduras em geral Confrontando os dados do antes, durante e depois dos tratamentos, verifica-se que os casos submetidos a tratamentos, tiveram uma resposta satisfatória concernentes à aplicação do fitofármaco, sem deixar nenhum tipo de sequelas, como mancha e tecido epitelial necrosado e com uma rápida recomposição tecidual. Ressalta-se que todos os resultados dos processos clínicos ocorreram dentro do tempo estimado na fase de execução do projeto. Foi feita a produção caseira da pasta extraída do fruto do batiputá (fotos 2 e 3). Ressaltar que antes da produção final foi realizado o processo de peneiração para a retirada do material mais fibroso, restando um produto final de cheiro agradável, cor marrom, e com uma excelente visco-pastosidade. Esta era o extrato-pasta ao qual objetivou produzir. O presente trabalho também fez um estudo secundário sobre a ação da pasta no combate à caspa, dores de dentes e gargantas, além de combate a carrapatos em cachorros domésticos.
















Conclusões

Tendo em vistas os raríssimos estudos e registros sobre a espécie batiputá, espera-se que os resultados aqui alcançados possam auxiliar no desenvolvimento de bases científicas para o estudo desta planta, fazendo com que ela possa ser inclusa na relação de plantas medicinais e sendo cada vez mais conhecida e reconhecida pelo povo residente às margens dos tabuleiros litorâneos existentes nas diversas regiões do Brasil. Sugere-se mais estudos e pesquisas, para que, cada vez mais, a sociedade tenha meios secundários eficazes no tratamento dos problemas maléficos.

Agradecimentos

Coordenação do Curso de Licenciatura EaD em Química da UECE; Polo de Beberibe-CE.

Referências

JOLY, A. B. B. Botânica: Introdução à Taxonomia Vegetal. 12.ed. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1988.

MARTINS, E. R.; CASTRO, D. M.; CASTELLANI, D. C. Plantas medicinais. Viçosa, MG: UFV, 2003. 220 p.

MARTIUS, Karl Friedrich Phillips Von. Natureza, doenças, medicina e remédios dos índios brasileiros, 1844. Trad: Pirajá da Silva. 2.ed. São Paulo: Editora Nacional, 1979.

OLIVEIRA, Isamar Dantas. Avaliação da Atividade Biológica do Extrato Seco da Remiria marítima Aubl. Dissertação de Mestrado. Núcleo de Pós-Graduação em Medicina da Universidade Federal de Sergipe. São Cristovão-SE. 2010. Disponível em:
https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/3810/1/ISAMAR_DANTAS_OLIVEIRA.pdf. Acesso em: 14 mar. 2018.

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