Área:
Produtos Naturais
TÍTULO:
ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE PLANTAS MEDICINAIS
AUTORES:
Simão, A.A.1; Corrêa, A.D.2; Marques, T.R.3; Ramos, V.O.4; Alves, A.P.C.5; Duarte, M.H.6;
1UFLA Email:andersonbsbufla@yahoo.com.br; 2UFLA Email:angelita@dqi.ufla.br; 3UFLA Email:tamara_resende@hotmail.com; 4UFLA Email:viniciusramos@yahoo.com.br; 5UFLA Email:anapaulaufla@gmail.com; 6UFLA Email:marieneduarte@hotmail.com;
RESUMO:
Objetivou-se nesse trabalho medir a atividade antioxidante, pelo método ABTS, nas
plantas medicinais babosa, calunga, carqueja, Garcinia cambogia e marmelinho e na
combinação dessas plantas, com a finalidade de se avaliar um possível uso dessas
no combate aos radicais livres e consequentemente no tratamento de diversas
enfermidades causadas por estes. A atividade antioxidante, em µmol trolox g-1, foi
considerada moderada nos extratos aquoso de marmelinho (728,80) e etanólico
(731,06), e fraca para as demais plantas. A combinação das plantas mostrou baixo
potencial antioxidante. Assim, apenas os extratos de marmelinho mostram potenciais
para serem utilizados como fontes de antioxidantes em preparações farmacológicas e
alimentícias, com possíveis benefícios a saúde.
PALAVRAS CHAVES:
potencial antioxidante; farmacologia; fitoterapia
INTRODUÇÃO:
Nos últimos anos, têm-se investigado os efeitos dos antioxidantes em relação às
enfermidades. As pesquisas têm tentado explicar os benefícios dessas substâncias
para prevenir e tratar diversos tipos de doenças (HALLIWELLL, 2000; MORAIS,
2009).
Antioxidantes são substâncias que combatem os radicais livres, que são espécies
extremamente reativas que causam a oxidação de várias biomoléculas presentes em
nosso organismo causando várias patologias, como câncer, doenças
cardiovasculares e outras doenças crônicas (HALLIWELL, 2000). Além disso, com os
problemas encontrados com os antioxidantes sintéticos, utilizados na conservação
de alimentos e que, além de altos custos para suas produções, também tem sido
demonstrado, por estudos toxicológicos, que podem provocar efeitos indesejáveis
no organismo humano e animal, aumentou-se a busca por substâncias naturais que
sejam fontes eficientes de antioxidantes.
Muitas plantas medicinais contêm grandes quantidades de antioxidantes, como os
compostos fenólicos, a vitamina C, vitamina E e os carotenoides que desempenham
papéis importantes na absorção e neutralização de radicais livres (DJERIDANE et
al., 2006).
Nesse contexto, plantas que são popularmente conhecidas com alguma finalidade
terapêutica, que não possuam estudos comprovando seus efeitos, tornam-se alvo
central de pesquisas que visam o desenvolvimento de novos fármacos que possam
auxiliar no tratamento de doenças.
Diante do exposto, o objetivo neste trabalho foi medir a atividade antioxidante
nas plantas medicinais babosa, calunga, carqueja, Garcinia cambogia e marmelinho
e na combinação dessas plantas, com a finalidade de se avaliar um possível uso
dessas no combate aos radicais livres e consequentemente no tratamento de
diversas enfermidades causadas por estes.
MATERIAL E MÉTODOS:
As plantas, Simaba ferruginea St. Hil. (calunga), Baccharis trimera (Less.) DC
(carqueja) e Tournefortia paniculata Cham. (marmelinho) foram adquiridas no
mercado municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais. As folhas de marmelinho e
carqueja foram lavadas em água corrente e água destilada e, em seguida,
colocadas juntamente com as cascas obtidas do tronco da calunga em estufas com
circulação de ar para secagem, por 48 horas, à temperatura de 30°C a 35°C. Após
secagem, as folhas e as cascas foram moídas em moinho tipo Willy e as farinhas
armazenadas em frascos hermeticamente fechados até as análises. O pó comercial
da Aloe vera (L.) Burm. (babosa) (mucilagem) e o da Garcinia cambogia Desr.
(fruto) foram adquiridos da distribuidora de insumos farmacêuticos FLORIEN.
As farinhas das plantas foram misturadas para elaboração de um
fitoterápico simulado a partir da combinação das plantas babosa, calunga,
carqueja, G. cambogia e marmelinho na proporção 1:1,5:0,5:1,5:0,5,
respectivamente.
Atividade antioxidante
Preparação dos extratos
A extração dos antioxidantes das FPM foi realizada utilizando-se dois
extratores: água e etanol. As amostras foram mantidas sob agitação na proporção
1:25 (p/v), por 1 hora, filtradas em papel de filtro e, em seguida, submetidas
ao processo de detecção da atividade antioxidante (AA).
Método ABTS
A metodologia utilizada foi a desenvolvida por Re et al. (1999), com
modificações feitas por Rufino et al. (2007). Nos extratos obtidos foram feitas
quatro diluições diferentes para os ensaios e posterior construção de curva
analítica. Foram feitas curvas analíticas com trolox e com ácido ascórbico, além
de teste para comparação com os padrões BHT, rutina e quercetina, preparados na
concentração de 200 mg L-1.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Das plantas analisadas (Tabela 1) o marmelinho foi a que mostrou maior potencial
antioxidante, sendo que para essa planta praticamente não houve diferença na AA
entre os extratos aquosos e etanólicos, tanto em equivalente de trolox, quanto
de vitamina C. Já para a calunga, carqueja e fitoterápico os extratos aquosos
apresentaram maior AA que os extratos etanólicos, tanto em equivalente de
trolox, quanto de vitamina C. Babosa e G. cambogia não mostraram AA pelo método
ABTS.
Observou-se que, quando comparado aos padrões BHT e rutina, o potencial
antioxidante, tanto em equivalente de trolox quanto de vitamina C dos extratos
aquosos e etanólicos do marmelinho alcançaram em média 58% e 54%, do potencial
desses padrões. Já em relação a quercetina o potencial do marmelinho foi muito
inferior com 9,7% apenas do seu potencial (tanto em equivalente de trolox,
quanto de vitamina C). O potencial antioxidante dos extratos das demais plantas
e do fitoterápico foi considerado baixo.
A AA nas farinhas de folhas de marmelinho, independente do extrato, superou a
encontrada por Wojdylo et al. (2007) que constatou em 32 ervas polonesas
potenciais entre 0,0045 (Archangelica officinalis) e 3,46 (Syzygium aromaticum)
µmol trolox g-1. Também supera a detectada por Bouayed et al. (2007) em várias
partes das plantas medicinais, em mg g-1 de vitamina C, de: 2,8 (flores de Alcea
kurdica), 7,36 (raiz de Valeriana officinalis), 15,4 (flores de Stachys
lavandulifolium), 19,2 (folhas de Lavandula officinalis) e 19,3 (folhas de
Melissa officinalis). É superada por apenas 11 de 132 plantas medicinais
indianas analisadas por Surveswaran et al. (2007) e por duas de 40 plantas
medicinais estudadas por Gan et al. (2010), em µmol trolox g-1, mostrando assim
bom potencial antioxidante.
