BIOGRAFIA

Arikerne Rodrigues Sucupira nasceu no Rio de Janeiro em 26 de abril de 1933, filho de família humilde com 4 irmãos, morava no morro próximo ao Cemitério São João Batista em Botafogo.

Ainda menor estudava em escola pública do bairro e como primeiro “trabalho” fazia a subida e descida das ladeiras das trouxas de roupas que a mãe lavava para as famílias da região, forma com que sustentava a todos.

Naquela ocasião Arikerne, ou simplesmente Ari, como o chamavam adolescente, acalentava dois sonhos que poderiam mudar sua vida: um lugar descente para morarem e um carro vermelho, pois o morro não era a melhor das moradias e andar de lotação era bastante ruim.

Bom aluno, inteligente, bem articulado, logo se tornaria “mentor” das turmas em que estudava e seu jeito descontraído, extrovertido e sempre educado e de fala mansa cativava a todos.

Ao iniciar seu curso superior na Escola Nacional de Química na antiga Universidade do Brasil (hoje UFRJ) entendeu que seu futuro estava diretamente ligado a conseguir sucesso na profissão. Somente assim conseguiria melhorar a vida de sua mãe e a sua própria. Assim se tornou ainda um melhor aluno do que fora no primário e colegial. Logo passou a “auxiliar” seus professores. Naquela ocasião não havia a figura do monitor e muito menos as bolsas. O fazia por prazer e “investimento” de que poderia ter resultados mais a frente.

Durante um tempo trabalhou como carteiro para ganhar algum dinheiro que pudesse bancar a condução de seus estudos e ainda, alimentação e vestuário.  Com poucos recursos era obrigado a estudar em bibliotecas ou em livros emprestados por colegas.

Nos últimos anos da faculdade já substituía a alguns professores quando assim solicitado e o espírito de liderança o levava a ser respeitado por seus colegas e até pelos próprios professores.

Assim, antes mesmo de formado, aos 20 anos de idade começou a dar aulas como professor contratado e nunca mais parou até o final da vida. Realizou os dois sonhos acalentados, levou a mãe para residir um lugar melhor no Meier e comprou seu primeiro carro, usado, na cor vermelha.

Ao se formar permaneceu na Universidade e na primeira chance de prestar concurso, o fez passando a integrar o corpo da Escola de Química da Universidade do Distrito Federal (depois Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Casou-se pela primeira vez, com Maria do Socorro, e desta união teve seus dois filhos, Aline e Alan.  Após o término deste casamento, anos depois voltou a se casar, desta feita com Maria Nazareth com quem viveu até o seu falecimento em 18 de setembro de 2002.

Sucupira, como acabou ficando conhecido na comunidade, deu aulas por 40 anos na Escola de Química da UFRJ onde chegou à chefia de seu Departamento. Também deu aulas na Universidade Federal Fluminense, onde também foi chefe de Departamento. Realizou uma centena de consultorias para empresas privadas e autarquias. De alta inteligência, tinha um profundo conhecimento sobre o que se passava ao seu redor e principalmente no mercado da Química. Seu feeling comercial era notável e embora tenha sido professor por toda a vida, jamais deixou que os muros das Instituições de Ensino embotassem a sua visão de mundo e da Química como ciência e como caminho de vida.

Atuou no Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro, do qual foi Presidente entre outras funções; no Conselho Federal de Química, do qual foi Conselheiro; na Associação Brasileira de Química onde exerceu inúmeras funções, sendo a maior parte do tempo como Tesoureiro e fez parte dos Conselhos de algumas empresas.

De sorriso franco, e sempre de braços abertos a todos, não perdia a piada e o bom humor no dia a dia de viver bem e feliz. Sempre foi chegado a um “bom prato”. Ao passar por alguém que não tivesse visto, ao ser chamado, a resposta era sempre a mesma, repleta de satisfação e alegria:  “o professor que deu certo”.