ÁREA: Físico-Química

TÍTULO: CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DO ÓLEO DO PEIXE COLOSSOMA MACROPOMUM (TAMBAQUI) DE BOA VISTA-RR

AUTORES: BARRETO, H. C. S. (UFRR) ; MELO FILHO, A. A. (UFRR) ; SOUZA, F. B. (UFRR) ; SANTOS, R. C. (UFRR)

RESUMO: Este estudo teve como objetivo caracterizar alguns parâmetros físico-químicos do óleo extraído de filés de tambaqui (Colossoma macropomum) usando o método de extração a frio. As análises físico-químicas foram realizadas a partir das normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz e apresentaram uma densidade a 25°C de 0,863 g/cm3, o índice de refração a 25 e 40 ºC de 1,459 e 1,447, respectivamente, o índice de saponificação de 164,160 mg de KOH/g de óleo, a viscosidade a 40 °C 12,66 mm2/s e a acidez medida como ácido oléico de 0,79%. De um modo geral, os resultados obtidos apontam novas informações sobre o óleo do tambaqui que, poderão ser úteis para formação de sua base de dados.

PALAVRAS CHAVES: tambaqui, colossoma macropomum, óleo

INTRODUÇÃO: O tambaqui (Colossoma macropomum) é uma das espécies potenciais para o cultivo, por ser originário do rio amazonas e estar adaptado às condições da região. A piscicultura em Roraima conta com fatores como recursos hídricos, energéticos e climáticos, o que permite razoável produção, com previsão para um crescimento expressivo, apesar disso são poucas as espécies exploradas comercialmente, dentre elas, o tambaqui é uma das mais apreciadas pela população da região pelo excelente sabor, consistência e coloração branca da carne, pouca presença de espinhas e facilidade para obtenção de filés (SEBRAE/RR, 2001).
Os peixes tem sido alvo de muitas pesquisas por possuírem alto teor de ácidos graxos poliinsaturados ômega-3. Na década de 70, estudos sobre a alimentação dos esquimós, evidenciaram a importância do consumo de peixes por sua atuação sobre a saúde humana. Com isso os estudos relacionados com dietas suplementares de peixes ou óleos de peixes e derivados de ômega-3, cada vez mais, prometem benefícios à saúde humana, havendo, portanto um crescente aumento na comercialização de vários alimentos e medicamentos à base de óleo de peixes e/ou derivados. (GARCIA et al, 2004; MOREIRA et al, 2003; VISENTAINER et al, 2000).
Vários estudos têm sido realizados para caracterizar os parâmetros físico-químicos de óleos vegetais, no entanto, ainda são escassos os estudos sobre óleos e gorduras de origem animal, especialmente de peixes da região amazônica, como o Tambaqui (Colossoma macropomum). Assim, os estudos desenvolvidos nessa pesquisa serão importantes para formação da base de dados da espécie pesquisada.

MATERIAL E MÉTODOS: - Coleta
A coleta do tambaqui foi realizada no viveiro de um dos comerciantes do município de Boa Vista, no estado de Roraima, onde foi pesado e fotografado.
- Processo de Extração do Óleo de Tambaqui
A extração do óleo de Tambaqui foi realizada a partir de modificações no método descrito por DUARTE (2001), onde retirou-se os filés do peixe e os triturou no liquidificador. Em seguida 750,0g do tecido triturado foi aquecido em estufa, à temperatura de 100 ºC por um período de aproximadamente 14 horas. O tecido seco foi transferido para um béquer de 5L, no qual adicionou-se 100 g de sulfato de sódio anidro e 2L de hexano, promovendo a agitação por uma hora. Após esse processo o material foi filtrado e realizou-se a evaporação do solvente em rota-evaporador. O óleo obtido foi acondicionado em frasco âmbar, rotulado e congelado em freezer para utilização posterior.
4.3 Caracterização Físico-Química do Óleo Extraído do Tambaqui
A determinação dos parâmetros físico-químicos do óleo de tambaqui foi realizada segundo os métodos de análise de alimentos do INSTITUTO ADOLFO LUTZ (1985). Os parâmetros determinados nesta pesquisa foram: índice de refração, pH (por indicador universal da MERK), densidade, índice de saponificação, índice de acidez, viscosidade, índice de peróxido, sendo cada parâmetro realizado em triplicata (n=3).

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os resultados da análise das características físico-químicas do óleo de tambaqui se encontram na Tabela 1, onde o pH confirma os resultados do índice de acidez, ao apresentar uma baixa acidez. E a acidez medida como ácido oléico, inferior a 2,5%, confirmou a qualidade do óleo, podendo, portanto, ser classificado como do tipo 1 (BELLAVER et al, 2004).
O índice saponificação apresentou valor inferior à média para óleos de peixes (189-193 mg de KOH/g de óleo), mas dentro da faixa de valores para o óleo de atum de 164,160 mg de KOH/g de óleo (CAMPESTRE, 2007; GRUNENNVALDT et al, 2005).
Os resultados obtidos para a viscosidade a 40 ºC indicam pouca resistência ao escoamento, possivelmente resultante da atração entre as moléculas dos ácidos graxos de cadeias longas presentes no óleo (COSTA, 2006).
Os valores do índice de refração a 25 ºC mostraram serem menores para o óleo de tambaqui que para o de óleo de salmão (1,472-1,477), estando, no entanto dentro da média para o óleo de algodão (1,458-1,466) (CAMPESTRE, 2007). Verificou-se ainda que esse índice a 25 ºC foi maior que a 40 ºC, reação esperada já que o índice de refração diminui linearmente com o aumento da temperatura e, aumenta com o comprimento da cadeia hidrocarbonada e com o grau de insaturação dos ácidos graxos constituintes dos triglicerídeos (COSTA, 2006).
O valor da densidade do óleo de tambaqui, de 0,860 g/cm3, está abaixo da faixa dos valores de referência para óleo de salmão de 0,924-0,926 g/cm3 para temperaturas entre 15 e 25 ºC (CAMPESTRE, 2007).
O índice de peróxido obtido para o óleo de tambaqui foi igual a 0,0 (zero), sendo considerado de boa qualidade já que está abaixo do limite máximo permitido, de 5 mEq/1000 g de óleo (BELLAVER et al, 2004).



CONCLUSÕES: Os valores obtidos nas análises físico-químicas do óleo de tambaqui estão de acordo com os dados encontrados na literatura para óleo de peixes, demonstrando comportamento semelhante aos óleos de outros peixes, com exceção da densidade, em que os valores obtidos foram inferiores aos valores de referência para óleo de peixes, e da viscosidade, em que não foram encontrados dados na literatura pesquisada.
De um modo geral, os valores obtidos na análise físico-química apontam novas informações sobre o óleo de tambaqui que poderão ser úteis para formação de sua base de dados.

AGRADECIMENTOS: Ao Departamento de Química da Universidade Federal de Roraima.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: BELLAVER, C., ZANOTTO, D. L. Parâmetros de Qualidade em Gorduras e Subprodutos Protéicos de origem animal. Conferência APINCO 2004. Santos-SP, 2004.

CAMPESTRE IND. E COM. DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA. Óleo de Peixes. http://www.campestre.com.br Acessado em: 12 de janeiro de 2007.

COSTA, T. L. Características Físicas e Físico-químicas do Óleo de Duas Cultivares de Mamona. Dissertação (mestrado) – Centro de Ciências e Recursos naturais. Universidade Federal de Campina Grande. Campina Grande, Paraíba, 2006, 113p.

DUARTE, G. R. M., Estudo da composição de ácidos graxos e colesterol em óleos de peixes do Rio Araguaia. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Química, Universidade Federal de Goiás. Goiânia, 2001. 98p.

GARCIA, J. U.; SANTOS, H. I. dos; FIALHO, A. P.; GARRO, F. L. T.; ANTONIOSI FILHO, N. R.; LELES, M. I. G. Estudo da estabilidade térmica de óleos de peixes em atmosfera de nitrogênio. Ecl. Quim., São Paulo, (29/2); 2004; 41-46.

GRUNENNVALDT, F. L.; CREXI, V. T.; PINTO, L. A. A. Refino de óleos de pescado provenientes dos processos de silagem ácida e termomecânico de produção de farinha. Fundação Universidade Federal do Rio Grande, Departamento de Química. PIBIC/CNPq/FURG. Engenharia de Alimentos. 5p. 2005.

INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz – Métodos Químicos e Físicos para análise de alimentos. 3º ed. São Paulo, 1985. (1/1); 1985; 533.

MOREIRA, A. B.; SOUZA, N. E. de; VISENTAINER, J. V.; MATSUSHITA, M. Composição de Ácidos Graxos e Teor de Lipídios em Cabeças de Peixes: matrinxã (b. Cephalus), piraputanga (b. Microlepis) e piracanjuba (b. Orbignyanus), Criados em Diferentes Ambientes. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, (23/2); 2003; 179-183.

SEBRAE/RR. Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes. Roraima, 2001.

VISENTAINER, J. V.; CARVALHO, P. O.; IKEGAKI, M.; PARK, Y. K. Concentração de ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA) em peixes marinhos da costa brasileira. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, (20/1); 2000.