ÁREA: Físico-Química

TÍTULO: OBTENÇÃO DE SISTEMA MICROEMULSIONADO A PARTIR DE ÓLEO DE RÃ-TOURO, LECITINA DE SOJA, ÁLCOOL ETÍLICO.

AUTORES: FERNANDES, J. E DE A. (UFRN) ; LOPES, V.S. (UFRN) ; WANDERLEY NETO, A. DE O. (UFRN) ; MOURA, E.F. (UFRN) ; GOUVEIA, I.S.L.P. (UFRN) ; DANTAS, T.N. DE C. (UFRN)

RESUMO: Microemulsão (ME) é formada por tensoativo e eventualmente um cotensoativo na presença de fase polar e apolar formando um filme na interface água-óleo reduzindo a tensão interfacial a valores muito baixos (NÓBREGA, et al, 2005 O objetivo deste trabalho é obter região de microemulsão com menor percentual de tensoativo e maior teor de fase orgânica. A obtenção de ME foi obtida usando lecitina de soja, solução de álcool etílico a 70%v/v, água destilada e Óleo Rana catesbeiana(OR). Obtiveram-se 28 sistemas, e entre estes 25 formulações encontram-se na região de ME, onde tem-se tensoativo (1,3 a 50,8%) e fase orgânica (9,4 a 94,1%). Conclui-se que com esses resultados poderão favorecer uma ampla investigação como sistema de liberação de fármacos.

PALAVRAS CHAVES: óleo de rã-touro - lecitina de soja – sistema de liberação de fármaco

INTRODUÇÃO: Microemulsão (ME) é formada por tensoativo e eventualmente um cotensoativo na presença de uma fase polar e uma apolar, assim, formando um filme na interface água-óleo que favorece a redução da tensão interfacial a valores muito baixos (NÓBREGA, et al, 2005). O conceito mais divulgado refere que microemulsão é um sistema termodinamicamente estável, isotrópico, transparente formado espontaneamente de dois líquidos imiscíveis, em geral água e óleo, e estabilizado por tensoativo e eventualmente um cotensoativo, tendo sido introduzido na literatura científica em 1943 por Hoar e Shulman (Dalmora, et al, 2001). A característica marcante desse sistema é a formação espontaneamente de microemulsão. Sua estabilidade termodinâmica é a maior vantagem em relação às dispersões instáveis como: suspensões e emulsões. As gotículas tendem a coalescer, quando a agitação cessa, e os líquidos, então, tornam a separam. Pode-se, então, definir o tempo de vida de uma emulsão, como o tempo decorrido desde o momento em que os líquidos são homogeneizados, até a separação do sistema (OLIVEIRA, et al, 2004). O óleo de Rana catesbeiana (OR), conhecido popularmente como óleo de Rã-Touro, vem sendo usado na medicina popular em tratamentos de processos alérgicos e por sua atividade antiinflamatórias pela comunidade local(LOPES, 2003). Disponibilizar o óleo de Rã-Touro em sistema microemulsionado (SM), como opção de veículo de liberação de fármacos, vem facilitar a ingestão desse óleo, de odor e sabor pouco agradável, por via oral, porém muito utilizado pela população do RN/Brasil.

MATERIAL E MÉTODOS: O objetivo deste trabalho é a obtenção de diferentes regiões de microemulsão com tensoativo anfótero cuja fase orgânica possui atividade biológica. A obtenção dos SM foi realizada através do método de diagramas das fases (MDF) do tipo pseudoternário utilizando substancias químicas biocompatíveis, como: a lecitina de soja grau alimento como tensoativo anfótero, solução de álcool etílico a 70%v/v como agente titulante e cotensoativo, água destilada como fase aquosa e o óleo de Rana catesbeiana como fase orgânica. A fase orgânica foi extraído a baixa temperatura (70 oC) para preservar os ácidos graxos insaturados e importante por sua atividade biológica já descrito na literatura científica. O OR tem 73,8% de ácidos graxos insaturados, dos quais se destacam os ácidos graxos essenciais, tais como: ácido linolênico-2,1%, linoleíco-25 % e oléico-36,3%. O OR foi obtido de tecido adiposo extraído do abdômen do anfíbio Rana catesbeiana fracionado no liquidificador industrial sem solvente por 40 minutos e filtrado. A filtragem do óleo ocorreu diariamente durante 5 dias (a temperatura ambiente de 28 oC) para reduzir massa graxosa que se depositavam após 24 horas de repouso. Para otimização dos sistemas microemulsionados foi relevante avaliar a natureza do cotensoativo na construção do diagrama de fases. A partir dessas substancias foi construído diagrama de fases onde se obteve diferentes sistemas com diferentes percentuais de constituintes químicos. Os sistemas obtidos de uma construção de diagrama de fase foram formados por: óleo de Rana catesbeiana+Lecitina de Soja e titulada com sol. hidroalcoolica a 70% v/v, cujos valores obtidos na construção do diagrama de fases encontram-se na tabela 1 e o gráfico do diagrama de fases obtido apresentada na figura 1

RESULTADOS E DISCUSSÃO: No processo de extração a menor temperatura que o obtido por LOPES, 2003 forneceu um volume final de 70% de OR, porém com maior preservação dos ácidos graxos essenciais de atividade biológica. O desenvolvimento dos diferentes sistemas pelo MDF forneceu 28 formulações das quais 25 encontram-se na região de ME e 3 formulações na região de organogel, tendo percentuais de tensoativo na ordem de 1,3 a 50,8% e fase orgânica de 9,4 a 94,1%. Esses resultados poderão favorecer uma ampla investigação como sistema reservatório em sistema de liberação de fármacos, tendo a fase orgânica como bioativo. Justifica-se a escolha da solução de álcool etílico a 70% v/v como cotensoativo, em razão de vantagens como: obtenção de maior de região de microemulsão, sua atividade bactericida para o produto final, poder ser utilizado em formulação farmacêutica de via mais fácil (oral) e ter baixo teor alcoólico segundo as normas da ANVISA que só permite um valor máximo de 10% de álcool etílico em preparações farmacêuticas de uso oral em adultos.





CONCLUSÕES: Sob a ótica objetiva deste trabalho, conclui-se que a obtenção, pelo MDF, de 25 formulações na região de ME, em cujos percentuais de seus constituintes permitem a elaboração de uma gama de veículo-base de aplicação na indústria farmacêutica, para administração via oral, o que vai minimizar o sabor e odor de peixe característico desse óleo.
Conclui-se que os sistemas obtidos favorecem uma maior e profunda investigação farmacológica, por seus efeitos terapêuticos observados nas comunidades locais, quanto a sua atividade antiasmática, antialérgica e antiinflamatória.


AGRADECIMENTOS: Ao Laboratório de Tecnologia de Tensoativos - UFRN

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: OLIVEIRA, A. G.; SCARPA, M. V.; CORREA, M. A. C.; CERA, L. F. R.; FORMARIZ, T. P.; Microemulsões: estrutura e aplicações como sistema de liberação de fármacos, Química. Nova Vol.27 No1, 2004
LOPES, V. S., Desenvolvimento e aplicação de creme vaginal à base de Aroeira e Anacardium occidentale no tratamento de cervicites, VI Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura da UFRN - CIENTEC: Manipulação de Fitoterápicos na Maternidade Escola Januário Cicco/UFRN 2000.
LOPES, V.S., DANTAS, T.N.C., MOURA, E.F., ASSIS, Z.M.S., SOUZA, V.G., ARAÚJO, I.S., Preparation of formule and study activity antiinflammatory of Schinus terebinthifolius in the routine of Maternidade Escola Januário Cicco, UFRN, Revista Brasileira de Farmácia, indexada no Journal Braziliam Pharmacology, vol. 41, Supl. 1, p. 351, 2005.
JÚNIOR, A. S. C.; FIALHO, S. L.; CARNEIRO, L. B. C.; ORÉFICE, F.; Microemulsões como veículo de drogas para administração ocular tópica, Arquivos Brasileiros de Oftalmologia Vol.66, Nº.3, 2003.
5NÓBREGA, G.A.S.; GOMES, D.A.A.; PEGADO, R.M.; BARROS NETO, E.L.; DANTAS NETO.A.A.; CASTRO DANTAS, T.N., Formulação de um fluído de fraturamento a base de tensoativo com alto grau de sustentação,3º Congresso Brasileiro de Petróleo e Gás, 2005