ÁREA: Química Analítica

TÍTULO: DECOMPOSIÇÃO TÉRMICA DE ANALGÉSICOS

AUTORES: SOUZA, J. M. (UFRN) ; XAVIER, J. C. (UFRN) ; CRUZ, A. M. F. (UFRN) ; SILVA, D. R. (UFRN) ; MOURA, M. F. V. (UFRN)

RESUMO: Neste trabalho estudou-se a decomposição de analgésicos através da termogravimetria (TG) e análise térmica diferencial (DTA). As curvas TG apresentaram etapas bem definidas para a decomposição térmica, podendo identificar-se as etapas de desidratação, com obtenção da substância anidra e a etapa de decomposição; em alguns casos pode-se visualizar a formação do respectivo carbonato e finalmente a etapa de obtenção do respectivo óxido. Com relação à substância anidra pode-se dizer que a substância que apresentou menor estabilidade térmica foi a aspirina, seguida da cafeína, dipirona e paracetamol. Sendo que o processo de decomposição térmica da dipirona é exotérmico e das demais substâncias é endotérmico.

PALAVRAS CHAVES: termogravimetria, decomposição térmica, analgésicos

INTRODUÇÃO: O estudo da decomposição térmica das substâncias é muito importante, já que dele emergem informações importantes quanto a sua estabilidade térmica. Assim, podem-se deduzir propriedades tecnológicas importantes que são consideradas fundamentais; por exemplo, na indústria farmacêutica. Essas propriedades são consideradas, por exemplo, no processo de compressão de comprimidos, no armazenamento das diversas formas de apresentação, como também no transporte.
Nesse trabalho estudou-se a decomposição de quatro substâncias utilizadas comumente como analgésico que são a aspirina, o paracetamol, a dipirona e a cafeína. Foram obtidas curvas TG (termogravimetria) e DTA (análise térmica diferencial) de todas as substâncias. As substâncias utilizadas neste estudo apresentavam grau de pureza analítico e foram utilizados os seguintes parâmetros para medida: massa de amostra em torno de 4 mg, atmosfera de ar sintético com vazão de 30 mL/min, razão de aquecimento de 10 oC/min e cadinho de alumina.

MATERIAL E MÉTODOS: Os experimentos foram realizados em um sistema TG/DTA da Shimadzu, modelo DTG-60H. As amostras utilizadas foram de grau analítico. E foram utilizados os seguintes parâmetros para medida: massa de amostra em torno de 4 mg, atmosfera de ar sintético com vazão de 30 mL/min, razão de aquecimento de 10 oC/min e cadinho de alumina. Os dados obtidos referiam-se simultaneamente aos dados de uma termobalança e de um analisador térmico diferencial.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Observando-se as curvas TG sobrepostas para todas as substâncias analisadas pode-se deduzir que a dipirona é a primeira substância a apresentar mudanças no eixo de variação de massa, sendo essa massa atribuída à perda de água de cristalização, já que essa é uma substância monohidratada; a variação de massa observada foi de 4,6 %. Na segunda etapa a dipirona se decompõe e apresenta uma perda de massa de 66,1 % com formação do respectivo carbonato, essa substância apresenta mais uma etapa de variação de massa devida à decomposição do carbonato com formação do óxido correspondendo e uma variação de 10,0 %. As outras três substâncias apresentam apenas uma etapa de perda de massa essa correspondendo a uma variação de 97,4; 97,5 e 98,0; respectivamente para aspirina, cafeína e paracetamol. Considerando a substância anidra pode-se dizer que a que apresenta menor estabilidade térmica é a aspirina, seguida da cafeína, dipirona e paracetamol.
As curvas DTA corroboram com essas informações. Observa-se na curva DTA da dipirona o primeiro pico a 102,8 oC corresponde à primeira etapa de decomposição térmica referente à desidratação e este pico é endotérmico, para essa mesma substância observa-se um pico endotérmico a 248,3 oC, seguida de decomposição. Para as demais substâncias observa-se a fusão seguida de decomposição, sendo os picos de fusão a 140,6; 161,0 e 170,9 oC; respectivamente para ácido acetilsalicílico, cafeína e paracetamol. Para o processo de decomposição dos compostos estudados observa-se que esse evento é endotérmico para ácido acetilsalicílico, cafeína e paracetamol e é exotérmico para dipirona.





CONCLUSÕES: Dessa maneira a dipirona apresenta como primeiro evento um pico endotérmico referente à desidratação. Todos os compostos estudados apresentam um pico fino e endotérmico característico do comportamento de fusão. Com base nos experimentos realizados pode-se estabelecer a seguinte ordem crescente de estabilidade térmica para os compostos anidros: ácido acetilsalicílico, cafeína, paracetamol e dipirona. sendo que a aspirina e o paracetamol apresentam ponto de fusão mais baixo, respectivamente em 140,6 e 161,0 oC. Todas as substâncias estudadas se degradam logo após a fusão num evento endotérmico.

AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem ao CNPq/UFRN pelo apoio e suporte financeiro prestados para a realização deste trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: MOURA, M. F. V.; MATOS, J. R.; FARIAS, R. F. “Thermal degradation study of gadolinium and lutetium methanesulfonates”; Thermochimica Acta, Volume 414, Issue 2, 2004, Pages 159-166.
SILVA, E. M. A. Influência de excipientes na decomposição térmica do ácido acetilsalicílico. Dissertação de mestrado Programa de Pós-Graduação em Química UFRN (defesa: 14 11 2000).
FUNDAMENTOS DE QUÍMICA ANALÍTICA / Skoog… [et al.]; [tradução Marco Grassi; revisão técnica Célio Pasquini]. – São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006.