ÁREA: Ambiental

TÍTULO: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DOS NÍVEIS DE CHUMBO E COBRE EM MYTELLA FALCATA COLETADO NO ESTUÁRIO DO RIO POTENGI, NATAL/RN

AUTORES: BRITO, G. Q. (UFRN) ; CRUZ, Â. M. F. (UFRN) ; ARAÚJO, E. G. (UFRN) ; VIEIRA, M. F. P. (UFRN) ; MOURA, M. F. V. (UFRN)

RESUMO: Os riscos ao homem e ao meio ambiente causado pela presença de metais pesados têm despertado a atenção das autoridades ambientais para o controle da emissão de poluentes e monitorização. Este trabalho teve por objetivo determinar os níveis de chumbo e cobre através da espectrofotometria de absorção atômica no molusco Mytella falcata coletado no estuário do Rio Potengi, Natal/RN, para verificar o potencial de bioacumulação desses metais por esse molusco. Os valores obtidos (em mg de metal/100g da amostra) para o chumbo foram de 0,14 ± 0,01 na amostra A e 0,14 ± 0,02 na amostra B. Para o cobre foram 0,91 ± 0,01 na amostra A e 0,89 ± 0,05 na amostra B. Os resultados indicam que os moluscos dessa região poderão ser utilizados como bioindicadores para detectar a presença de metais pesados.

PALAVRAS CHAVES: metais pesados, moluscos, mytella falcata

INTRODUÇÃO: Os riscos ao homem e ao meio ambiente causado pela presença de metais pesados têm despertado a atenção das autoridades ambientais para o controle da emissão de poluentes e monitorização (PEREIRA, 2002) (OLIVEIRA e cols, 2001). Os principais impactos ambientais identificados na região costeira do Rio Grande do Norte estão relacionados às atividades econômicas desenvolvidas na região. Assim, a exploração petrolífera, indústria do sal, turismo, extração da madeira, degradação de lagoas costeiras e carcinicultura, têm afetado o meio ambiente (OLIVEIRA & LEITE, 1999).
Segundo PEREIRA (2002), os mexilhões e ostras por serem filtradores e concentrarem poluentes presentes na água onde vivem, são utilizados mundialmente como indicadores de poluição marinha. Nos programas de monitorização, as espécies representativas são aquelas que se apresentam em maior abundância e distribuição.
Os moluscos bivalves, sendo estes organismos filtradores (que se alimentam através de um processo de filtração da água e retenção das partículas em suspensão, principalmente plâncton e microorganismos presentes na água), sofrem de maneira intensa a bioacumulação destes contaminantes, tornando-se muitas vezes impróprios para o consumo humano (MACHADO e cols, 2002).
Por ser o sururu (Mytella falcata) um molusco bivalve bastante abundante na região pesquisada ele foi escolhido para este estudo.
Sendo assim, neste trabalho determinou-se a concentração de chumbo e cobre em amostras de sururu, coletados no estuário do Rio Potengi, a fim de verificar a possibilidade de seu uso como bioindicador de poluição ambiental na região citada.

MATERIAL E MÉTODOS: Preparação das amostras
Todas as amostras do molusco foram coletadas no estuário do Rio Potengi sendo devidamente acondicionada em saco plástico e colocadas em isopor com gelo para transporte até o laboratório, onde foram previamente limpas com água corrente para retirada de resíduos. Os moluscos foram divididos em dois grupos, considerando-se: sururu jovem (grupo A) indivíduos com tamanho até 37 mm e indivíduos adultos (grupo B) com tamanho superior a 42 mm. O número de indivíduos no grupo A foi de 486 e no grupo B foi de 279 indivíduos. Foi considerado para análise somente o tecido comestível “in natura” do molusco. Em seguida o material foi desidratado, pulverizado e acondicionado.
Análises das amostras
As análises foram realizadas em triplicata, onde foi utilizado cerca de 5 g do material desidratado, o qual passou por um processo de calcinação para destruição da matéria orgânica, em mufla na temperatura de 550 oC, por oito horas. Em seguida o material foi dissolvido em ácido clorídrico diluído e nas soluções obtidas foram realizadas as leituras de absorbância para os respectivos elementos utilizando-se a Espectrofotometria de Absorção Atômica (EAA).

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Nas leituras dos padrões foram utilizadas soluções com concentrações conhecidas dos respectivos elementos como descrito a seguir. As concetrações dos padrões para chumbo foram 5, 10, 15 e 20 ppm e para cobre 2, 4, 6 e 8 ppm. As curvas de calibração obtidas estão apresentadas nas Figuras 1 e 2 respectivamente.
Para o chumbo os teores obtidos (em mg de metal/100g da amostra) foram de 0,14 ± 0,01 na amostra A e 0,14 ± 0,02 na amostra B. Para cobre os teores obtidos foram de 0,91 ± 0,01 na amostra A e 0,89 ± 0,05 na amostra B. No trabalho realizado por PEREIRA (2002), foi utilizado três espécies de moluscos, entre elas o Mytella falcata, para verificar a presença de metais pesados nos moluscos coletados no litoral da Baixada Santista e alertam para a importância da continuidade dos programas de monitoramento dos bivalves para avaliação da sua qualidade e também do meio ambiente. Outro trabalho que também utilizou esse molusco foi o de CARVALHO e cols. (2000) onde foram feitas medidas de Cu, Zn, Pb e Cd em moluscos bivalves da espécie Mytella falcata do estuário do Rio Bacanga, São Luis/MA, a fim de avaliar a influência do lançamento de esgoto doméstico “in natura” neste estuário. Isto mostra que esse molusco tem sido utilizado como biomonitor de poluição ambiental.





CONCLUSÕES: De acordo com os resultados obtidos podemos verificar que os níveis de concentração de chumbo e cobre analisados nas amostras foram detectáveis, os resultados sugerem que os moluscos dessa região poderão ser utilizados como bioindicadores para detectar a presença de metais pesados já que as amostras do molusco Mytella falcata (Sururu) coletado no estuário do Rio Potengi, demonstrou possuir capacidade bioacumuladora de metais.

AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem ao CNPq/UFRN pelo apoio e suporte financeiros prestados para a realização deste trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: CARVALHO, G. P., CAVALCANTE, P. R. S., CASTRO, A. C. L. Preliminary assessment of heavy metal levels in Mytella falcata (Bivalvia, Mytilidae) from Bacanga River estuary, São Luis, State of Maranhão, Northeastern Brazil. Rev. Bras. Biol., Feb. 2000, vol.60, no.1, p.11-16.
INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v.1:Métodos químicos e físicos para análise de alimentos, 3. ed. São Paulo: IMESP, 1985.
MACHADO, I, C; MAIO, F, D; KIRA, C, S; CARVALHO, M, F, H. Estudo da Ocorrência de metais pesados Pb, Cd, Hg, Cu e Zn na ostra de mangue Crassostera brasiliana do estuário de Cananéia – SP, Brasil.Revista Inst. Adolfo Lutz,61 (1): 13-18,2002.
OLIVEIRA, J. A; CAMBRAIA, J; CANO, M, A, O; JORDÃO, C, P. Absorção e acumulo de cádmio e seus efeitos sobre o crescimento relativo de plantas de aguapé e salvínia. Revista Bras. Fisiol. Veg. V. 13, n 03 Lavras, 2001.
OLIVEIRA, J, E, L; LEITE, T. S. Avaliação e ações prioritárias para a conservação da biodiversidade da zona costeira e marinha-Caracterização dos ecossistemas costeiros dos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Base de Dados Tropical. Natal, p. 1-16,1999. Disponível: http://bdt.fat.org.br/workshop/costa/nordeste/[24/02/2005]
PEREIRA, O, M. Determinação dos teores de Hg, Pb,Cd, Cu e Zn em moluscos(Crassostera brasiliana, Perna perna e Mytella falcata). Revista Inst. Adolfo Lutz,61 (1): 19-25,2002.