ÁREA: Ensino de Química

TÍTULO: Classificação de Óxidos: significado e critérios

AUTORES: VIVEIROS, A.M.V. (UFBA) ; CEDRAZ, J.P.L. (UFBA)

RESUMO: Nesse trabalho o objetivo foi discutir dois aspectos fundamentais na classificação de compostos: - Para que classificar os compostos? - Critério(s) usado(s) para classificar. A classe de compostos considerada foi Óxidos. Foram consultados livros didáticos usados no ensino médio, para verificar como o assunto é abordado e foram analisadas provas de diferentes processos seletivos, para verificar com o tema é usado nas avaliações. No caso das provas, foi analisada a elaboração das perguntas e as respostas dadas. Após essas análises, foi possível concluir que: -O critério mais usado na classificação de óxidos – comportamento em água – não fica claro nem nos livros nem nas perguntas feitas em provas; -Quando o critério fica claro, o aluno não o identifica e não o considera na sua resposta.

PALAVRAS CHAVES: óxidos; ensino significativo; classificação de compostos

INTRODUÇÃO: O conhecimento de química, como qualquer outro, requer informações. Muitas das informações consistem em dados ou fatos. O estudo de química requer conhecer alguns fatos, como por exemplo, se uma dada substância reage com água ou simplesmente se dissolve nesse solvente. E se reage, como atuam tanto a substância quanto a água? Entretanto, para saber alguma coisa sobre uma dada matéria e poder prever e entender algumas de suas propriedades, é preciso compreender, ou seja, estabelecer relações significativas entre os dados ou fatos inerentes à matéria. Para isso, é necessário não somente conhecer os dados ou fatos, mas dispor de conceitos que dêem significados a eles. “Para que os dados e os fatos adquiram significado, os alunos devem dispor de conceitos que lhes permitam interpretá-los” (1). O aprendizado de química, como o de qualquer outra área, envolve o conhecimento e o entendimento de fatos químicos. Esse entendimento é conseguido através da aquisição de conceitos. Assim, para classificar as substâncias, usam-se critérios os quais são formulados a partir de fatos, mas é preciso que esses fatos sejam compreendidos para que a classificação adquira significado. Esse trabalho foi realizado com o objetivo de analisar se o critério mais comumente usado para classificar óxidos – comportamento em água – é usado apenas como uma informação ou se é também compreendido pelos professores e, portanto, pelos alunos do ensino médio.

MATERIAL E MÉTODOS: Os dados foram coletados a partir da busca de informações sobre a classificação de óxidos, com ênfase no óxido de alumínio. As fontes usadas para essa busca de informações foram: 1. Livros, onde procuramos respostas para as perguntas: -O que são óxidos? -Como os óxidos são classificados? 2. Provas de vestibular da UFBA, UNEB e UESC, de onde selecionamos perguntas distintas, relacionadas com o óxido de alumínio, e analisamos o modo como a pergunta for formulada; no caso da pergunta feita pela UFBA, analisamos também a resposta dada, por solicitação nossa, pela comissão examinadora e a resposta divulgada no site de um colégio de Salvador. 3. As respostas dadas, pelos participantes da II Olimpíada Baiana de Química, à pergunta: “Óxidos são classificados como ácidos, básicos ou neutros de acordo com o comportamento em água. São ácidos ou básicos aqueles que reagem com a água e os que não reagem são neutros. Com base nessa informação, diga se a afirmação a seguir é VERDADEIRA ou FALSA e justifique sua resposta: ‘Óxido de alumínio não reage com água, portanto é um óxido neutro’”.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: 1. Os dados obtidos a partir da consulta aos livros mostram que todos definem óxidos corretamente e os classificam como ácidos, básicos, neutros e anfóteros, mas não deixam claro o critério usado para classificar. Assim, a classificação é meramente informativa e sempre associada com exemplos, dando a entender que a classificação é feita de acordo com os elementos ali representados. Assim, os óxidos básicos são relacionados aos óxidos iônicos e formados de metais com oxigênio; os óxidos ácidos são relacionados aos óxidos moleculares e formados por ametais; os óxidos neutros são referidos como aqueles que não reagem nem com água nem com ácidos nem com bases, e citam exemplos clássicos como se esses fossem os únicos; os óxidos anfóteros são referidos como aqueles que não reagem com água, mas reagem com ácidos e bases, e citam exemplos também como se fossem os únicos. Pronto, a classificação é apenas informada e de modo bem fechado. 2. Nas provas de vestibular esse conteúdo – óxidos – é avaliado de modo distorcido ou equivocado: afirma-se que o óxido de alumínio é neutro em água” esperando que o aluno responda que a afirmativa está errada ou, como ocorreu em outra prova, na qual pergunta se o óxido de alumínio fundido conduz a corrente elétrica, esperando uma resposta verdadeira, por este ser formado de metal com oxigênio, portanto, um composto iônico. Se assim fosee, seria um óxido básico! 3. Na questão da Olimpíada, das 417 respostas analisadas, 240 foram dadas como verdadeiras e 177 falsas. Das verdadeiras, mais da metade estava justificada de um modo que não tinha nada a ver com a pergunta; das falsas, 59 disseram que é básico, 58 disseram que é anfótero e 22 que é ácido. Nesse caso, cerca de 80% dos participantes ignoraram a informação dada na pergunta.

CONCLUSÕES: Os resultados e análise dos mesmos permitem concluir que o conceito e a classificação de óxidos são apenas informados aos alunos do nível médio. Os livros enfatizam exemplos para os alunos memorizarem. Os professores enfatizam a identificação dos elementos que formam a substância para, a partir disso, os alunos concluírem o tipo de óxido. Como o critério não fica claro e nem é discutido, o aluno vai classificando de qualquer jeito sem a preocupação de verificar se sua resposta está coerente com o fato experimental, que é o que determina a classificação.

AGRADECIMENTOS:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: COLL, C. et al. Os conteúdos na Reforma. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda., 1998.