ÁREA: Ensino de Química

TÍTULO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO EJA: É MAIS FÁCIL FAZER COLA COM QUÍMICA DO QUE "COLAR " EM QUÍMICA

AUTORES: MESSEDER, J. C. (CEFETEQ) ; FERNANDES, E. C (CEFETEQ)

RESUMO: Este relato de experiência baseou-se em uma atividade com o intuito de promover a integração teoria-prática, visando a aprendizagem significativa de conteúdos de química em uma turma de EJA. Neste trabalho, apresentou-se uma proposta de aula prática utilizando materiais e reagentes de baixo custo. Abordaram-se conceitos básicos de proteínas e outros componentes do leite, através da obtenção da cola de caseína. O estudo foi realizado junto a alunos de 7ª série de uma turma EJA (RJ). Sistematizar o ensino, priorizando a forma de organização do conhecimento, incorporando as atividades experimentais, trabalhadas em termos de situação do cotidiano a resolver, nos parece uma estratégia efetiva para a promoção da aprendizagem significativa de conceitos quimicos em nível de ensino fundamental.

PALAVRAS CHAVES: eja; ensino experimental; cola de caseína

INTRODUÇÃO: A experimentação em sala de aula no ensino de química vem sendo defendida por diversos pesquisadores da área de ensino como uma importante ferramenta, capaz de complementar o conteúdo ensinado, visto hoje como sendo de fundamental importância no processo ensino-aprendizagem (ZANON, 1995). Thomaz (2000) coloca que vários pesquisadores defendem que o trabalho experimental é um meio por excelência para a criação de oportunidades para o desenvolvimento dos alunos. Também afirma que caso se pretenda que os alunos estejam motivados para a execução de trabalhos experimentais, em qualquer nível de ensino, é preciso que a tarefa que os professores lhes proporcionem seja apelativa, que constitua um desafio, um problema ou uma questão que o aluno veja interesse em resolver, que se sinta motivado para encontrar uma solução. As aulas práticas permitem que os alunos manipulem objetos e idéias, negociem significados entre si e com o professor durante a aula. Muitas vezes, os professores justificam a falta de aulas experimentais como conseqüência das dificuldades cotidianas, como ausência de local apropriado (o laboratório), de material e equipamento. Este trabalho norteou-se com a realização de uma aula prática, na qual vários conceitos químicos e biológicos foram abordados para a compreensão da composição química do leite, com a obtenção de uma cola de caseína, na busca de uma interdisciplinaridade aplicada (FERREIRA, 1997). Verificou-se que tal atividade despertou a atenção de alunos do EJA para o binômio Ciência e Cotidiano. No relato de experiência de uma futura professora de química pode-se diagnosticar a real a integração teoria/prática no ensino, na compreensão dos conceitos científicos e no desenvolvimento de competências durante a realização de uma atividade prática.

MATERIAL E MÉTODOS: A metodologia empregada para a realização da pesquisa foi basicamente qualitativa, com alguns indicadores quantitativos de desempenho dos alunos em avaliações formais. A prática foi realizada durante uma aula de noventa minutos em duas turmas de 7ª série do EJA. Primeiramente, os alunos formaram grupos com cinco componentes cada, num total de seis grupos por turma. Foi ministrada uma aula teórica de 20 minutos, para que eles pudessem se situar no conteúdo abordado. Todos os alunos receberam um roteiro da atividade, com as seguintes informações:
Esprema o limão e coe o suco utilizando uma peneira . Adicione 5 mL de suco de limão a 125 mL de leite desnatado e agite bem.Coloque um pedaço de pano sobre o copo descartável e coe a mistura de caseína e soro obtida. Este procedimento é lento e poderá ser acelerado se pequenas quantidades da mistura forem adicionadas. Após a separação da caseína, que deverá ter consistência semelhante a de um queijo cremoso, adicione o bicarbonato de sódio e misture bem até que a mistura se torne homogênea. Em seguida acrescente aproximadamente 10 mL de água e mexa até que toda a massa seja dissolvida. A reação do ácido restante (do limão) com o bicarbonato de sódio deverá produzir uma pequena quantidade de espuma que em pouco tempo se desfaz.
No decorrer da prática, foram esclarecidas algumas dúvidas. Em um primeiro momento, o trabalho envolveu a integração dos alunos e discussão sobre a relação entre o tema previamente estudado em sala de aula e o experimento. Em um segundo momento, a atividade experimental, em si, foi desenvolvida; os alunos foram levados a desenvolver uma discussão, tentando relacionar aquilo que observam no experimento com o conteúdo teórico correspondente com os fenômenos que pudessem ser observado no seu dia a dia.


RESULTADOS E DISCUSSÃO: A montagem dos aparatos para o desenvolvimento da atividade experimental foi feita previamente pela professora, em sala de aula. Os alunos foram instados, ao longo da execução do experimento a estabelecer a relação conteúdo teórico/prática experimental. Os dados tomados com a observação participante e aqueles especificamente referentes ao desenvolvimento da atividade experimental, foram registrados em um “diário de bordo” o qual foi escrito logo após a realização da aula, onde se registrou todos os eventos importantes ocorridos durante o desenrolar da aula. Este diário mostrou-se bastante útil para dar suporte a análise e interpretação dos dados obtidos. O estudo baseou-se no fato de que o conhecimento dos alunos a respeito de fenômenos químicos, tal como são reconhecidos no dia a dia, são explicitado por eles através de uma linguagem própria, diferente do discurso cientifico. Dessa forma, na aula prática executada, houve o relacionamento do conhecimento prévio dos alunos ao conhecimento cientifico em questão, com uma linguagem acessível e com o suporte da atividade experimentais.Os materiais e aparatos/montagens experimentais utilizando materiais facilmente encontrados em ambientes domésticos possibilitou a integração às exposições teóricas procurando levar o aluno a estabelecer relação com os fenômenos químicos presentes no seu cotidiano e também no seu “possível” conhecimento prévio sobre o assunto. Tal procedimento buscou facilitar a aprendizagem significativa dos conteúdos em questão para, consequentemente, alcançar um melhor desempenho dos alunos nas avaliações em aula teóricas.


CONCLUSÕES: O uso de experimentos como componente essencial nas estratégias de ensino de química sido destacada por professores e alunos como uma das maneiras mais frutíferas de se minimizar as dificuldades de aprender e de ensinar química de modo significativo. O relato de experiência apresentado também aponta nessa direção. Foi comprovado que ensino tradicional não desenvolve capacidades científicas nos futuros cidadãos; tal ensino tende apenas a estimular uma participação passiva dos alunos no processo ensino-aprendizagem. O cotidiano leva à uma familiarização da Ciência pelos alunos.

AGRADECIMENTOS: À direção do CIEP 390 – Chão de Estrelas, em Nova Iguaçu - RJ, por permitir a realização deste projeto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: FERREIRA, L.H., RODRIGUES, A.M.G.D., HARTWIG, D.R., DERISSO, C.R. Qualidade do leite e cola de caseína. Química Nova na Escola, São Paulo, nº 6, Novembro 1997, p.32-33.

THOMAZ, M. F. A experimentação e a formação de professores de ciências: uma
reflexão. Caderno Brasileiro de Ensino de Física,v.17,n.3: p.360-369, 2000.

ZANON, L.B., PALHARINI, E.M. A química no ensino fundamental de ciências. Química Nova na Escola, São Paulo, nº 2, Novembro 1995, p.15-18.