ÁREA: Química Tecnológica

TÍTULO: Determinação de acroleína (2-propenal) em aguardentes de cana por cromatografia líquida de alta eficência (CLAE)

AUTORES: MASSON, J. (IFMT) ; CARDOSO, M. G. (UFLA) ; ZACARONI, L. M. (UFLA) ; LIMA, G. A. R. (UFMT) ; ANJOS, J. P. (UFLA)

RESUMO: Neste estudo, foi avaliado o teor de acroleína (propen-2-al) por HPLC (High Performance Liquid Chromatography), a graduação alcoólica, o teor de cobre e acidez volátil por via úmida em 71 amostras de aguardentes de cana procedentes de alambiques de pequeno e médio porte das regiões norte e sul de Minas Gerais (Brasil). Do total de amostras analisadas, 9,85% apresentaram teores de acroleína; 21,00% teor em cobre e 8,85% acidez volátil, acima dos limites estabelecidos pela legislação Brasileira. O método utilizado para determinação da acroleína em aguardente de cana foi a derivação das amostras com 2,4-dinitrofenilidrazina (2,4-DNPH) e posterior análise por HPLC.

PALAVRAS CHAVES: aguardente de cana, acroleína, hplc

INTRODUÇÃO: 1. Introdução
A competitividade é uma preocupação constante dos organismos econômicos abrangendo também o setor do agronegócio onde o produtor deve estar atento para não perder mercado. Entre os produtos representativos do agronegócio brasileiro, a aguardente de cana está em destaque por ser o Brasil o único país produtor desse destilado no mundo com aumento crescente da exportação.
A aguardente de cana apresenta uma produção de aproximadamente 1,5 bilhão de litros/ano, um faturamento anual de mais de U$ 600 milhões, com um crescimento esperado de 27% nas exportações, sendo os países europeus os maiores importadores e o Estados Unidos com participação de 10,46% (Sebrae, 2008).
As substâncias álcool metílico (metanol), carbamato de etila (uretana), acroleína(propen-2-al), álcool sec-butílico (butan-2-ol) e álcool butílico (butan-1-ol) são considerados contaminantes orgânicos na aguardente de cana pela Legislação Brasileira (Brasil, 2005). A incidência desses compostos na bebida é comum, podendo influenciar negativamente na sua qualidade. A presença de compostos carbonilados em bebidas alcoólicas está relacionada com sintomas, como náusea, vômito, inquietação, suor, queda na pressão e dores de cabeça (Andrade et al., 1996). Por esses motivos, o interesse na investigação do teor desses compostos em alimentos e bebidas alcoólicas ou não-alcoólicas tem aumentado (Nascimento et al., 1977). Além do efeito à saúde, aldeídos e cetonas afetam as características sensoriais dos alimentos e bebidas. A acroleína é extremamente tóxica por todas as vias de administração e tem mostrado características mutagênicas, além de provocar irritação no trato respiratório. A determinação do teor desta na bebida faz-se necessário para garantir a qualidade da bebida.

MATERIAL E MÉTODOS: 2.Material e métodos
Foram analisadas 33 amostras de aguardentes de cana da região norte e 38 da região sul de Minas Gerais. Purificou-se 2,4-Dinitrofenilidrazina e a derivou em 2,4-Dinitrofenilidrazina de acroleina, seguindo a metodologia de Shriner et al., (1983). Para a derivação das amostras preparou-se em um balão volumétrico de 100 mL uma solução dissolvendo 0,4 g de 2,4-Dinitrofenilidrazina purificada com acetronitrila. Em um frasco à parte, adicionaram-se na seqüência 1,0 mL da solução de 2,4-Dinitrofenilidrazina, 4,0 mL da amostra de aguardente de cana e 50 microlitro de ácido perclórico (HCLO4) a 1,0 M. A solução resultante foi agitada e mantida a temperatura ambiente por aproximadamente 45 minutos. As amostras derivadas foram filtradas em filtros de membranas de polietileno 0,45 Milipore e 20 microlitro da solução foi injetado no sistema CLAE para análise, todas em triplicata, empregando coluna Shimadzu C18 (25 x 4,6 mm x 5 µm), fluxo de 1 mL/min, gradiente de eluição: metanol-água (70:30 v/v) por 5,0 min; metanol-água (85:15 v/v) em 2,0 min, metanol-água (90:10 v/v) em 2,0 min, metanol-água (70:30 v/v) em 3,0 min. As análises de acidez volátil, cobre e graduação alcoólica foram realizadas em triplicata de acordo com as metodologias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Brasil, 2005).

RESULTADOS E DISCUSSÃO: 4.Resultados e discussão
Não foi observado diferença significativa entre as amostras do norte(NM) com as do sul(SM) de Minas Gerais; entretanto, o teor de acroleína variou de 0 a 25,97 mg/100 mL de etanol, com concentração média de 2,30 mg/100 mL. Das 33 amostras do NM e das 38 amostras do SM, 12,12% e 7,89%, respectivamente, estão acima do limite de 5 mg/100 mL estabelecido pela Legislação Brasileira (Brasil, 2005). Nascimento et al. (1997) observaram valores para acroleína de 0 a 0,660 mg/100mL de etanol em 56 amostras de aguardente de cana de várias estados do Brasil. Posteriormente, Nascimento et al. (1998), analisando 35 amostras de aguardente de cana, encontraram um teor médio de 0,094 mg/100 mL de etanol para a acroleína, valores bem abaixo dos encontrados neste trabalho. Quanto a graduação alcoólica, 23,68% das amostras do SM e 3,03% do NM estavam abaixo do limite mínimo de 38%.Os valores médios encontrados para a concentração de cobre foram de 3,01 (NM) e 4,64 mg/L (SM), ocorrendo diferença significativa para as aguardentes de cana da região norte e sul, com valores variando de 0,12 a 8,38 mg/L e 0,96 a 19,40 mg/L, respectivamente, estando 21% do total de amostras acima do limite máximo de 5 mg/L. O teor médio para acidez volátil em ácido acético foi de 79,12 mg/100 mL de etanol para as amostras do NM e 89,96 mg.100 mL-1 de etanol para as do SM, sendo que 9,85% do total das amostras apresentaram teor acima do limite máximo permitido de 150 mg/100 mL de etanol.

CONCLUSÕES: Conclusões
Das 71 amostras estudadas, 9,85%; 21,00% e 8,85% apresentaram teores de acroleína, cobre e acidez volátil respectivamente, acima dos valores limites estabelecidos pela legislação brasileira. E, 26,71% apresentaram graduação alcoólica abaixo do limite mínimo estabelecido pela Legislação Brasileira.

AGRADECIMENTOS:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: Andrade, J. B. de; Bispo, M. S.; Rebouças, M. V.; Carvalho, M. L. S. M.; Pinheiro, H. L. C. Spectofluorimetric determination of formaldehyde in liquid samples. American Laboratory, (28), 56-58, 1996.
Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento. Instrução normativa nº 13, de 29 de junho de 2005. Diário Oficial da União, Brasília, n. 124, 30 jun. Seçao I, 2005.
Nascimento, R. F.; Marques, J. C.; Lima-Neto, B. S.; Keukeleire, D.; Franco, D. W. Qualitative and high-performance liquid chromatographic analysis of aldehydes in Brazilian sugar cane spirits and other distilled alcoholic beverages. Journal of Chromatography A, 782, 13. 1997.
Nascimento, R. F.; Cardoso, D. R.; Lima-Neto, B. S.; Franco, D. W.; Faria, J. B. Influência do alambique na composição química das aguardentes de cana-de-açúcar. Química Nova, v. 1 (6), 735-739, 1998.
Shriner, R. L.; Fuson, R. C.; Curtin, D. Y.; Morril, T. C. Identificação sistemática dos compostos orgânicos. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1983. 148 p.
SEBRAE. Evolução histórica do mercado de cachaça. 2008. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br>. Acesso em: 20 out. 2009.