DETERMINAÇÃO DE MACROCOMPONENTES DO MELÃO (Cucumis melo L.) NAS VARIEDADES AMARELO E PELE DE SAPO COMERCIALIZADOS EM SÃO LUÍS-MA

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Alimentos

Autores

Mendes Filho, N.E. (UFMA) ; Cardoso, D.T. (UFMA) ; Pereira Neto, E.P. (UFMA) ; Lobato, R.C. (UFMA)

Resumo

O melão (Cucumis melo L.) é um fruto que se apresenta em grande diversidade e é muito consumido in natura, como ingrediente de saladas ou até mesmo na forma de suco. O trabalho tem por objetivo determinar os macrocomponentes do melão em duas variedades, amarelo e pele de sapo, comercializados em São Luís – MA. Para isso realizou-se análises físico-químicas para os parâmetros umidade, cinzas, lipídios, proteínas, carboidratos e valor energético nas duas variedades do melão, utilizando-se a metodologia recomendada pelo instituto Adolf Lutz. Os valores obtidos para os parâmetros realizados foram acentuadamente superiores aos de referência, porém considerados normais, ou seja, não interferindo na qualidade ou no valor nutricional do melão.

Palavras chaves

MELÃO; MACROCOMPONENTES; PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICO

Introdução

O melão (Cucumis melo L.) é uma olerícola de grande expressão econômica, cultivada em várias regiões do mundo devido a sua adaptação em vários solos e climas. No Brasil, o Nordeste destaca-se como sendo uma das principais regiões produtoras de melão, apesar de alguns fatores climáticos, como pluviosidade, desfavorecimento do desenvolvimento da cultura (MENDONÇA et al., 2004), mas atualmente contornado pela agricultura irrigada (SEAGRI, 2003). A umidade de um alimento está relacionada com sua estabilidade, qualidade e composição, e pode afetar o armazenamento e o processamento (CHAVES et al., 2004); enquanto que a composição das cinzas corresponde à quantidade de substâncias minerais presentes nos alimentos e são consideradas como medida geral de qualidade (CHAVES et al., 2004). A importância da análise do teor protéico em alimentos é seu uso em rotulagem nutricional. O conhecimento das características físico-químicas destes frutos é de grande importância sabendo-se que a qualidade sensorial e nutricional do fruto são fatores determinantes para uma boa comercialização e aceitação pelo consumidor. O objetivo deste trabalho é a determinação de macronutrientes através de análises físico-químicas no melão nas variedades amarelo e pele de sapo adquiridos em supermercados de São Luís - MA.

Material e métodos

A coleta do melão foi realizada em diferentes supermercados da cidade de São Luís – MA, no período de setembro a novembro de 2018. Os melões coletados estavam em estado de maturação completo e com polpa firme. Após as coletas serem feitas foram imediatamente transportadas para o Laboratório de Análises Físico- químicas do Programa de Controle de Qualidade de Alimentos e Água da Universidade Federal do Maranhão – PCQA-UFMA. A polpa do fruto foi extraída com auxílio de faca, desprezando-se casca e sementes, aproveitando-se toda a polpa, imediatamente cortadas em pequenos pedaços e armazenados em potes de plástico para as posteriores análises. Nessas polpas das duas variedades do melão foram determinadas as análises físico-químicas, a saber: umidade, cinzas, lipídios, proteínas, carboidratos e valor energético de acordo com as metodologias propostas pelos métodos físico-químicos para análise de alimentos do Instituto Adolfo Lutz (2008). As análises foram realizadas em triplicata.

Resultado e discussão

Na tabela 1 são apresentados os resultados de todos os parâmetros e comparados com os dados de literatura. Para o parâmetro umidade, a variedade melão amarelo foi a que mais se aproximou dos encontrados pelo (IBGE, 1999), (TACO, 2008), (INCAP, 2007), tendo uma média de 90,06 g/100g. Na determinação de cinzas (resíduo mineral fixo), os resultados encontram-se dentro dos padrões com a variedade do melão amarelo apresentando 0,30 g/100g e pele de sapo 0,41 g/100g. Verificou-se que o valor de cinzas para o melão pele de sapo encontrou-se próximo dos valores de todas as tabelas, exceto com a tabela de (FRANCO, 2008), e o valor da variedade do melão amarelo se aproximando apenas da tabela INCAP. Comparando os valores de lipídios observa-se que o resultado do melão pele de sapo (0,14 g/100g) esta mais aproximado ao da literatura em relação ao resultado do melão amarelo (0,05 g/100g), cujo valor mostra-se inferior à maioria dos dados referenciados, sendo superior apenas ao valor da tabela TACO. O valor de proteínas encontrado para o melão amarelo (073 g/100g) está mais próximo que o valor do melão pele de sapo (1,46 g/100g) comparando com os da literatura, que ultrapassam os valores em mais do dobro nas tabelas do IBGE e TACO, aproximando-se apenas da tabela INCAP. Os valores encontrados para carboidratos mostraram-se um pouco acima dos valores de referência, sendo que a variedade melão amarelo (8,84 g/100g) mostrou valor mais próximo da tabela USDA. Os resultados dos valores energéticos nas duas variedades também ultrapassam os valores de referência, com a variedade amarelo apresentando um valor de 38,79 kcal/100g e pele de sapo 48,61 kcal/100g.

figura 1

Valores médios dos parâmetros físico-químicos do melão nas variedades amarelo e pele de sapo e os dados da literatura utilizados como referê

Conclusões

Com relação aos parâmetros umidade, cinzas e lipídios, as duas variedades do melão mostraram valores normais e satisfatórios quando comparados aos da literatura. Para os parâmetros, proteínas, carboidratos e valor energético, os valores se apresentaram de forma consideravelmente distante, ora acima ora abaixo dos valores tidos como referência para as duas variedades do melão, o que revela a necessidade de mais trabalhos serem realizados em diferentes variedades do fruto para que valores dos trabalhos atuais como este possam atingir maior confiabilidade.

Agradecimentos

Ao Programa de Controle de Qualidade de Alimentos e Água (PCQA) do Departamento de Tecnologia Química da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Referências

CHAVES, M.C.V.; GOUVEIA, J.P.G.; ALMEIDA, F.A.C.; LEITE, J. C.A.; SILVA, F.L.H. Caracterização físico-química do suco de acerola. Revista de Biologia e Ciências da Terra, Campina Grande, v. 4, n. 2, 2004.
FRANCO, G. Tabela de Composição Química de Alimentos. 9ª ed. São Paulo: Editora Atheneu,307 2005.
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Tabela de composição de alimentos. 5. ed. Rio de Janeiro-RJ: IBGE. p. 137, 1999.
INCAP. Tabla de Composisición de Alimentos de Centroamérica./INCAP/Mechú, MT (ed); Méndez, H. (ed). Guatemala: INCAP/OPS, 2007. 2ª. Edición. Viii – 128 pp.
INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas analíticas, métodos químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. São Paulo: Instituto Adolfo Lutz, v. 1,p. 533, 1985.
MENDONÇA, F.V.S.; MENEZES, J.B.; GUIMARÃES, A.A.; SIMÕES, A. do N.; SOUZA, G.L.F.M. Armazenamento de melão amarelo, híbrido RX 20094, sob temperatura ambiente. Horticultura Brasileira, Brasília, v.22, n.1, p. 76-79, 2004.
SEAGRI. Secretaria de Agricultura e Pecuária. Produção e exportação de melão do Ceará - Safra 2003-2004. Fortaleza, 2003.
TACO. NEPA – UNICAMP, FINEP. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos. ANVISA. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Saúde. BRASIL. 4 ed: revisada e ampliada. Campinas, 2011.
USDA, National Nutrient Database for Standart. Realease 24, 2011. Disponível em: <http://www.nal.usda.gov./fnic/foodcomp/cgi-bin/listednutedit.pl>. Acesso: 10 de agosto de 2019.

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