Análise comparativa da quantificação de compostos fenólicos e atividade antioxidante em mel Jandaíra florada silvestre (Melipona Subnitida D.)

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Alimentos

Autores

Ribeiro, S.G.O. (UECE) ; Liberato, M.C.T.C. (UECE) ; Silva, D.C.C. (UECE) ; Nascimento, A.B. (UECE) ; Barbosa, K.L. (UECE) ; Sales, K.L.S. (UECE) ; Vasconcelos, A.V. (UECE) ; Aguiar, G.C. (UECE)

Resumo

O mel apresenta além de um sabor agradável uma variedade de propriedades que o tornam muito apreciado e utilizado no mundo todo. Nesse contexto essa pesquisa tem como objetivo avaliar as propriedades secundárias do mel de Jandaíra (Melipona Subnitida D.) florada silvestre, através do teor de compostos fenólicos e atividade antioxidante em comparação com valores conhecidos na literatura. O mel Jandaíra demonstrou valores inferiores de flavonoides aos relatados na literatura com um teor de 1,12±0,06 EQ/100g, já na avaliação de fenóis totais o mel de Jandaíra apresentou um teor elevado de 137,13±2,68 mg EAG/100g comparado ao observado por outros autores, já a atividade antioxidante apresentou uma eficácia superior ao relatado na literatura com a média de 37,52±1,62 (IC50) mg/ml.

Palavras chaves

Mel; Melipona Subnitida D.; Compostos fenólicos

Introdução

Mel é o produto alimentício produzido pelas abelhas partir do néctar das flores, sua composição é variável dependendo do tipo de planta, do clima e condições ambientais e principalmente da espécie de abelha. A abelha Melipona Subnitida Ducke é uma espécie de abelha sem ferrão oriunda da caatinga, responsável por um mel de coloração mais clara e mais líquido do que os méis de abelhas com ferrão. Apreciado por suas propriedades terapêuticas e sabor único o mel de Jandaíra (Melipona Subnitida D.) carece de pesquisas mais aprofundadas sobre suas propriedades. O objetivo desse trabalho foi quantificar os teores de compostos fenólicos (flavonoides e fenóis) e a atividade antioxidante do mel Jandaíra florada silvestre em comparação com resultados relatados na literatura.

Material e métodos

Para a quantificação do teor de flavonoides foram diluídas 5g de mel para um balão de 25mL com água, em seguida 2mL dessa solução foi adicionado a 1mL da solução de AlCl3 2,5% em balões de 25mL em triplicata o volume foi preenchido com água destilada, as triplicatas ficaram no escuro por 30 minutos e a leitura foi feita em espectrofotômetro a 415nm. Na análise de fenóis foi empregado o método de Folin-Ciocalteu. Pesou-se 5g de mel que foi diluído em 50mL de água destilada, 0,5 mL dessa solução foram adicionadas à três tubos de ensaio, em seguida foi acrescentado 2,5mL da solução de Folin-Ciocalteu 0,2N. Após 5 minutos adicionou-se 2,5mL da solução de Na2CO3 75%, as amostras foram deixadas no escuro por 2 horas, ao término desse período a leitura foi efetuada em um espectrofotômetro a 760nm contra um branco de água destilada, Os resultados foram expressos em mg EAG (equivalente em Ácido Gálico) por grama de mel. Para determinar atividade antioxidante foi utilizado o radical estável 1,1-diphenil-2-picril-hidrazil (DPPH) de coloração púrpura, para calcular se os antioxidantes presentes na amostra são capazes de reduzi-lo à 1,1-difenil-2-picrilhidrazina que apresenta uma cor amarelada. Em um tubo foram adicionadas 3,9mL da solução metanólica de DPPH em seguida foram adicionadas 0,1mL da amostra na concentração a ser testada. A absorbância foi medida a 515nm os resultados foram expressos em IC50 (mg/mL), as análises foram realizadas em triplicata. A atividade antioxidante foi calculada: % Inibição = [(absorbância do branco – absorbância da amostra) /absorbância do branco] x 100. A média de triplicatas IC50 (concentração que causa 50% inibição) para cada amostra foi determinada graficamente (BLOIS, 1958; BRAND- WILLIAMS et al, 1995).

Resultado e discussão

Segundo Marcucci; Woisky; Salatino,(1998), o alumínio, na forma iônica, reage com flavonoides contidos na amostra em metanol formando complexos que em uma análise no esfectrofotômetro na faixa de 425nm possibilita determinação da quantidade de flavonoides na amostra. A quantificação desses compostos se deu por uma curva usando como parâmetro a quercetina, onde a absorbância é relacionada com o teor de flavonoides das amostras, a equação utilizada foi y = 6,6261x + 0,0244, os resultados foram obtidos em EQ (Equivalente em Quecertina) /100g. Em virtude disso o mel de Jandaíra apresentou teores de flavonoides de 1,12±0,06 inferiores aos apresentados por Araújo (2014) de 2,2 ± 0,9 para um mel derivado também de uma abelha Melipona Subnitida D.. Em relação ao teor de fenóis totais Sousa et.al, (2007) afirma que o reagente de Folin-Ciocalteu consiste de mistura dos ácidos e o tungstênio e molibdênio que reduzem na presença de certos agentes redutores, como os compostos fenólicos, formando molibdênio azul e tungstênio azul, que a partir da absorção da radiação a 760nm é possível determinar a concentração das substâncias redutoras. A curva de calibração utilizada foi a equação: y = 0,2148x - 0,0122 onde Y é a absorbância medida e X a concentração de fenóis totais identificado na amostra em ppm de EAG (Equivalência de Ácido Gálico), observou-se que os resultado obtido do mel Jandaíra florada silvestre 137,13±2,68 foi superior que o observado por Araújo (2014) de 88,3 ± 11,1. Em relação a atividade antioxidante o mel de Jandaíra florada silvestre apresentou um IC50 melhor que o descrito por Araújo (2014).

Resultados mel jandaíra florada silvestre

Resultados comparativos do mel Jandaíra florada Silvestre com os obtidos na literatura

Conclusões

A partir dos resultados expostos pode-se concluir que o mel de Jandaíra florada silvestre derivado de abelhas da espécie Melipona Subnitida D. em comparação com o mel apresentado por Araújo (2014) derivado também de abelhas Melipona Subnitida apresentou resultados significativamente bons, principalmente em relação ao teor de fenóis e no sequestro do radical DPPH, demonstrando então ser um ótimo antioxidante.

Agradecimentos

Agradeço a UECE, ao Laboratório de bioquímica e biotecnologia (LABBIOTEC) e ao Laboratório de química e produtos naturais (LQPN) onde foram realizados os testes. Ao CNPq/Capes pela de bolsa que ajudaram a financiar esse projeto.

Referências

ARAÚJO F. G. . Comparação das características físico-químicas e antioxidantes de méis de diferentes espécies de abelhas. Fevereiro de 2014. 66. Dissertação (Mestrado em Produção Animal) –Programa de pós-graduação em Produção Animal, Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró-RN,2014. Disponível em:https://ppgpa.ufersa.edu.br/wp-content/uploads/sites/60/2014/10/FILIPE-GOMES-DE-ARAÚJO.pdf . Acesso em: 06 de Agosto de 2019.
BRAND-WILLIAMS, W.; CUVELIER, M. E.; BERSET, C. Use of free radical method to evaluate antioxidant activity. Lebensmittel-Wissenschaft und Technologie - LWT, v. 28, n.1, p. 25-30, mar/jun.1995.
MARCUCCI, M. C.; WOISKY, R. G.; SALATINO, A. Uso de cloreto de aluminio na quantificação de flavonóides em amostras de própolis. Mensagem Doce, v. 46, p. 3-8, 1998.
SOUSA, C. M. M.; SILVA, H. R.; VIEIRA-JR ,G. M.; AYRES ,M. C. C.; DA COSTA, C. L. S.; ARAÚJO, D. S.; CAVALCANTE, L. C. D.; BARROS, E. D. S.; ARAÚJO, P. VILLAS-BÔAS, K. J.; MALASPINA, O. Parâmetros físico-químicos propostos para o controle de qualidade do mel de abelhas indígenas sem ferrão no Brasil. Mensagem Doce. 2005, nº 82, 6-16, Julho. http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/82/artigo2.htm. Acesso em:12 Jul. de 2019

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