ANÁLISE QUALITATIVA DE SÓDIO (NA) NO CREME DENTAL

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Química Analítica

Autores

Sá, H.J.F. (IFMA) ; Lemos, A.L.S. (IFMA) ; Costa, M.G.S. (IFMA) ; Avelar, R.S. (IFMA) ; Vasconcelo, N.S.L.S. (IFMA)

Resumo

O primeiro creme dental de uso comercial foi criado em 1850 primeiramente em pó e depois modificado para a forma de pasta. O consumo de sódio é um precursor de morbidade e tem se mostrado um preditor ao risco de hipertensão e doenças cardiovasculares. O objetivo deste trabalho foi verificar qualitativamente o sódio no creme dental. O produto obtido foi submetido a teste por via seca, que consiste em ensaios na chama, que são feitos utilizando-se um fio de platina limpo na chama oxidante de um bico de Bunsen. Na análise das amostras, observou-se que a parte não luminosa da chama emitiu uma luz amarela intensa, demostrando, que há a presença de quantidade consideravelmente alta de sódio no creme dental. O teste da chama se mostrou conveniente e eficiente para observação da presença de sódio.

Palavras chaves

Hipertensão; teste; espectro

Introdução

A estética dos dentes não é preocupação recente, mas desde 1860, inquietações nesse sentido têm sido descrevidas na literatura odontológica, com a utilização das mais variadas substâncias (BOAVENTURA, 2012). Segundo Silva (2001) e Trevisan (2012) o primeiro creme dental de uso comercial foi criado em 1850, nos Estados Unidos, chamado “Creme dentifrício do Dr. Sheffield”, inicialmente em pó e depois modificado para a forma de pasta, primeiramente comercializado embalado em tubo metálico flexível. Atualmente podem ser encontrados em forma de pasta pó e líquido, embora estes últimos não sejam muito comuns no Brasil. É constituído por vários compostos químicos, apresentam composição química muito diferente das primeiras utilizadas, possuem inúmeras substâncias químicas com diferentes funções (ZANINI, 2013). Um elemento que podemos encontrar no creme dental é o sódio, elemento químico de símbolo Na (Natrium em latim), de número atômico 11 e massa atômica 22,99. Esse elemento possui cor levemente prateada, é sólido na temperatura ambiente, macio e extremamente reativo com água. (BOAVENTURA, 2012). O metal citado está presente no creme dental na forma de fluoreto de sódio (NaF) que é utilizado principalmente, na prevenção contra caries dentarias e pode ser encontrado na natureza como villiaumita. O esmalte dos dentes contém uma substância denominada hidroxiapatita [Ca5(PO4)3OH] que ao reagir com o fluoreto de sódio produz a fluorapatita [Ca5(PO4)3F]. A fluorapatita adere ao esmalte do dente, conferindo- lhe uma resistência aos ácidos que provocam a cárie, provenientes da fermentação bacteriana de açucares (ZANINI, 2013). O objetivo deste trabalho foi verificar qualitativamente o sódio no creme dental, visto que este é utilizado em larga escala pela população de uma forma geral

Material e métodos

O material deste estudo foi constituído de cremes dentais comercialmente disponíveis em farmácias, drogarias e supermercados da cidade de São Luís, Maranhão. As amostras foram submetidas à análise no laboratório de química do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Maranhão- IFMA. As amostras analisadas foram de fabricantes diferentes. Após aquisição as mesmas foram mantidas em embalagem de origem e conservadas segundo orientação do fabricante até o momento das análises que foram realizadas em triplicata Identificação do Cátion Na+ A solução contendo o cátion deve ser identificada colocando-se a ponta do fio de platina na região da chama oxidante. A prova mostra-se positiva quando a chama azulada muda de cor. A temperatura da chama é suficiente para excitar uma quantidade de elétrons do sódio que emite luz ao retornarem ao estado fundamental, que podem ser detectados com considerável certeza e sensibilidade através da observação visual da chama. A cor é decorrente das transições eletrônicas, em espécies de vida curta, que são ricas em elétrons, no caso do sódio, os íons são temporariamente reduzidos a seus átomos Na+ + elétron → Na Foi colocada uma pequena quantidade de creme dental em um béquer, a qual foi dissolvida em 2 ml de água destilada, permitindo que os íons fossem dispersos facilitando a identificação, e aquecidas em cadinhos até secura, o produto obtido foi submetido a teste por via seca, que consiste em ensaios na chama que são feitos utilizando-se um fio de platina limpo na chama oxidante (azul) de um bico de Bunsen como sugerido por Trindade et al (1981) Um átomo de sódio formado na chama absorve e depois emite radiação eletromagnética com comprimentos de onda que obedecem às transições entre os níveis de energia dos átomos (BASSET, 1981)

Resultado e discussão

Na análise das amostras de creme dental observou-se que a parte não luminosa da chama do bico de Bunsen, emitiu uma luz amarela intensa como mostra a figura 1, demostrando que há a presença de quantidade consideravelmente alta de sódio no creme dental. Analisando o rotulo dos produtos estudados percebeu-se que há seis substancias em sua formulação a base de sódio, mas apesar disso não há estudos específicos que avaliem o teor de sódio em cremes dentais. O espectro da radiação eletromagnética na região do visível é mostrado pode ser observado, cada faixa de comprimento de onda da radiação corresponde a uma cor e está relacionado à diferença de energia entre estado excitado e fundamental no átomo. O consumo de sódio é um importante precursor de morbidade e mortalidade e tem se mostrado um preditor ao risco de hipertensão e doenças cardiovasculares (YANG et al., 2011). Fatores referentes à industrialização, adição de conservantes, afetam a composição de produtos. Ferreira e colaboradores. (2002) analisando sucos de uva e refrigerantes encontraram quantidades consideráveis de sódio na composição destes produtos. Em 2013, a OMS estabeleceu a meta global de redução de 30% do consumo total de sódio até 2025, e uma das ações-chave utilizadas é a redução do teor de sódio em produtos processados, no entanto, dificilmente será possível alcançar a redução necessária no consumo de sódio no Brasil, considerando o aumento do consumo de produtos ultra processados. Neste sentido, politicas públicas voltadas para o estímulo de mudanças comportamentais que visem a redução da adição de sódio em produtos industrializados desempenham papel fundamental para mudanças efetivas no padrão de consumo de sódio pela população brasileira (SOUZA, 2017).

Figura 1: Luz emite no teste da chama

Fig. 1: Luz emitida pelo cátion sódio Na+ nas duas amostras de creme dental.

Conclusões

O teste da chama se mostrou conveniente para observação da presença de sódio (Na+) nas amostras analisadas, pois é eficiente, não produz resíduo e possibilita uma análise rápida e eficaz. Pela análise da intensidade da luz emitida pelas duas amostras analisadas pode-se inferir que ambas devem apresentar teores de sódio elevados e equivalentes em suas composições. Portanto, constata-se a importância do consumidor fazer a leitura das informações contidas nos rótulos dos produtos industrializados, sendo essas informações ferramentas importantes para a promoção de sua saúde.

Agradecimentos

Referências

BOAVENTURA, J.M.C. et al. Clareamento para dentes despolpados: Revisão de Literatura e Considerações. Rev. Odontol. Univ.; 24(2): 114-22. São Paulo 2012.
TREVISAN, M. C. Saúde bucal como temática para um ensino de química contextualizado. Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de Santa Maria - 2012
FONSECA, R. S.; DEL SANTO, V. R.; SOUZA, G. B.; PEREIRA, C. A. M. Elaboração de barra de cereais com casca de abacaxi. Archivos Latino americanos de Nutrición, São Paulo, 2011.
Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2013: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_2013.pdf (acessado em 18/Ago/2019).
SOUZA, A. M. et al. Alimentos processados no consumo de sódio no Brasil. Cad Saúde Pública 2016; 32 (2): e00064615. Cad. Saúde Pública, v. 33, p. 1, 2017.
SILVA R. FERREIRA, G.A.L.. BAPTISTA, J.A. DINIZ, F.V. Química nova na escola nº 13. Química e conservação dos dentes – 2001.
TRINDADE, D. R.; GASPAROTTO, L. Ocorrencia e controle da" podridao vermelha" em raiz de seringueira no Amazonas. EMBRAPA-CNPSD, 1981.
VOGEL, A. I. Química Analítica Qualitativa. Trad. Antônio Gimero 5. ed. ver. São Paulo: editora Mestre Jou -1981.
YANG, Q. et al. Sodium and potassium intake and mortality among US adults. Arch Intern Med 171:1183-91. 2011.
ZANINI, S. M. C. Pasta de Dentes e Saúde Bucal; Instituto de Química; IQ Unicamp Projeto PIBID – 2013.

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