APLICAÇÃO DE RECURSOS METODOLÓGICOS PARA O ENSINO DA TABELA PERIÓDICA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA).

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Ensino de Química

Autores

Rosendo, L.L.F. (SME) ; Tavares, C.D.A. (CISNE) ; Oliveira, M.S.C. (UECE) ; Alves, A.S.L. (UECE)

Resumo

O perfil atual do aluno da era atual se caracteriza por ser mais dinâmico e questionador, o que exige que o professor esteja cada vez mais em buscas de novas estratégias para tornar o ensino e aprendizagem mais atraente. Não é uma tarefa fácil, pois requer que o educador esteja sempre disponível a estar em contato com a possibilidade de aprender e aplicar novas ferramentas. Diante da importância do assunto tabela periódica este trabalho apresentou uma análise sobre o uso de diferentes metodologias no ensino de química em turmas de educação de jovens e adultos - EJA, visto que nessas turmas o aprendizado de Química ainda é mais difícil. Os resultados foram satisfatórios quando se utilizou dinâmicas inovadoras em sala de aula, para construir aprendizagens significativas sobre o tema.

Palavras chaves

QUÍMICA; EJA; TABELA PERIÓDICA

Introdução

Esse ano comemoramos os 150 anos da Tabela Periódica atual, desde sonho de Mendeleev. O ensino de Química no Ensino Médio para muitos pesquisadores, como Maldaner (2000) e Schnetzler (2002) tem se configurado, entre outros aspectos, preso à matematização dos fenômenos e à memorização de uma linguagem própria dessa ciência. Esses elementos são frequentemente encontrados no discurso dos docentes que atuam no ensino regular, mas também parecem contidos no pensamento dos educadores que atuam na EJA, apesar desta modalidade possuir encaminhamentos legais e metodológicos determinados, os quais se direcionam para um ensino pedagógico diferenciado. De maneira geral, afirmam Domingos e Recena (2010), que para muitos alunos, aprender Química é decorar um conjunto de nomes, fórmulas, descrições de instrumentos ou substâncias e enunciados de leis. De acordo com Budel (2016) tudo isso já é difícil para os educandos de nível médio matriculados regularmente, mas para os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o ensino de química é ainda mais complicado. Para Bonenberger, et al. (2006) muitas vezes os alunos do EJA apresentam dificuldades e também frustrações, diante do fato de não se acharem capazes de aprender química, por considerarem uma ciência muito complexa e, por não perceberem a importância dos conteúdos dessa disciplina no seu cotidiano. Budel (2016) acredita de acordo com sua experiência profissional que de maneira geral, os alunos da EJA disponham pouco tempo de estudo, devido eles possuírem muitas responsabilidades financeiras e familiares, pois a grande maioria trabalha e responsável pelo sustento de sua família. Assim o objetivo desse trabalho foi elaborar quatro aulas diferenciadas para o conteúdo de tabela periódica.

Material e métodos

O trabalho foi desenvolvido numa escola de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para realização do estudo, o trabalho foi organizado da seguinte forma: Foram realizadas quatro aulas sobre o conteúdo de tabela periódica. O estudo foi realizado com 45 alunos de duas turmas pertencentes ao EJA. A primeira aula foi ministrada com base no ensino considerado tradicional, caracterizado por ter a explicação do professor, seguida da exposição do conteúdo no quadro. Depois da aula, foi aplicado o primeiro questionário e foi elaborado possuindo três perguntas objetivas relacionadas à explicação. A segunda aula foi experimental e em seguida foi aplicado o segundo questionário, sendo este composto por três perguntas objetivas a respeito dos elementos e substâncias que foram abordados na aula prática. No terceiro encontro foi aplicado para a turma um recurso audiovisual, um vídeo explicando a origem dos elementos e universo e a tabela periódica construída por Mendeleyev. Após esse momento, foi aplicado o terceiro questionário elaborado com três perguntas objetivas sobre o conhecimento de tabela periódica relatado no vídeo. No quarto e último momento foi feito uma proposta de aula lúdica com um jogo conhecido por dominó periódico. Tal jogo apresentou como regra a mesma estabelecida no jogo de dominó original, entretanto, às peças foram caracterizadas por apresentarem os nomes dos elementos químicos associados com os seus respectivos símbolos. Para essa última etapa não foi aplicada questionário, pois era apenas um momento de interação do conteúdo. Após essas quatro aulas e três testes, foram aplicados um último questionário que elaborado com a finalidade de obter a opinião dos alunos com relação às quatro aulas.

Resultado e discussão

Os resultados obtidos levaram a concluir que os alunos levaram bastante a sério e realmente gostaram das aulas expositivas e prática, mas não houve muito interesse pelas aulas de recurso audiovisual e lúdica. Talvez tenha assimilado melhor a compreensão do conteúdo da forma que tenha se apresentado mais concretas para eles. Foi possível perceber nas respostas dos três primeiros questionários avaliativos que houve um percentual de maior de acertos na aula tradicional e aula experimental. Os alunos se mostraram ainda mais interessados na aula experimental e assim, consequentemente, conseguiram obter um maior êxito nos testes (Gráfico 1). O percentual de acertos dos alunos em relação à identificação e simbologia dos elementos na aula prática foi muito elevado, quase 70%, esse índice indica boa assimilação do conteúdo pela proposta da aula (Gráfico 2). De maneira geral, consideraram satisfatório o uso de outras metodologias, mesmo que alguns deles não tenham participado de algumas das atividades, o que demonstra que nem sempre é necessário utilizar métodos sofisticados, mas sim ser necessário ajustar as aulas de acordo com a realidade inserida no contexto desses alunos, principalmente se tiver uma boa metodologia aplicada.

Quadro 1



Quadro 2



Conclusões

A partir do trabalho desenvolvido conclui-se que uma abordagem diferenciada permite que haja uma maior interação entre professor e aluno, o que se faz bastante necessário dentro dessa modalidade de ensino uma vez que os alunos são pessoas de uma idade mais avançada. Através da aplicação das quatro metodologias foi possível verificar qual apresentou uma abordagem mais significativa, isto é, que houve um melhor rendimento e assimilação do conteúdo por parte dos alunos e desta forma provocou maior motivação para o aprendizado.

Agradecimentos

A escola pelo apoio a realização deste trabalho.

Referências


BONENBERGER, C. J.; COSTA, R. S.; SILVA, J.: MARTINS, L. C. O Fumo como
Tema Gerador no Ensino de Química para Alunos da EJA. Águas de Lindóia, SP: [s.n.], 2006.
DOMINGOS, D. C. A. ; RECENA, M. C. P. Elaboração de jogos didáticos no
processo de ensino e aprendizagem de química: a construção do conhecimento
Ciências & Cognição (UFRJ), Rio de Janeiro, 2010 v. 15.

BUDEL, Geraldo José. Ensino de Química para a educação de jovens e adultos
buscando uma abordagem ciência, tecnologia e sociedade. 2016. 95f.
Dissertação (Mestrado em formação científica educacional e tecnológica) -
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2016. Disponível em:
<http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/1991/2/CT_PPGFCET_M_Budel%2C
%20Geraldo%20Jos%C3%A9_2016.pdf> Acesso em: 18 mar. 2018.

MALDANER, O. A. A formação inicial e continuada de professores de química
professor/pesquisador. Ijuí, RS: Ed. Unijuí, 2000.

SCHNETZLER, R. P. Concepções e alertas sobre formação continuada. Química
nova na escola n. 16,nov. 2002. Seção Espaço Aberto.

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