DIFICULDADES ENFRENTADAS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM QUÍMICA POR ALUNOS DA 1a SÉRIE DO ENSINO MÉDIO

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Ensino de Química

Autores

Luz, J.A.P. (UFCG) ; Lima, A.M. (UFCG) ; Silva, C.R.P. (UFCG) ; Neves, K.S. (UFCG) ; Venâncio, M.J.C. (UFCG) ; Cruz, J.F.S. (UFCG) ; Melo, L.M. (UFCG) ; Santos, M.J.S. (ECIT PROFESSOR LORDÃO) ; Neto, M.H.L. (UFCG)

Resumo

A química é uma ciência que necessita do interesse e dedicação para ser compreendida. Nesse sentido, o objetivo desse artigo foi realizar um diagnóstico das dificuldades enfrentadas por alunos do ensino médio em relação ao aprendizado da disciplina de química e propor possíveis soluções para esses problemas. O projeto foi desenvolvido pelo PIBID-química, onde realizou-se a aplicação de um questionário, discussões em sala de aula, aulas com diferentes metodologias e monitorias.Portanto, foi possível identificar alguns fatores que causaram desmotivação nesses alunos e a importância do professor levar diferentes metodologias de ensino para as aulas e de conhecer melhor seus alunos com o intuito de ajudá-los a se manterem mais interessados e terem um melhor desempenho.

Palavras chaves

Ensino de Química; Metodologias de Ensino; Aprendizagem

Introdução

Sirhan (2007) aponta que a Química é uma ciência abstrata e altamente conceitual, o que exige um esforço adicional para a sua compreensão. Muitos alunos vêem a química como uma ciência muito difícil de ser compreendida e que não está próxima do seu cotidiano, assim, os professores encontram dificuldades em ajudar os alunos a entenderem os conteúdos abordados. No entanto, as causas desse problema podem estar diretamente ligadas a forma como os conteúdos são apresentados, o material utilizado ou até mesmo com a empatia e dedicação do professor com a turma. O professor que demonstra dedicação na sala de aula irradia nos alunos convicção e motivação para aprender (SILVA, 2013). Muitas vezes os conteúdos são ministrados de forma descontextualizada, dificultando assim, a compreensão dos alunos que não conseguem perceber o significado ou a importância do que estudam, podendo despertar o desinteresse e a desmotivação dos mesmos. Alunos mais motivados, interessados e incentivados são mais engajados e por isso aprendem de maneira mais profunda e perene. Isso facilita na formação de indivíduos mais competentes para exercerem a cidadania e realizarem-se como pessoas, além de ajudar no desenvolvimento do potencial de cada pessoa (BZUNECK, 2009). Nesse sentido, é muito importante que o professor procure sempre inovar e levar diferentes metodologias para as suas aulas, assim ele conseguirá deixá-las menos monótonas e manter os alunos mais focados e interessados nos conteúdos. Além disso, é comum os professores de química apresentarem dificuldades em relacionar os conteúdos científicos da sala de aula com a vida cotidiana dos alunos, pois a maioria das escolas ainda trabalham com o ensino tradicionalista onde tem como contexto a cópia e a memorização, esquecendo que o principal foco das instituições é a formação de um cidadão crítico, trabalhando-se os conteúdos teóricos envolvendo práticas do dia a dia, para que ele possa usufruir do seu conhecimento no cotidiano e contribua para a melhoria de sua qualidade de vida. Contextualizar a química não é promover uma ligação artificial entre o conhecimento e o cotidiano do aluno. Não é citar exemplos como ilustração ao final de algum conteúdo, mas que contextualizar é propor “situações problemáticas reais e buscar o conhecimento necessário para entendê-las e procurar solucioná-las (PCN+, p.93). Conforme Chassot (2004, p. 29) afirma, o um modelo de ensino tradicional leva a um ensino desinteressante, sem sentido para o aluno, “fazendo-nos concordar com a hipótese de que nosso ensino de química, pelo menos em nível médio, é – literalmente – inútil. Isto é, mesmo se não existisse, muito pouco (ou nada) seria diferente.”. É importante que a escola em conjunto com os professores desenvolvam metodologias de ensino que proporcione mais interesse dos estudantes e uma melhor compreensão sobre os conteúdos, como as TIC's, que trazem inúmeras ferramentas que podem facilitar a vida e todos, tanto aluno quanto professor. com a proposta de novas metodologias os alunos poderão construir mais conhecimento, e através disso irão gerar mais motivação para aprender química. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa foi analisar o processo de ensino-aprendizagem das aulas de química da escola Orlando Venâncio, procurando identificar os fatores que motivam e desmotivam os alunos do ensino médio no processo de aprendizagem e auxiliá-los na compreensão dos assuntos abordados no decorrer da pesquisa, tanto quanto possibilitar que eles tenham um melhor desempenho e mais interesse por esta ciência.

Material e métodos

Esta pesquisa foi desenvolvida no período letivo de 2018 pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID subprojeto Química na EEEFM Orlando Venâncio dos Santos, situada na cidade de Cuité -PB, com uma turma de 35 alunos da 1a série do ensino médio. Inicialmente, foi aplicado um questionário com seis perguntas com o objetivo de analisar as concepções dos discentes e motivações em relação às aulas da disciplina de química, como também de saber a opinião deles em relação a novas possíveis metodologias e idéias que pudessem ser trabalhadas na disciplina durante todo o ano letivo. Após a aplicação do questionário houve uma discussão com os alunos, com o intuito de discutir sobre as aulas da disciplina de química e se eles estavam conseguindo compreender os conteúdos abordados. Objetivou- se também identificar as possíveis formas de ajudá-los a melhorar seu desempenho na disciplina e de mantê-los mais interessados por esta ciência. Depois da análise dos questionários e da discussão, os alunos do PIBID em conjunto com o professor supervisor, buscaram organizar maneiras de ministrar aulas mais dinâmicas e interativas nessa turma, levando em consideração as respostas dos alunos descritas no questionário e de seus relatos durante a conversa. Nesse sentido, os discentes do PIBID apostaram em aulas utilizando ferramentas didáticas como slides, vídeos, experimentos e jogos, os quais possibilitaram a esses alunos uma melhor compreensão dos conteúdos trabalhados na disciplina e um maior entrosamento da turma. Inicialmente, foram realizadas duas aulas, sobre ácidos e bases, de duração de 45 minutos cada, na primeira aula levou-se slides e vídeos para serem apresentados e relacionou-se estes conceitos com fenômenos do cotidiano dos alunos, em seguida, a segunda aula realizada foi teórica seguida pela aplicação de um experimento que possibilitou a identificação do pH de diferentes substâncias por meio da utilização de indicadores naturais e sintéticos. Além das aulas realizadas também foi criado um horário de monitoria em dois dias da semana, onde os alunos puderam tirar suas dúvidas sobre os assuntos da disciplina de química, principalmente sobre os ácidos e bases que era o conteúdo que estava sendo ministrado em sala durante a realização da pesquisa e proporcionou mais tempo para discussões sobre conteúdo. Após isso, houve a realização de uma terceira aula com a utilização de dinâmicas e jogos que possibilitaram um maior entrosamento da turma. Por fim, houve uma discussão com a turma para analisar se os alunos conseguiram sentir-se mais interessados pela disciplina após as intervenções feitas.

Resultado e discussão

A primeira pergunta do questionário tinha como intuito analisar se os discentes sentiam-se motivados a estudar em casa ou em outros ambientes fora da escola. Como mostrado no gráfico 1, apenas (14%) da turma afirmou sentir vontade de estudar em casa, essa é uma porcentagem muito pequena e alarmante, pois para se ter uma boa formação é necessário que os alunos adquiram autonomia de estudarem fora do ambiente escolar. Os alunos precisam ser mais estimulados a estudarem sozinhos e em ambientes diferentes da escola, pois adolescentes e crianças “... encorajadas a pensar ativa, crítica e autonomamente aprendem mais do que as que são levadas a obter apenas competências mínimas” (KAMII, 1986, p. 120). Porém, durante a discussão feita na sala, muitos alunos relataram sentir desinteresse por falta de tempo, já que a escola é integral e ao chegarem em casa eles sentem-se muito cansados e desestimulados a estudar. O gráfico 2 é referente a segunda pergunta do questionário, foi indagado aos alunos sobre quais metodologias eles preferiam que fossem utilizadas na aulas de química, onde a maior parte da turma (87,5%) afirmou preferir a utilização de experimentos, apenas 6,3% disse gostar mais das aulas que se utilizam jogos e outros (6,3%) prefere aulas mais tradicionais com a utilização apenas do quadro. Nesse sentido, percebe-se que a maioria dos alunos gostam de inovação e contextualização nas aulas, porém, normalmente os professores de química de ensino médio preferem ministrar suas aulas apenas de forma teórica, devido a falta de recursos ou a deficiência na formação desses profissionais, e isso pode acarretar desmotivação nos alunos, pois é necessário levar diferentes formas de abordar um assunto para proporcionar uma aprendizagem mais prazerosa e significativa para os alunos. No gráfico 3, levanta se o questionamento sobre a criação de um horário onde os alunos poderiam tirar suas dúvidas sobre conteúdos da disciplina de química. Nesse caso (42,9 %) da turma concordaram, relatando que seria uma boa ideia se ocorresse a criação da monitoria, (42,9 %) responderam como talvez, mas já (14,3 %) discordaram, afirmando que não teriam horários vagos ou disponibilidade. No gráfico 4, quando os alunos são questionado a respeito da relação entre a química e cotidiano percebe-se que a maioria da turma (78,1%) afirmou que as duas coisas atuam juntas e fazem diferença em suas vidas, conseguindo de alguma maneira perceber e entender a necessidade de aprender a química para compreender fenômenos que ocorrem no seu dia a dia. Porém, uma pequena quantidade de alunos (21,9%) ainda não vêem a importância do aprendizado de química no seu cotidiano, mostrando-se necessário ministrar-se aulas que abordam essa relação para que eles percebam a necessidade em entender certos acontecimentos no nosso dia a dia, como o preparo de um bolo, a combustão, o amadurecimento das frutas e etc. Após analisar os dados dos questionários e das discussões feitas na sala, buscou- se métodos e ferramentas que proporcionassem um momento de ensinar os conteúdos utilizando outras metodologias, como slides, vídeos, jogos e experimentos, onde seria necessário a interação dos alunos. Dessa forma, na primeira aula realizada foi utilizado data-show e slides, onde percebeu-se que os alunos não estavam tão acostumados com o usos das tecnologias e desta metodologia, alguns alunos mantiveram-se atentos às imagens e aos vídeos que foram levados, porém outros não prestaram muita atenção. Nesta aula foi possível relacionar o assuntos de ácidos e bases com o cotidiano dos alunos, mostrando alguns alimentos e substâncias ácidas e básicas que utilizamos no dia a dia. Ao fazer essa relação os alunos prestaram mais atenção, mostrando-se atentos a cada substância apresentada e perguntando sobre o pH de outras que eles utilizam no seu cotidiano. Diante dos dados levantados supracitados, surgiu também a necessidade de realizar aulas de reforço (monitoria) para a disciplina de Química, onde os alunos poderiam tirar suas dúvidas e construir novos conhecimentos, melhorando assim significativamente seu desempenho na disciplina. Na realização da primeira monitoria os estudantes não estavam tão à vontade e não levaram muitas dúvidas para serem compartilhadas e resolvidas, porém, foi possível perceber que eles estavam com muitas dificuldades em compreender alguns aspectos químicos, como por exemplo, o que é o pH e como identificar substâncias ácidas e básicas através dele. Porém, já na terceira aula de reforço foi notório o progresso da turma, eles se sentiram mais à vontade, levando dúvidas e discutindo mais entre si. Tal progresso também foi identificado durante a realização da segunda aula teórica, onde percebeu-se um maior interesse dos alunos e mais motivação durante toda discussão. A turma foi levada ao laboratório de química da escola para a realização de um experimento antes da última abordagem com a utilização dos jogos e dinâmicas. Nesse experimento, os alunos produziram o indicador com o repolho roxo e foram levadas algumas substâncias (sabão, detergente, leite, suco de limão e goiaba, vinagre, café) para identificar o pH. Muitos alunos mostraram-se assustados em descobrir que determinadas substâncias eram ácidas ou básicas, como por exemplo o café que eles pensavam ser uma base. Essa abordagem também mostrou-se muito importante devido ao alunos poderem relacionar a teoria com a prática e com o cotidiano, como relacionar o pH com substâncias que eles utilizam no dia a dia e até mesmo produzir um indicador natural. Na última aula foi levado um jogo de perguntas e respostas fundamentadas no estudo de ácidos e bases, abordando o conteúdo de forma contextualizada e aplicada no cotidiano dos alunos, onde os mesmo puderam compartilhar seus conhecimentos com os demais presente na turma. Os estudantes mostraram-se muito interessados nessa intervenção, eles puderam desenvolver algumas competências, como trabalhar em grupos para discutir e até mesmo competir entre si com o intuito de ensinar-los a ganhar e a perder. Por fim, após as abordagens realizadas foi realizado uma discussão com a turma, onde perguntou-se a eles quais as dificuldades e motivações que sentiram durante a aplicação das diferentes intervenção e o que isso proporcionou de diferente para a vida deles se comparado com o processo de ensino tradicionalista. Muitos alunos afirmaram que já estavam cansados das aulas que utilizam apenas o quadro e que após essas vivências sentiram-se mais interessados pelas aulas não só de químicas, mas também de outra disciplinas, e até mesmo de participar das monitorias. Eles também relataram ter tido mais progresso na disciplina de química, pois achavam que muito conceitos da química eram impossíveis de compreender, porém, após as intervenções perceberam que na verdade é só questão de interesse deles e de como os conteúdos são abordados nas aulas.

Gráficos 1, 2, 3 e 4

Resultados do questionário respondido pelos discentes.

Conclusões

Analisando os resultados obtidos, pode-se perceber que os alunos apresentaram dificuldades em compreender alguns conceitos triviais da química e até mesmo em associar os conteúdos trabalhados em sala de aula com o cotidiano, essa é uma entre outras barreiras que muitas vezes causam um certo desânimo nos alunos. Dessa forma, foi de grande importância observar o desenvolvimento e o rendimento dos alunos após as aulas ministrada pelos estudantes do PIBID/Química, onde se foi aplicado diferentes metodologias, que antes não eram utilizadas nas aulas, com o objetivo de gerar nos mesmos mais motivação e curiosidade em estudar a química. Portanto, é notório a necessidade dos professores conhecerem melhor as motivações e desmotivações dos alunos, pois só assim terão um melhor direcionamento de como planejar suas aulas e torná- las mais atrativas, consequentemente, será possível obter mais resultados no processo de ensino-aprendizagem, interesse e foco por parte dos alunos. Também foi possível perceber a importância do diálogo entre professores e alunos dentro e fora da sala de aula e de criar um horário de monitoria para os estudantes poderem tirar suas dúvidas e discutir mais entre si.

Agradecimentos

PIBID/CAPES/UFCG.

Referências

BZUNECK, J. A. A motivação dos Alunos em Cursos Superiores. In: PSICÓLOGO, C. D. (Ed.). Questões do Cotidiano Universitário. São Paulo, 2005. p.264.
CHASSOT, Attico. Para que(m) é útil o ensino? 2. ed. Canoas: Ulbra, 2004.
KAMII, Constance. A criança e o número. Campinas: Papirus, 1986.
PARÂMETROS Curriculares Nacionais (PCN) – Ensino Médio; Ministério da Educação, 1999.
SILVA, S. G. As Principais Dificuldades na Aprendizagem de Química na Visão dos Alunos do Ensino Médio. In: IX Congresso de Iniciação Científica do IFRN. 2013.
SIRHAN, G. Learning difficulties in chemistry: an overview. Journal of Turkish Science Education, v. 4, n. 2, p. 2-20, set. 2007.

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