ENSINO DE QUÍMICA POR EXPERIMENTAÇÃO: UMA ANÁLISE DO SEU PAPEL NO ENSINO MÉDIO

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Ensino de Química

Autores

Moreira, D.S. (IFMA) ; Silva, L.S. (IFMA) ; Lima, F.J.S. (IFMA) ; Moura, J.K.L. (IFMA) ; Cantanhede, L.B. (IFMA)

Resumo

O foco deste artigo é analisar as implicações da experimentação no ensino de química no nível médio. Foi realizado um experimento sobre ácidos e bases com alunos do 2º ano do Ensino Médio do Centro de Ensino Colares Moreira, Codó-MA, utilizando produtos domésticos do cotidiano, em seguida aplicou-se um questionário para 15 alunos. Os resultados obtidos mostram a importância da experimentação como uma ferramenta facilitadora da aprendizagem, que desperta o interesse dos alunos quando trabalhada de forma significativa, no conceito de Ausubel, e como uma forma de ensino por investigação, que coloca a abordagem do ensino investigativo como elemento central para a formação do aluno, segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovado pelo Conselho Nacional de Educação em dezembro de 2017.

Palavras chaves

Ensino de Química; Experimentação; Ensino por Investigação.

Introdução

A pedagogia tradicional reflete-se nas várias áreas de ensino, como também repercutem no ensino de ciências. De acordo com CARVALHO (2013), esta forma de ensino, onde os alunos decoravam leis e fórmulas por meio da exposição direta do conteúdo, reproduzindo experimentos, perpetuou-se durante muitos anos. A Química como uma ciência tem por objeto de estudo as propriedades, características e transformações da matéria. Para SANTOS, et al. (2003) “Trata-se de uma ciência experimental”. Ao utilizar um experimento para comprovar, demonstrar ou verificar uma teoria, percebe-se o cunho tradicional das ciências, ao “mostrar” que algo é verdadeiro oferecendo uma visão dogmática da Ciência. (GONÇALVES; MARQUES, 2006). Percebeu-se que as atividades experimentais por demonstração, onde o professor quer chegar a resultados já previstos e óbvios, não são de interesse aos alunos, desmotivando-os a aprenderem a Química, impedindo a problematizações acerca do tema estudado. Isso mostra a importância de temas como Ensino por Investigação e Aprendizagem Significativa. O objetivo deste artigo é analisar quais as implicações da experimentação no ensino de química no nível médio. Logo, este tema se mostra relevante na medida em que pretende analisar e estudar como a experimentação nas aulas de química podem contribuir para o aprendizado dos alunos, principalmente com questões relacionadas ao cotidiano e também as problematizações acerca do seu uso errôneo por muitos professores. Com isso, esta pesquisa pode contribuir para ampliar a visão de profissionais da área, assim como os que estão em formação, acerca deste tema, visto que, a química trata-se de uma ciência experimental que busca a compressão da matéria que nos cerca, logo é imprescindível que seja lecionada dissociada teoria e prática.

Material e métodos

Em função da natureza do objeto de estudo desta pesquisa, foi utilizado uma abordagem quali-quantitativa dos dados obtidos focando na análise qualitativa, buscando uma interpretação geral dos fatos ao conciliar estes dois métodos de pesquisa, com procedimento de pesquisa de campo de caráter exploratório e investigativo. Segundo GIL (1999), a pesquisa exploratória tem como objetivo desenvolver, modificar e esclarecer conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas e hipóteses para pesquisas posteriores. Os dados da pesquisa, os quais resultam do fomento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), foram obtidos através da aplicação de um questionário aberto sobre um experimento de ácidos e bases, utilizando produtos comestíveis e de uso domésticos comuns do cotidiano como: repolho roxo, limão, vinagre, água sanitária, solução de bicarbonato de sódio e álcool, com os alunos do 2º ano do ensino médio do Centro de Ensino Colares Moreira, Codó-MA. O questionário foi aplicado para 15 alunos de turmas distintas. A partir disso, pretende-se ainda utilizar este procedimento em outras séries afim de verificar a eficiência do método. Aliada a estas técnicas de pesquisa, foi feita uma análise bibliográfica acerca do tema Experimentação no Ensino de Química, com análises a periódicos, livros e artigos. Esta análise possibilitou uma visão mais abrangente sobre o tema, seus usos e bases teóricas que o fundamenta. Segundo LAKATOS e MARCONI (2003, p. 183 apud MONZO, 1971, p. 32), “a bibliografia pertinente oferece meios para definir resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram suficientemente (...)”.

Resultado e discussão

Esta estratégia de ensino despertou o interesse dos alunos com o conteúdo. A realização do experimento foi bastante motivadora, porque eles mesmo protagonizaram esse momento e tiveram proximidade do conteúdo com o cotidiano. Os resultados obtidos do questionário confirmam que a experimentação tem um papel fundamental na aprendizagem dos alunos, servindo tanto como uma ferramenta que comprova a teoria, como facilitadora da compreensão do aluno que desperta a sua curiosidade (BUENO, et al, 2005). Um aluno explanou: “Quando vi a mudança de coloração das substâncias eu achei incrível e estudar as mudanças que acontecem, as reações me fez perceber que a Química é algo muito interessante e me incentivou a estudar Química”. Os resultados obtidos do questionário mostram que 53,33% dos alunos (gráfico 1) não tinham conhecimento sobre ácidos e bases antes do experimento. De acordo com a análise, observa-se que os alunos continuam presos a dados conceituais, limitando-se a definição de ácidos e bases encontradas nos livros, como a resposta desse aluno: “Não, poucas coisas que eu conhecia, não sabia o que era ácido ou base, por exemplo o sabão, eu nem imaginava que ele tinha a ver com a química”. GUIMARÃES (2009) afirma que “o educador pode trabalhar esta estratégia de ensino aliada a aprendizagem significativa, utilizando as aulas conceituais como fonte de descobertas para o aluno e em seguida associando os experimentos ao conteúdo que o aluno já vivenciou”. A análise mostra que o experimento associado ao dia a dia, como mostra a resposta de um aluno: “A gente faz várias coisas no dia a dia são relacionadas a química e nem percebemos”. Assim, na atividade experimental, a teoria serve como modelo para explicar o fenômeno que o aluno visualizou, despertando-o espírito investigador.

Gráfico 1 Conhecimentos sobre ácidos e bases

O gráfico demonstra a quantidade em percentual de alunos que conheciam sobre o conteúdo de ácidos e bases e os que não tinham esse conhecimento.

Conclusões

Pois o fato dos alunos já conhecerem os reagentes do experimento contribuíram para o aprendizado e compreensão destes sobre o conteúdo ácidos e bases. Quando o seu ensino de Química é por experimentação e contextualizado com a realidade, pode-se afirmar que é um ensino de Química para a vida, pois ela tem a função exclusiva de comprovar a teoria. A experimentação é de suma importância para o desenvolvimento científico dos alunos, sendo observado através do PIBID no C. E. Colares Moreira, também tornando críticos a análise de dados, assim tomar decisões eficientes para uma determinada situação.

Agradecimentos

Agradecemos à Capes que através do PIBID tornou essa pesquisa possível, ao Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Maranhão (IFMA)-Campus Codó e ao Centro de Ensino Colares Moreira e a todos (as) que contribuíram.

Referências

FIREMAN, E. C.; BRITO, L. O. Ensino de Ciências por Investigação: Uma Proposta Didática “Para Além” de Conteúdos Conceituais. Experiências em Ensino de Ciências v.13. N. 5. p. 462 - 479. Dezembro, 2018;
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999;
GUIMARÃES, C. C. Experimentação no Ensino de Química: Caminhos e Descaminhos Rumo à Aprendizagem Significativa. Química Nova, v. 31, n. 3, p. 198-202, 2009;
GONÇALVEZ, F. P; MARQUES, C. A. Contribuições Pedagógicas e Epistemológicas em Textos de Experimentação no Ensino de Química. Investigações em Ensino de Ciências. Vol. 11 (2); pág. 219-238; 2006;
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de Metodologia Científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003;
SANTOS. W. L. P. et al. Química e Sociedade: Modelos de partículas e poluição atmosférica. Módulo 2. São Paulo: Nova Geração, 2003.

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