ATIVIDADE INTERATIVA NO ENSINO DE FUNÇÕES ORGÂNICAS: UMA FERRAMENTA DE AUXÍLIO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM.

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Ensino de Química

Autores

Barroso Garcia, R. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; de Oliveira Pantoja, D. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Carvalho Nogueira, F. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Ribeiro dos Santos, K. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Donza Siqueira Modesto, V. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Brito Virgolino, M. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Pantoja Carvalho, M. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ)

Resumo

A química orgânica é um conteúdo extenso e com diversas classificações distintas, portanto, é identificada como complexa e muitas vezes incompreensível. Com isso, objetiva-se oportunizar a facilitação deste conteúdo por meio da aplicação de uma atividade interativa em sala de aula entre os estudantes e professores. A dinâmica foi realizada com alunos de um curso preparatório para o ENEM, o qual é um projeto de extensão e ensino vinculado à Universidade do Estado do Pará, localizado em Belém. A partir da análise dos dados, observou-se que alguns discentes ainda possuem dificuldades no reconhecimento de funções orgânicas, contudo, pôde-se perceber que as atividades interativas em sala de aula fortalecem as relações sociais e motivam os alunos no processo de ensino-aprendizagem.

Palavras chaves

Ensino de Química; Funções Orgânicas; Interatividade

Introdução

Por apresentar uma diversidade enorme de compostos, com diferenças de propriedades, devido as conexões entre os átomos, criando diversos grupos funcionais (tais como carbonilas, carboxilas e nitrilas), o estudo da Química Orgânica exige muita abstração e raciocínio (SIMÕES,2009). Desta forma, este estudo é, para muitos, considerado complexo, provavelmente pela não habilidade de relacionarem determinado tópico e sua aplicação, provocando no aluno o desestímulo pela disciplina. (SOUZA JÚNIOR et al., 2009). Neste sentido, a promoção do conhecimento e a formação de cidadãos comprometidos com os princípios sociais têm quebrado paradigmas, visando incorporar ao ensino, atividades que promovam o desenvolvimento de habilidades necessárias às práticas educacionais da atualidade (MESQUITA & MEDEIROS, 2006). De acordo com Santana (2007), essas atividades interativas oportunizam a interlocução de saberes, a socialização e o desenvolvimento pessoal, social e cognitivo. Segundo Freire (2006, p. 26) nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos transformam-se em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Sendo assim, estas estratégias são responsáveis por criar situações comunicativas no espaço da sala de aula, visando promover a interação entre os estudantes e estudantes/ professor. A partir do exposto, este trabalho tem como finalidade pontuar as principais dificuldades no conteúdo de Funções Orgânicas e oportunizar a facilitação na mediação deste conteúdo por meio de uma atividade interativa, além de incentivar a prática docente construtivista dos graduandos e contribuir no processo de ensino- aprendizagem dos alunos.

Material e métodos

O trabalho foi desenvolvido com 50 discentes participantes de um Cursinho Popular, sendo este um Projeto de Extensão vinculado à Universidade do Estado do Pará, localizado na cidade de Belém- PA. Funciona aos finais de semana e as aulas são ministradas por graduandos da Universidade. Para a realização do trabalho, a metodologia adotada dividiu-se em três etapas. No primeiro momento, foi feita uma revisão dos tipos de funções orgânicas e como reconhecê-las em moléculas específicas. No segundo momento, a turma foi dividida em 3 subgrupos, onde cada um recebeu uma apostila com os nomes usuais de 17 moléculas orgânicas e suas respectivas estruturas. A partir da identificação dos grupos funcionais, os alunos foram capazes de encontrar a nomenclatura usual de cada composto. Ao final da atividade, no terceiro e último momento, foi aplicado um questionário com o intuito de verificar o que os alunos entendiam sobre atividades interativas e se podem auxiliar no processo de ensino-aprendizagem do conteúdo de identificação de funções orgânicas.

Resultado e discussão

Com relação à metodologia aplicada, perguntou-se aos alunos o que compreendiam sobre atividades interativas, 54% responderam que auxilia na aprendizagem, 36% que a socialização em sala de aula é o foco dessa prática e 10% disseram respostas distintas, como brincadeiras em sala de aula. De acordo com Vygotsky (1994), a aprendizagem ocorre por ferramentas que favorecem atividades interativas. Para ele, a interação dos discentes é essencial para o desenvolvimento cognitivo. Do mesmo modo, perguntou-se sobre a dificuldade no reconhecimento das funções orgânicas. Dos 100% dos interrogados, a maioria, 76%, afirmaram possuir dificuldade, principalmente quando se dispõe de diversos grupos funcionais em uma só molécula. Ademais, questionou-se em que parte do conteúdo abordado os estudantes sentiam maior dificuldade. A partir do observado, 62% julgaram possuir maior dificuldade na identificação das funções, pelo fato de cada uma possuir uma regra específica. 34% disseram que o principal obstáculo era nomear o composto, sendo que cada função possui uma nomenclatura terminal diferente entre si e, somente 4% dos alunos afirmaram não ter nenhum tipo de empecilho no que se refere ao conteúdo de funções orgânicas. Outrossim, interrogou-se quanto a utilização dessas metodologias e se podem ser empregadas no ensino atual de Química nas escolas. 92% consideram essas atividades como sendo de suma importância para o desenvolvimento na disciplina, pois acarreta no aumento do interesse dos discentes com o assunto em questão, além de provocar o maior desempenho nos vestibulandos, justamente por ser algo diferente e, por serem aulas dinâmicas, o que causa uma maior interação dos alunos sobre o assunto. 8% dos educandos não souberam ou não quiseram responder.

Conclusões

A partir da análise dos dados, observou-se que alguns discentes ainda possuem dificuldades no reconhecimento de funções orgânicas, contudo com a utilização de artifícios metodológicos, como as atividades interativas em sala de aula, pôde-se perceber uma melhora significativa. Desse modo, a utilização de novas abordagens contribui para o desenvolvimento do aluno no sentido crítico- reflexivo de assimilação e compreensão do conteúdo, além de dinamizar as aulas, tornando-as mais interativas e proveitosas para o aluno e o professor.

Agradecimentos

Referências

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
MESQUITA, K. F. M.; MEDEIROS, T. J. M. M. Alternativas Didáticas para Aulas de Química no Nível Médio. XLVI Congresso Brasileiro de Química. Salvador: 2006.
SANTANA, M. E. Bingo Químico: Uma Atividade Lúdica Envolvendo Símbolos e Nomes dos Elementos. São Paulo: 2007.
SIMÕES NETO, J. E. Química Orgânica. 2 ed. Recife: Edição Própria, 2009.
SOUZA-JR., J. A.; SILVA, A. L.; MAGNO, A.; SANTOS, M. B. H.; BARBOSA, J. A. A importância do Monitor no Ensino de Química Orgânica na Busca da Formação do Profissional das Ciências Agrárias. In: XI Encontro de Iniciação à Docência da UFPB, 2009, João Pessoa. Anais do XI Encontro de Iniciação à Docência da UFPB, João Pessoa, 2009.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

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