Perfil químico e atividade antimicrobiana do óleo essencial de Hyptis suaveolens (L.) Poit.

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Produtos Naturais

Autores

Correa, T.C.V. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA) ; Barros, M.S. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA) ; Silva, M.G. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA)

Resumo

O presente estudo tem como objetivo analisar o perfil químico e a atividade antimicrobiana do óleo essencial de Hyptis suaveolens. O óleo foi produzido por hidrodestilação do tipo clevenger e o perfil químico traçado em CG/EM. A análise antimicrobiana foi realizada em placas de Petri utilizando E. coli como microrganismo indicador. Com a cromatografia foi possível a identificação de 24 substâncias presentes no óleo essencial, sendo Biciclogermacreno, cariofileno (E), Limoneno, Eucaliptol e γ-Terpineno os componentes majoritários. Nas condições experimentais, o óleo essencial apresentou baixa atividade antimicrobiana diante do microrganismo estudado. Os halos formados pelas amostras foram pequenos quando comparado ao controle positivo (Gentamicina).

Palavras chaves

Plantas medicinais ; Lamiaceae; Bamburral

Introdução

O uso de plantas para o tratamento e prevenção de doenças é encontrado em todas as culturas desde os tempos primórdios (HOSSEINZADEH et al, p. 636, 2015). As plantas são elementos essenciais para promoção da saúde, empregadas tanto para cuidados básicos como para o tratamento alternativo aos fármacos convencionais. Neste contexto, é de suma importância estudos relacionados às plantas utilizadas na medicina popular. Grande parte das espécies utilizadas são plantas aromáticas ricas em óleos voláteis, líquidos que integram o sistema de defesa (PIRAS et al, p. 90, 2018; NIETO p. 63, 2017). A espécie Hyptis suaveolens pertence á família Lamiaceae, grupo de grande valor para a medicina tradicional por possuir diversas espécies de interesse. Esta família contempla cerca de 720 espécies em todo mundo, no Brasil tem-se aproximadamente 496 espécies, sendo algumas destas endêmicas da região nordeste (PEREIRA et al, p. 21, 2015). A H. suaveolens é conhecida popularmente como alfavacão, bamburral e batônia , considerada uma espécie invasora comumente encontradas próximo a estradas e terrenos baldios (PEREIRA et al, p. 26, 2015; LORENZI et al, 2008). Na medicina popular é empregada para o tratamento de doenças respiratórias, disfunções uterinas, gastrointestinais, diabetes e cicatrizante (SILVA et al, p. 2, 2018).

Material e métodos

Para obtenção dos óleos essenciais, empregou-se o método de hidrodestilação tipo Clevenger, com o tempo de extração de 3 horas e aproximadamente 100 gramas de folhas de H. suaveolens previamente higienizadas e trituradas. Decorrido o período de extração, calculou-se o rendimento do óleo obtido, transferiu-se para frascos de vidro e armazenou-se em freezer a – 20 ºC até o momento da análise cromatográfica e da atividade antimicrobiana. A análise cromatográfica foi realizada pela técnica de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (GC/MS), utilizando-se aparelho Shimadzu CG – 17A, com detector seletivo de massa, modelo QP 5000, sob as seguintes condições experimentais: coluna capilar de sílica fundida (30 m x 0,25 mm) com fase ligada DB5 (0,25 mm de espessura de filme); temperatura do injetor de 220 °C; programação da coluna com temperatura variando de 60 a 240° C, sendo acrescidos 3 °C a cada minuto; O hélio será o gás de arraste utilizado a um fluxo de 1,5 mL.min-1. A identificação dos componentes químicos foi baseada na comparação dos espectros obtidos com os dados constantes nas plataformas Wiley7, FFNSCl.3 e NIST08 bem como na curva padrão de hidrocarbonetos. Os dados obtidos permitiram o cálculo do índice de Kovats (IK) para cada substância, para fins de comparação desses índices com literatura especializada. Para a atividade antimicrobiana optou-se pelo método de disco-difusão, com cepas de E. coli recém ativadas e meio Mueller Hinton. A amostra de óleo essencial foi analisada em triplicata na concentração de 50%. Os controles foram realizados com Gentamicina e solução de DMSO 20% no qual foi empregada na para diluição da amostra de óleo. Após o período de incubação de 18 horas a 37 ºC, registou-se com o paquímetro o diâmetro dos halos obtidos.

Resultado e discussão

A média dos rendimentos obtidos na duplicata foi de 0,3%. O baixo rendimento é um fator conhecido, estudos realizados em diferentes condições de solo e tempo de colheita, mostram rendimentos de 0,16% até 0,45% dependendo das condições impostas (MARTINS et al, p. 1205, 2006), valores próximos da média obtida. Na Análise cromatográfica dos espectros obtidos, foi possível a identificação de 24 componentes, sendo Biciclogermacreno, cariofileno (E), Limoneno, Eucaliptol e γ-Terpineno os componentes majoritários. Os resultados descritos na literatura divergem bastante não só nas concentrações de cada substância mas também nos componentes majoritários. Quanto a atividade antimicrobiana , o óleo de H. suaveolens na concentração utilizada apresentou pequena inibição frente ao microrganismo analisado. Os halos obtidos na triplicata foram de 0,62 mm, 0,25 mm e 0,52 mm, enquanto o controle positivo, realizado com gentamicina, apresentou um halo de inibição de 6,16 mm, valor muito superior ao encontrado nas amostras de óleo. O crescimento das cepas não sofreu alteração quanto ao uso do DMSO, confirmando que a atividade antimicrobiana encontrada na triplicada é advinda do óleo essencial. Resultados descritos em literatura apontam que o óleo essencial desta espécie não possui grande atividade antimicrobiana frente cepas de E.coli (NANTITANON et al, p. 35, 2007).

Conclusões

O rendimento de 0,3% obtido através da hidrodestilação, apresentou coerência com o descritos na literatura. Apesar do baixo rendimento, com a análise cromatográfica em CG/EM foi possível identificação de 24 componentes, dentre eles eucaliptol e cariofileno. A espécie hyptis suaveolens apresentou ação antimicrobiana frente ao microrganismo utilizado, porém pequena quando comparado ao antibiótico padrão. As técnicas empregadas para a realização do experimento mostraram-se eficientes, pois mesmo com a baixa ação antimicrobiana os controles positivo e negativo apresentaram os resultados esperados.

Agradecimentos

Ao Jardim Botânico de Brasília pelo empenho na identificação do material vegetal.

Referências

HOSSEINZADEH S.; JAFAR I. A.; HOSSEINI U.; ARMAND R. Saleh et al. The application of medicinal plants in traditional and modern medicine: a review of Thymus vulgaris. International Journal of Clinical Medicine, v. 6, n. 09, p. 635-642, 2015.

LORENZI, H.; MATOS F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Nova
Odessa: Instituto Plantarum, 2008.

MARTINS, F. T.; SANTOS M. H.; POLO M.; BARBOSA L. C. A. Variação química do óleo essencial de Hyptis suaveolens (L.) Poit., sob condições de cultivo. Química Nova, v. 29, n. 6, p. 1203, 2006.

NANTITANON, W.; CHOWWANAPOONPOHN, S.; OKONOGI, S. Antioxidante e Atividades Antimicrobianas do Óleo Essencial de Hyptis suaveolens . Sci. Pharm. 75 , 35-54, 2007.

NIETO, G. Biological activities of three essential oils of the Lamiaceae family. Medicines, v. 4, n. 3, p. 63, 2017.

PEREIRA, L. C. O. Caracterização química de óleos essenciais de quatro espécies da família Lamiaceae: Hyptis suaveolens (L.) Poit, Hyptis pectinata (L.) Poit, Hyptis martiusii Benth. e Rhaphiodon echinus (Nees & Mart.) Schauer. 2015.

PIRAS, A.; GONÇALVES M. J.; ALVES J.; FALCONIERI D. ; PORCEDDA S.; MAXIA A.; SALGUEIRO L. Ocimum tenuiflorum L. and Ocimum basilicum L., two spices of
Lamiaceae family with bioactive essential oils. Industrial crops and products, v. 113, p. 89-97, 2018.

SILVA, I. A. L.; LIMA R. A.; SILVA A. G.; LIMA D. S. K.; SALLET L. A. P.; TEIXEIRA C.A.D.; FACUNDO V. A. Composição química e atividade inseticida do óleo essencial de Hyptis suaveolens. 2018.

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