SCREENING FITOQUÍMICO DA FOLHA, FLOR E CASCA DA PLANTA MEDICINAL CAJUEIRO (Anacardium occidentale L.)

ISBN 978-85-85905-25-5

Área

Produtos Naturais

Autores

Silva, E.M.S. (UEAP) ; dos Santos, C.C. (UEAP) ; Silva, L.S. (IFAP) ; Cardoso, O.S. (UEAP) ; Cordeiro, J.R.S. (SEED) ; Pereira, J.P.F.N. (UEAP)

Resumo

Esta pesquisa teve como material botânico estudado algumas partes do cajueiro (Anacardium occidentale L.) que na medicina popular vem sendo utilizado para a cura de várias enfermidades. Foi realizado um screening fitoquímico para averiguar quais metabólitos se encontram presentes na folha, flores e casca da árvore. A espécie vegetal seguiu a metodologia proposta por Barbosa (2001) e Matos (1998) para a elaboração dos extratos vegetais e para a triagem fitoquímica a metodologia proposta por Barbosa (2001). Outrossim atestou-se que a coleta em regiões diferentes não alterou a presença dos mesmos em cada parte vegetal estudada, não podendo afirmar que se encontram na mesma concentração. Ressalta que se faz necessário um estudo mais aprofundado do material botânico.

Palavras chaves

Screening fitoquímico; cajueiro; Metabólitos secundários

Introdução

Ao longo dos tempos o homem fez uso de plantas medicinais para vários tratamentos e por ser economicamente mais viável para população. Esses conhecimentos são passados pelas gerações através da oralidade, e que nos dias atuais serve como ferramenta para a ciência na busca por substâncias que possam ser ponto de partida para o desenvolvimento de fármacos (AMOROZO, 2002). Os estudos em etnobiologia, como a etnobotânica e a etnofarmacologia, vêm crescendo e têm obtido resultados importantes (MACIEL et al., 2002). Dentre as inúmeras plantas medicinais temos o cajueiro (Anacardium occidentale L.) pertencente à família Anacardiaceae, que é uma arbórea nativa do Brasil, comumente utilizada na medicina tradicional, principalmente, no Nordeste brasileiro com efeitos terapêuticos, tais como: aliviar dor de dente, anti- inflamatório para gengiva e garganta, bronquites, artrites, cólicas intestinais, icterícia, contra diabetes, asma e até mesmo usado como afrodisíaco (MOTA, 2004; MORAIS et al., 2005; AGRA et al.,2007). Na literatura encontram-se atividades farmacológicas comprovadas, como sendo o cajueiro uma planta anti-iflamatória (OLAJIDE et al., 2004; FALCÃO et al., 2005), antidiabética (KAMTCHOUING et al., 1998; BARBOSA-FILHO et al., 2005), inibidor da enzima acetilcolinesterase (BARBOSA-FILHO et al., 2006) e substâncias isoladas do fruto demonstraram ser inibidora de tirosinase (KUBO et al., 1994). Os produtos naturais são os meios mais antigos empregados no tratamento de enfermidades, devido à facilidade do acesso as mesmas, e principalmente, devido ao conhecimento da população sobre a eficácia terapêutica desses vegetais (FUCK et al., 2005). Tal conhecimento contribui para a divulgação da importância das plantas medicinais, promovendo o aumento de estudos nessa área (MACIEL, 2002). O desenvolvimento dessas pesquisas se deve ao fato de já se conhecer várias substâncias bioativas isoladas, e também à expectativa de descobrir outros princípios ativos (FLOGLIO et al., 2006). Sendo o Brasil, um lugar de destaque para a realização desse tipo de estudo, pois agrega a maior biodiversidade do mundo (CALIXTO, 2003). Nos últimos anos têm-se verificado um grande avanço científico envolvendo os estudos químicos e farmacológicos de plantas medicinais que visam obter novos compostos com propriedades terapêuticas (SANTOS, 2002; GARCÍA; CARRIL, 2009; COZZOLINO, 2009). A química de produtos naturais, fitoquímica, tem por objetivo imediato o esclarecimento e registro dos constituintes resultantes do metabolismo secundário das plantas, através de seu isolamento e elucidação de suas estruturas moleculares. Com o desenvolvimento de novas técnicas espectroscópicas, os químicos orgânicos têm conseguido elucidar rapidamente estruturas moleculares complexas de constituintes naturais, até há pouco tempo difíceis de serem identificadas (SIMÕES, 2001). A diversidade de moléculas ativas nas plantas representa um desafio para o farmacêutico que pretende isolar e determinar a estrutura de compostos ativos, uma vez que um extrato de uma determinada planta pode conter centenas ou milhares de metabólicos secundários. Desta forma, numerosos métodos de extração e estudo de compostos, oriundos de plantas, têm sido sugeridos pela literatura (MATOS, 1997). Realizar um estudo fitoquímico é um desafio a ser realizado pelo farmacêutico, visto que o uso das espécies vegetais para fins medicinais é crescente e preocupante. É necessário analisar o maior número possível de espécies, tendo em vista o grande número que falta a ser estudado para a flora brasileira, sempre com a preocupação de validar plantas medicinais consagradas pela medicina popular. As análises fitoquímicas fornecem informações relevantes à cerca da presença de metabólitos secundários nas plantas, para que assim possa chegar ao isolamento de princípios ativos importantes na produção de novos fitoterápicos.

Material e métodos

O material botânico foi coletado nos seguintes horários: às 6, 14 e 22 horas, para averiguar se os mesmos metabolitos secundários se encontravam presentes nas partes vegetais durante o período de 24 horas, denominadas como coleta 1, coleta 2 e coleta 3, respectivamente. OBTENÇÃO DOS EXTRATOS VEGETAIS Folhas Coletou-se cerca de 400 g de folhas, em cada horário determinado, foram limpas e postas para secar sob a influência da luz do sol por 7 dias e depois levadas para uma estufa a 48 ºC por 72 horas para o processo de desidratação e em seguida triturados em liquidificador industrial. Deixou-se em maceração por 7 dias em uma solução hidroalccólica de 1 L (30:70; água-álcool) até cobrir todo o material orgânico em temperatura ambiente (MATOS, 1998). Logo após, o extrato foi filtrado e levado para um balão de fundo chato pesado e tarado para realizar a evaporação e concentração do mesmo através de rotaevaporador sob pressão reduzida obtendo-se o Extrato Etanólico Bruto (EEB) apresentando uma massa de 21,84 g (rendimento de 5,46%). Flores Coletou-se cerca de 100 g de flores, em cada horário, foram limpas e posta abertas para secar sob a influência La luz do sol por 7 dias e depois desta etapa levou-se o material botânico para um,a estufa a 38 ºC por 48 horas para o processo de desidratação e em seguida triturados de forma manual. Deixou-se em maceração por 7 dias em uma 1L de solução hidroalccólica de 1 L (30:70; água- álcool) em temperatura ambiente (MATOS, 1998). Logo após, o extrato foi filtrado e levado para um balão de fundo chato pesado e tarado para realizar a evaporação e concentração do mesmo através de rotaevaporador sob pressão reduzida obtendo-se o EEB apresentando uma massa de 19,36 g (rendimento de 19,36%). Cascas Coletou-se cerca de 500 g de cascas, em cada horário, foram limpas e separadas da entrecasca através de raspagem e postas em estufa por 72 horas para secar a 70 ºC. Depois de seco o material foi triturado em um moinho de facas e imerso em uma solução de 1 L de álcool etílico até a completa submersão do material vedando o recipiente com uma rolha recoberta com uma folha de alumínio. Deixando o material em maceração por 7 dias, agitando a solução a cada 3 dias (BARBOSA, 2001). O extrato alcoólico foi filtrado e levado para um balão de fundo chato pesado e tarado para realizar a evaporação e concentração do mesmo através de rotaevaporador sob pressão reduzida obtendo-se EEB apresentando uma massa de 21,15 g (rendimento de 4,23%). ABORDAGEM FITOQUÍMICA Os extratos foram submetidos à investigação por classe metabólica. Estes testes foram realizados em triplicata e seguiram as condições estabelecidas no Manual para Análise Fitoquímica e Cromatográfica de Extratos Vegetais (BARBOSA, 2001). Sendo realizado testes para: Saponina Espumídica, Ácidos Orgânicos, Polissacarídeos, Fenóis e Taninos, Açúcares Redutores, Proteínas e Aminoácidos, Flavonóides, Esteróides e Triterpenóides, Depsideos e depsidonas, Cumarina, Antraquinonas, Alcalóides.

Resultado e discussão

Folhas De 400g de material botânico, obteve-se um rendimento de 5,46% de EEB, que apresentou aparência de pó, verde amarronzado. A triagem fitoquímica do EEB da folha do cajueiro, revelou resultados positivos para a presença de saponinas, fenóis e taninos, alcalóides e flavonóides. Foram observados resultados negativos para os demais testes conforme mostra a Figura 1. De 100g de material botânico, obteve-se um rendimento de 19,36% de EEB, que apresentou aparência de pó verde amarronzado. A triagem fitoquímica do EEB da flor do cajueiro, revelou resultados positivos para a presença de ácidos orgânicos, açucares redutores, alcalóides e fenóis e taninos. Foram observados resultados negativos para os demais testes conforme mostra a Tabela 2 (Figura 1). Cascas De 500g de material botânico, obteve-se um rendimento de 4,23% de EEB, que apresentou aparência de pó amarronzado. A triagem fitoquímica do EEB da casca do cajueiro, revelou resultados positivos para a presença de açucares redutores, ácidos orgânicos e fenóis e taninos. Foram observados resultados negativos para os demais testes conforme mostra a Tabela 2 (Figura 1). Ressaltando que os resultados negativos não implicam necessariamente na sua ausência, sendo provável que a quantidade dos mesmos esteja pequena para ser detectada em virtude de vários fatores como período sazonal, temperatura e etc (BRUM et al., 2011). Analisando as tabelas pode-se observar que não ocorreu alteração da presença de metabolitos secundários no decorrer do dia. Mas não se pode ignorar que tal fenômeno perdure pelo ano todo visto que nossa região tem mudança sazonal no que interfere drasticamente no clima e solo o que pode alterar a presença ou o surgimento de metabolitos secundários. Os taninos são empregados na medicina tradicional no tratamento de hipertensão arterial, reumatismo, feridas, antioxidante, anti-hemorrágico, cicatrizante e antiinflamatória. Assim como os taninos, os esteroides e triterpenoides atuam como antiinflamatório (RODRIGUES et al., 2011; SILVA et al., 2012). Além desses metabólitos, houve também a presença de compostos fenólicos, sendo estes, com um potencial de complexar as proteínas extracelulares da membrana bacteriana. Desta forma, observe-se a correlação da função deste metabolito, à ação atribuída a A. occidentale., pelos conhecimentos tradicionais (BRUM et al., 2011; COSTA, 2012). Estudos vêm atribuindo aos taninos muitas atividades fisiológicas humanas, como a estimulação das células fagocíticas e a ação tumoral, e atividades anti-infectivas (LOGUERCIO, 2005). Em processos de cura de feridas, queimaduras e inflamações, os taninos auxiliam formando uma camada protetora (complexo tanino-proteína e/ou polissacarídeo) sobre tecidos epiteliais lesionados, permitindo que, logo abaixo dessa camada, o processo de reparação tecidual ocorra naturalmente (MELLO; SANTOS, 2001). Já em patologias estomacais, o mecanismo de ação é bem semelhante, com a formação de uma camada de tanino-proteína complexados que envolvem a mucosa estomacal (HASLAM, 1989). A atividade antioxidante de compostos fenólicos deve-se principalmente às suas propriedades redutoras e estrutura química. Estas características desempenham um papel importante na neutralização ou sequestro de radicais livres e quelação de metais de transição, agindo tanto na etapa de iniciação como na propagação do processo oxidativo. Os intermediários formados pela ação de antioxidantes fenólicos são relativamente estáveis, devido à ressonância do anel aromático presente na estrutura destas substâncias (CHUN et al., 2005). Com exceção do ácido clorídrico presente no suco gástrico, os ácidos mais comuns com os quais convivemos são orgânicos, ou seja, aqueles contendo átomos de carbono. Destes, o maior grupo é o dos ácidos carboxílicos, que são os ácidos caracterizados pela presença do grupo funcional (COOH), a carboxila (SNYDER, 1995). As classes de metabólitos secundários que se mostraram presentes corroboram com a literatura, mostrando a identificação de açúcares redutores, ácidos orgânicos e fenóis, onde mostra a importância dos mesmos na economia e comercialização do caju. Assim como a presença de fenóis e taninos estão de acordo com a literatura (ROCHA et al., 2011), de forma que o presente estudo pode ser aprofundado visando a atividade antioxidante do extrato do mesmo. De acordo com Silva (2007), em um estudo a respeito da atividade antimicrobiana do extrato das cascas do caule da A. occidentale, o qual produziu significante atividade antimicrobiana in vitro sobre as linhagens de Staphylococcus aureus de origem humana hospitalar resistentes (MRSA) e sensíveis a meticilina (MSSA). Onde o estudo concluiu que o cajueiro apresentou-se como uma eficaz alternativa terapêutica para infecções provocadas por Staphylococcus aureus, onde é de baixo custo e de fácil acesso a população, tendo em vista que já está difundido seu uso na medicina popular.

Figura 1 – Screening fitoquímico das folhas e flores

Fonte: o autor

Figura 2 – Screening fitoquímico da casca

Fonte: o autor

Conclusões

A triagem fitoquímica se faz necessária uma vez que o estudo químico das espécies vegetais para fins terapêuticos vem aumentando. As análises fitoquímicas fornecem informações relevantes à cerca da presença de metabólitos secundários nas plantas, para que assim possa chegar ao isolamento de princípios ativos importantes na produção de novos fitoterápicos. As partes botânicas do cajueiro (casca folha e flor) demonstraram presença de metabólitos secundários, como saponinas, fenóis, taninos, alcaloides e flavonoides presentes nas folhas; e ácidos orgânicos, açúcares redutores, alcaloides, fenóis e taninos presentes nas flores e cascas. Essas classes possuem importância farmacológica, permitindo a discussão entre o conhecimento do uso popular e o científico. Mediante a isso confirma o grande potencial das plantas medicinais para o desenvolvimento de novos fármacos. Há perspectivas inegáveis para a aplicação destes produtos naturais, pois possui atividade farmacológica. Portanto recomenda-se o aprofundamento das pesquisas com o intuito de estudar os componentes secundários relatados neste trabalho.

Agradecimentos

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