• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Atividade antioxidante de hidroxichalconas: um estudo experimental e teórico

Autores

Kerek, A.L. (UEPG) ; Rosa, G.B. (UEPG) ; Rozada, T.C. (UEM) ; de Lazáro, S.R. (UEPG) ; Fiorin, B.C. (UEPG)

Resumo

O objetivo do trabalho consistiu na síntese de hidroxichalconas para posterior avaliação dessa classe de substâncias como agentes antioxidantes. Para análise antioxidante experimental utilizou-se a metodologia de inibição do radical DPPH, enquanto para o estudo teórico verificou-se propriedades de natureza eletrônicas simuladas, em DFT para descrever qual substância possuiria maior caráter oxidante. Os resultados mostraram que, para a análise experimental e teórica, a 4-CHALOH se apresentou como melhor substância antioxidante e os estudos teóricos mostraram uma justificativa para tal comportamento. O maior poder antioxidante foi atribuído pela maior disponibilidade da hidroxila da 4-CHALOH, sendo desta maneira a substância mais promissora para a atividade dentre todas as estudadas

Palavras chaves

hidroxichalconas; atividade antioxidante; estudos teóricos

Introdução

As hidroxichalconas são um grupo importante na classe das chalconas, pois estão presentes tanto em plantas, como também podem ser obtidas de maneira sintética, visando a sua aplicação em diversas atividades biológicas, como por exemplo, antimicrobiana, antifúngica, antiviral, além da sua ação antioxidante (QIAN et al. 2011). A presença de uma estrutura carbonílica α,β-insaturada, aliado com grupos hidroxilas em sua estrutura fazem com que sejam realizados diversos estudos experimentais sobre a atividade antioxidante, e também algumas investigações teóricas, principalmente baseado em cálculos de DFT, buscando elucidar a relação estrutura-atividade (SAR) (XUE et al. 2012). É de extrema importância o estudo de novas substâncias antioxidantes, pois radicais livres, espécies reativas de oxigênio (EROs), entre outros, são associados a diversos tipos de doenças, como por exemplo, inflamações, desordens metabólicas, carcinogênese, entre outras (BANDYOPADHYAY; DAS; BANERJEE, 1999; DI MEO, et al., 2013). As hidroxichalconas se encaixam como bons antioxidantes, pois em pequenas quantidades, se apresentam na forma estável para capturar um radical livre, diminuindo a sua capacidade de causar danos (LOBO et al., 2010). A densidade de spin e a distribuição dos maiores orbitais moleculares ocupados de mais alta energia (HOMO) foram calculadas para descrever a capacidade de sequestro de radicais das moléculas estudadas, porque os orbitais HOMO geralmente estão localizados no sítio ativo da substância, logo, uma energia mais alta no HOMO pode ser um indicador de um bom doador de elétrons (KARELSON; LOBANOV; KATRITZKY, 1996). Com isso os objetivos deste trabalho foram a síntese e caracterização, assim como a análise da atividade antioxidante experimental e teórica.

Material e métodos

Para a síntese das hidroxichalconas, utilizou-se o método de condensação de Claisen- Schmidt, com catálise homogênea básica, utilizando uma solução de hidróxido de sódio 50%. Primeiramente adicionou-se a um balão de fundo redondo, em um banho de gelo, as respectivas acetofenonas (0,01 mol) e 5 mL de NaOH (50%), deixando sob agitação magnética por 30 minutos. Na sequência, foram adicionados os respectivos benzaldeídos (0,01 mol) deixando a mistura reacional sob agitação por de 24 h. Este procedimento foi adaptado da metodologia descrita por Pereira e colaboradores (2018), e todas as substâncias foram posteriormente caracterizadas. Para a atividade antioxidante avaliou-se a inibição do radical DPPH, que consistiu na adição, em uma microplaca, de 160 μL de uma solução 1,5 mM de DPPH, seguida da adição de 40 μL das soluções das hidroxichalconas na concentração de 100 mM. Em seguida deixou-se em encubação, em ambiente protegido da luminosidade, por 30 minutos. Por último realizou-se a leitura das absorbâncias das amostras, em espectrofotômetro BIOTEK Epoch 2, a 517 nm, seguindo a metodologia descrita por Hamlaoui e colaboradores (2018). As chalconas tiveram suas propriedades de natureza eletrônicas simuladas por ferramentas computacionais em nível DFT com utilização do software Gaussian09 para obtenção da função de onda. Para simulação, foi aplicado funcional de densidade M06. Os átomos de C, H e O foram descritos por funções de base do tipo Gaussianas 6- 311*G+, utilizando função "+" que descreve correções nas funções difusas e uma função de correção de funções polarizadas (d). O efeito de solvatação foi obtido com simulação empregando o Método Contínuo Polarizável (PCM) para verificar as perturbações sobre a geometria molecular e a estrutura eletrônica das moléculas.

Resultado e discussão

Das cinco chalconas avaliadas frente a atividade antioxidante com a inibição do radical DPPH, a que apresentou o melhor resultado foi a 4-CHALOH, com 38,30% de inibição, seguida da 2-CHALOH e da 2’,2-CHALOH, com 26,80% e 16,75%, respectivamente. Todos os valores de inibição do DPPH estão apresentados na Figura 01. Foi possível verificar que a presença do grupo hidroxila em para no anel aromático B faz com que a atividade antioxidante da 4-CHALOH seja melhor que as outras substâncias, possivelmente pela sua maior disponibilidade estérica para ser retirado pelo radical. Os resultados computacionais são coerentes com os resultados experimentais sobre o comportamento antioxidante das chalconas. Para isso verificou-se algumas propriedades, principalmente a do orbital HOMO das chalconas. Analisando o perfil dos orbitais HOMO e as suas respectivas energias, há uma relação entre a posição e a quantidade das substituições das hidroxilas com as diferentes substituições de grupos hidroxilas nas hidroxichalconas. A relação entre a energia com a inibição do radical DPPH pelas hidroxichalconas sintetizadas (Figura 02), mostra que as substâncias com maiores energias de orbital HOMO também apresentaram as maiores porcentagens de inibição de radical DPPH. A 4-CHALOH, por conta da substituição de uma hidroxila na posição para no anel B, tende a contribuir majoritariamente para a energia do orbital HOMO, visto que toda contribuição está na região da carbonila e principalmente do anel B sobre a hidroxila. Há uma relação entre a contribuição majoritária do anel B com a taxa de inibição, sendo as substâncias com maiores localização do orbital HOMO sobre o anel B, as substâncias de maior porcentagem de inibição de DPPH e consequentemente maior capacidade antioxidante.

FIGURA 01



FIGURA 02



Conclusões

Consegue-se observar que as hidroxichalconas apresentam um promissor potencial como antioxidantes, com a 4-CHALOH, com uma inibição, na concentração de 100 mM, de 38,30% do radical DPPH, sendo a melhor das substâncias, devido a disponibilidade da hidroxila da sua estrutura. Pode-se também correlacionar com os resultados teóricos que apontam a 4-CHALOH com a maior energia do HOMO, de -6,461 eV, o que é correlacionado na literatura com substâncias com maior caráter oxidante. Porém são necessários estudos de outras metodologias para verificar a eficácia das hidroxichalconas como antioxidantes.

Agradecimentos

Ao Laboratório de Espectroscopia, Caracterização e Modelagem pela ajuda na realização do trabalho, ao CNPq e a CAPES pelo fomento à pesquisa, ao C-LABMU, pelas análises e a UEPG por toda a estrutura.

Referências

BANDYOPADHYAY, U.; DAS, D.; BANERJEE, R. K. Reactive oxygen species: Oxidative damage and pathogenesis. Current Science, v. 77, n. 5, p. 658–666, 1999.

DI MEO, F. et al. Free Radical Scavenging by Natural Polyphenols: Atom versus Electron Transfer. The Journal of Physical Chemistry A, v. 117, n. 10, p. 2082–2092, 14 mar. 2013.

HAMLAOUI, I. et al. Experimental and theoretical study on DPPH radical scavenging mechanism of some chalcone quinoline derivatives. Journal of Molecular Structure, v. 1156, p. 385–389, mar. 2018.

KARELSON, M.; LOBANOV, V. S.; KATRITZKY, A. R. Quantum-Chemical Descriptors in QSAR/QSPR Studies. Chemical Reviews, v. 96, n. 3, p. 1027–1044, 1996.

LOBO, V. et al. Free radicals, antioxidants and functional foods: Impact on human health. Pharmacognosy Reviews, v. 4, n. 8, p. 118, 2010.

PEREIRA, V. R. D. et al. In Vitro and in Vivo Antischistosomal Activities of Chalcones. Chemistry & Biodiversity, v. 15, n. 12, p. cbdv.201800398, 10 dez. 2018.

QIAN, Y. et al. Hydroxychalcones as potent antioxidants: Structure–activity relationship analysis and mechanism considerations. Food Chemistry, v. 126, n. 1, p. 241–248, maio 2011.

XUE, Y. et al. A theoretical study of the structure–radical scavenging activity of hydroxychalcones. Computational and Theoretical Chemistry, v. 982, p. 74–83, fev. 2012.

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