• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

ESTUDO FÍSICO-QUÍMICO DE REFRIGERANTES DE GUARANÁ COMERCIALIZADOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM DO PARÁ

Autores

da Silva Picanço dos Santos, R.C. (UFPA) ; Souza de Lima, V. (UFPA) ; dos Santos Lucena, S.M. (UFPA) ; Frank e Silva, H. (UFPA) ; Costa da Silva, S. (UFPA) ; dos Reis Lima, J.P. (UFPA) ; Siqueira Pantoja, S. (UFPA) ; Magno Rocha, R. (LACEN-PA) ; Carvalho de Souza, E. (UFRA) ; dos Santos Silva, A. (UFPA)

Resumo

O guaraná é uma bebida de origem amazônica muito apreciada no Brasil, especialmente na região norte. Este trabalho buscou realizar uma caracterização físico-química de 3 marcas de refrigerantes de guaraná produzidos em Belém do Pará e aplicar análises multivariadas para tentar distinguir as amostras conforme sua marca. Os resultados das análises físico-químicas, em sua maioria, estiverem de acordo com trabalhos precedentes e legislação, e houve uma perfeita separação das amostras em 3 agrupamentos distintos, indicando ser possível aplicar as técnicas empregadas na distinção das amostras e que suas formulações diferem entre si.

Palavras chaves

Amazônia; bebidas não alcoólicas; quimiometria

Introdução

O guaraná (Paullinia cupana) é um fruto típico da Amazônia que tem a sua história contada por meio de uma lenda, na qual um casal de índios pediu ao deus Tupã um filho e o mesmo foi concebido, todavia, um espírito invejoso o matou e o deus mandou que plantasse os olhos da criança, que ao florescer deu origem ao uma árvore com um fruto em formato de olho, está dava muita energia ao quem o consumisse (EMBRAPA, 1982). Dessa forma, a lenda retrata o surgimento de uma fruta rica em energia, que serve para fazer sucos e medicamentos com propriedades adstringentes e antioxidantes, que se devem à presença de taninos e catequinas (RIBEIRO, 2012). Assim, impulsionado pela crença popular, o guaraná popularizou- se e passou a ser comercializado nas mais diferentes formas. O presente trabalho objetivou realizar uma caracterização físico-química (pH, condutividade elétrica (CE), densidade, sólidos solúveis totais, viscosidade, turbidez, acidez e umidade) de amostra de refrigerantes de sabor de guaraná para realizar um estudo sobre as características e qualidade do produto, além de aplicar técnicas multivariadas (análise de componentes principais (ACP), análise hierárquica de agrupamentos (AHA)) para possivelmente discriminar as amostras de acordo com sua origem.

Material e métodos

Foram adquiridas, em uma rede de supermercados de Belém do Pará, 30 amostras de refringente de guaraná, de 3 marcas distintas. As amostras foram escolhidas se obedecendo o critério de regionalidade, onde todos os refrigerantes foram produzidos em indústrias paraenses. As amostras foram levadas até o Laboratório de Física Aplicada à Farmácia da Faculdade de Farmácia da UFPA, onde foram armazenados e iniciou-se o processo de estudo. As testagens de CE se deram com o emprego de um condutivímetro portátil (Instrutherm, CD 880); a leitura de pH se deu por meio de um pHmetro previamente calibrado com solução tampão 4 e 7 (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010). A testagem de densidade se deu pelo método do picnômetro. O ensaio de acidez titulável ocorreu pela titulação da solução de NaOH 0,1 mol L-1, tendo a fenolftaleína como indicador (ADOLFO LUTZ, 2008). O ensaio de SST foi realizado em um refratômetro portátil (Instrutherm, modelo ART 90) com escala de 0 a 65º Brix. O teste de viscosidade se realizou através do viscosímetro tipo copo Ford 3, sendo o tempo de escoamento convertido para viscosidade pela equação do aparelho. O teor de umidade foi determinado pesando a massa da amostra em cadinho de porcelana previamente aferido, sendo levado à estufa a 105ºC, até secura completa (BRASIL, 2005). O ensaio de turbidez foi realizado utilizando um turbidímetro portátil Instrutherm, modelo TD-300. Os testes foram realizados em triplicata e os resultados foram tabulados em Microsoft Excel®. Aplicaram-se as técnicas de ACP e AHA se considerando dados padronizados, distâncias euclidianas e ligações simples, o que foi realizado via software Minitab®.

Resultado e discussão

A tabela 1 apresenta os dados obtidos. a CE de uma solução indica a concentração de íons presentes na mesma, assim, as marcas A, B e C apresentaram 0,82, 0,65 e 0,50 mS/cm, respectivamente, usando o método de Tukey, as três marcas apresentam divergência, sendo a A que possuir mais íons dispersos no líquido. O pH médio registrado para A foi de 2,81, para B 3,30 e C 3,45, dados esses que corroboram com o estudo de Souto (2011). As densidades obtidas para as 3 marcas se diferenciam das encontradas por Souto (2011), o que pode ser explicado por ter sido usado refrigerante zero. Nunes (2014) apontou uma média 3,14 % (m/v) para acidez total, resultado esse que se contrapõem com o achado, diferença essa que pode ter sido ocasionada pela diferente metodologia utilizada. Da Cunha (2011) apontou um STT de 6,5º Brix, para refrigerante Coca-cola, valor esse que se aproxima da marca B e se distancia da marca A e C, o que pode se dever a quantidade de açúcar em cada amostra. Bertulani (1999) apontou que a viscosidade é basicamente uma medida de quanto um material gruda, dessa forma, as três marcas apresentam um padrão de viscosidade bem parecido. Araújo (2006) apontou em seu estudo com umidade guaraná, um resultado que ficou em média de 90 %, resultado que bate com o achado. A turbidez está relacionada à presença de alguns sólidos suspensos na água ou qualquer outro líquido, assim, o Ministério da Saúde preconiza o valor máximo de 5 uT para o consumo humano, ao analisar os achados, apenas a marca B encontra-se acima do valor preconizado. Através das técnicas de ACP e AHA (Figura 1) se podem separar as amostras conforme sua marca, sendo assim, pode-se dizer que as formulações delas são distintas e que as técnicas empregadas podem discriminar os refrigerantes de acordo com sua origem.

Tabela 1. Resultados obtidos para as variáveis físico-químicas



Figura 1. Gráficos de ACP e dendrograma (AHA)

Acima gráfico dos dois primeiros componentes principais via técnica de ACP e abaixo dendrograma obtido pela técnica de AHA.

Conclusões

Após os devidos testes e as análises realizadas à literatura, foi possível verificar com o teste de Tukey, que as marcas apresentam disparidade entre si. No mais, as marcas apresentaram um resultado plausível quando comparadas com a literatura e legislações vigentes, todavia, a amostra B apresentou-se uma inconformidade quando se analisou a turbidez, dessa forma, é preferível realizar outros testes para a verificação dessa disparidade. As amostras podem ser diferenciadas também se utilizando técnicas multivariadas, indicando terem formuilações diferentes.

Agradecimentos

UFPA e UFRA

Referências

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SOUTO, Y. S. M. et al. Análises físico-químicas de refrigerantes de cola e guaraná tradicionais e tipo zero. Caderno Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v. 1, n. 1, 2011.

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