• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Síntese e caracterização de Mn(CH3COO)2·4H2O obtido de rejeitos de óxidos de Mn (Província Mineral de Carajás, Pará, Brasil)

Autores

dos Santos, A.M.C. (UFOPA) ; Leão, M.H.S. (UFOPA) ; de Santiago, A.C.P. (UFOPA/PPGSAQ) ; Saldanha, L.S. (UFPA/CAMPUS ANANINDEUA) ; dos Santos, P.H.C. (UFPA) ; Ribeiro, A.F. (UFPA/CAMPUS ANANINDEUA) ; Figueira, B.A.M. (UFOPA)

Resumo

Este trabalho descreve a síntese de acetato de manganês (Mn(CH3COO)2·4H2O) por fusão alcalina e lixiviação acida, empregando-se os rejeitos de óxidos de Mn da Amazonia (RBA) como matéria prima de baixo custo. Os produtos de síntese foram caracterizados por difração de raios X em pó, espectroscopia FTIR-ATR e análise TG- DSC. Com base nas condições ótimas de síntese, os resultados revelaram que os rejeitos de óxidos de Mn compostos por caulinita, gibbisita, quartzo e fases de Mn (birnessita, litioforita, criptomelana e pirolusita) podem ser transformados com sucesso na forma tetra-hidratada de acetato de Mn com estabilidade térmica próxima a 350ºC.

Palavras chaves

Acetato de manganês ; Rejeitos de óxidos de Mn; Síntese

Introdução

Rejeitos de Mn da indústria mineral são sub-produtos formados a partir do beneficiamento do minério em processos de classificação química e granulométrica. Quando o produto lavrado possui baixo teor de Mn e/ou granulometria de 400 mesh (fração fina) ele não tem valor econômico e é descartado em bacias de sedimentação (Mendes, 2018). Segundo Figueira et al. (2013), Mendes et al. (2018) e Callandra et al. (2022), estes resíduos podem ser uma fonte interessante e de baixo custo para produção de adsorventes/fotodegradores (birnessita), indústria do lítio e melhoramento do asfalto. Neste trabalho, investigou-se a recuperação de Mn presente nos rejeitos da indústria mineral do Mn (Amazonia) na forma de acetato de manganês. Este sal é um importante composto inorgânico para a indústria de catalise, fertilizante, assim como de tintas, plásticos e borracha na função de dessecante (PATCH, SIMOLO E CARRANO, 1982; Scoott, 2009; DERA, BRUFFEY et al., 2020).

Material e métodos

O processo de conversão de rejeitos de Mn(CH3COO)2·4H2O iniciou a partir de sua reação com solução alcalina para recuperação total do Mn como MnO2. Em sequência, o dióxido de Mn foi lixiviado com ácido acético a 1 mol.L-1 para conversão em acetato de Mn puro. A caracterização mineral dos produtos foi feita por difração de raios X (DRX), onde se empregou um difratômetro D2Phaser (Bruker) com tubo de cobre (CuKa = 1.5406 Å) de 400 W de potência e tensão de 30 kV e 10mA, respectivamente. A caracterização química do teor de manganês nos rejeitos foi obtida em espectrômetro de Fluorescência de raios-X Sequencial (Espectrômetro PANalytical Axios Max), equipado com tubo de raios-x cerâmico anodo de Rh. Para a determinação semi- quantitativa dos elementos, foi preparada a pastilha fundida a partir da mistura de 1g da amostra com 8g de tetraborato de lítio, em cadinho de Pt. O espectro de infravermelho no médio (4000 a 400 cm-1) foi coletado utilizando-se uma pastilha prensada a vácuo contendo 0,200 g de KBr e 0,0013 g de amostra pulverizada e um espectrômetro de absorção molecular na região IV com transformada de Fourier da Bruker (Vertex 70). As curvas TG-DSC do acetato de Mn foram registradas no termoanalisador da NETZSCH (STA 449 F5 Júpiter), com forno cilíndrico vertical, conversor digital acoplado a um microcomputador e um fluxo de N2 de 50 ml/s.

Resultado e discussão

A composição químico-mineral de RBA foi estudada por FRX e DRX (Fig. 1a). O teor da amostra foi 33 % em peso de MnO, mostrando a viabilidade de uso da amostra. Enquanto sua composição mineral é formada por hematita (01-085-0987), gibbsita (PDF 01-074-1775), muscovita (PDF 046-1409), litioforita (PDF 041-1378) e birnessita (PDF 01-080-1097). O padrão DRX da amostra lixiviada com ácido acético (Fig. 1b) mostrou picos bem definidos a 10,1; 12,44; 13,92; 30,30 e 34,20º (2 theta) referentes à fase de acetato de Mn tetra-hidratado (Fichas PDF 014-0724 e PDF 029-0879). O espectro FTIR e curvas TG-DSC são mostrados na Fig. 2. As bandas diagnósticas de grupos acetato (estiramento H2O, estiramento C-O, balanço COO no plano, balanço COO fora do plano) foram identificadas no espectro IV-FTIR (Fig. 2a) e confirmaram a caracterização feita por DRX. Além disso, as curvas TG- DSC mostraram dois eventos térmicos principais: i) processo de desidratação para produção de acetato de Mn anidro na faixa de temperatura de 25 a 150 °C; ii) decomposição térmica de Mn(CH3COO)2 e transformação em fase MnO em torno de 350º C (Mohamed e Halawy, 1994; Ito e Bernstein, 2001)

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Conclusões

Os resultados mostraram que os resíduos de Mn da Região Amazônica foram convertidos com sucesso em um sal de manganês (acetato de Mn tetrahidratado), confirmando assim que um subproduto do setor mineral de Mn pode ser convertido em material de valor agregado e de grande importância tecnológica.

Agradecimentos

Os autores agradecem a CAPES, CNPQ, UFOPA, LCM (IFPA), LAMIGA (UFPA) e CETENE pelo apoio financeiro e analítico que permitiram a execução deste trabalho

Referências

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