• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Caracterização tecnológica de minério de Mn eletrolítico da Província Mineral de Carajás (Amazônia, Brasil)

Autores

Santos, R.S. (UFOPA/JURUTI) ; da Silva, L.P. (UFOPA/JURUTI) ; Nascimento, R.S. (UFPA) ; Ferreira, A.P. (IFPA/PARAUAPEBAS) ; Pereira, C.F.L. (UFOPA/CAMPUS JURUTI) ; Fernandez, O.J.C. (IFPA/PPGMAT) ; Figueira, B.A.M. (IFPA/PPGMAT)

Resumo

Neste trabalho, apresenta-se a caracterização tecnológica de minério de oxido de Mn de grau eletrolítico para investigação de suas características químico-mineral. Os resultados de DRX, IV-FTIR, MEV e FRX mostraram que este produto mineral apresenta o mineral nsutita como fase predominante, com morfologia em glóbulos, elevado teor de MnO (> 85 %), evidenciando a sua grande importância para os mercados nacional e internacional.

Palavras chaves

Amazonia; Minerio de Mn; Caracterização

Introdução

Província Mineral de Carajás localiza-se no estado do Pará, na Região Sudeste do estado e tem sua importância econômica principalmente por suas fontes minerais de alto valor para o mercado interno e externo . Nesta região do Pais, encontra-se atualmente as principais minas de minério de alto valor de Mn, com destaque a mina do Azul, Sereno, Buritirama e São Vicente (Costa et al, 2005; Araujo e Sousa, 2018). Nelas são lavrados os minérios de importância metalúrgica e também tipo eletrolítico (EMD), cuja demanda atende mercados como de liga de alto Mn, agricultura, catalisadores, corante de vidros, cerâmica vermelha, pilhas e baterias. Na mina de lavra, este bem mineral em geral é beneficiado, caracterizado quanto a sua composição químico-granulométrico para sua classificação e posterior venda ao mercado nacional e internacional (Sampaio et al., 2001). Ainda são poucos os trabalhos de caracterização tecnológica mais abrangente destes minérios de óxidos de Mn. O objetivo deste trabalho foi desenvolver um estudo de caracterização mais abrangente de minério de Mn de grau eletrolítico coletado em uma mina de Mn da Provincia Mineral de Carajás.

Material e métodos

a) Coleta e preparação de amostra: As amostra de EMD caracterizadas neste trabalho foram coletadas em uma frente de lavra em uma mina da Província Mineral de Carajás. Elas foram pulverizadas, misturadas e quarteadas para obtenção de uma amostra representativa, que se chamou de OreMnPMC. b) Caracterizações: As analises por difratometria de raios-X foram feitas em difratômetro de raios-x modelo X´PERT PRO MPD (PW 3040/60), da PANalytical, com Goniômetro PW3050/60 (Theta/Theta) e tubo de raios-x cerâmico de anodo de Cu (Kα1 1,540598 Å). O detector utilizado foi do tipo RTMS, X'Celerator. Os espectros de infravermelho foram obtidos utilizando-se pastilhas prensadas a vácuo contendo 0,200 g de KBr e 0,0013 g de amostra pulverizada e um espectrômetro de absorção molecular na região IV com transformada de Fourier, Perkin Elmer modelo FT-IR1760 X.As análises químicas (semiquatitativas) das amostras AP-01 e SN-02 (com pouca massa) foram realizadas em espectrômetro de Fluorescência de raios-X Sequencial (Axios Minerals, da Panalytical), equipado com tubo de raios-x cerâmico anodo de Rh. Para a determinação semi-quantitativa dos elementos, foram preparados disco fundidos a partir da mistura de 1 grama da amostra com 8 gramas de tetraborato de lítio, em cadinho de Pt, fundida em Máquina de fusão VULCAN. O material foi colocado num molde da mesma liga para a obtenção do disco de vidro. O resultado da perda ao fogo foi obtido por calcinação de outra alíquota de 1 grama de amostra, em mufla a 1000 ºC por 1,5 h.

Resultado e discussão

A caracterização mineral de OreMnPMC foi realizada por DRX, IV e MEV (Fig. 1). No padrão DRX da amostra (Fig. 1a), apesar da baixa definição dos picos, nota-se a predominância dos picos com d = 3,98 Å; 2,44 Å; 2,13 Å; 1,64 Å, que são característicos de nsutita ou sua fase sintética (PDF 00-014-0615), com sistema ortorrômbico. Não é possível afirmar a presença exclusiva de nsutita com base apenas neste difratograma. Uma caracterização espectroscopica complementar tambem foi feita e mostrada na Fig 1b. A presença de nsutita foi observada através das bandas de estiramento das ligações Mn-O (475, 533, 589, 694 e 1095 cm-1) bem correlacionadas com aquelas observadas de nsutita de Goriajhar (MOHAPATRA et al., 1995). As bandas em 535 e 589 cm-1, de acordo com JULIEN et al. (2004), referem-se aos modos de estiramento Mn-O dos octaedros de pirolusita e ramsdellita, estruturas que formam nsutita. Quanto às bandas em 1095 cm-1 e 1636 cm-1, possivelmente refletem os modos de vibração do grupo O-H adsorvidos neste mineral. Quanto a sua caracterização morfológica por MEV (Fig 1c), Um aglomerado de glóbulos imersos em uma superfície não planar pode ser observado, resultado que diverge do aspecto tipo ouriço revelado nos estudos de LI et al. (2006), bem como a morfologia de “bolo em camada” descrita por XIE et al. (2009). A composição química da amostra obtida por FRX mostrou a presença majoritária de manganês (85,84 % em peso) e água (12,24 % em peso), que devem estar relacionados à fase nsutita. Os teores de manganês estão bem correlacionados com os teores descritos por MOHAPATRA (1995) e NIMFOPOLOUS (1991) deste mineral. Os teores de SiO2 (0,23 %), Al2O3 (0,47 %), Na2O (0,15 %), P2O5 (0,09 %) e K2O (0,71 %) não alcançaram 1% em peso. Em relação aos elementos

Conclusões

Com base nos resultados de caracterização química e mineralógica, podem-se estabelecer as seguintes conclusões: O minério de oxido de Mn de grau eletrolítico estudado neste trabalho, apresenta- se majoritariamente constituído por nsutita, com morfologia em glóbulos bem definidos, bandas diagnosticas de vibração Mn-O na espectroscopia de IV e teor de MnO acima de 85 % em peso.

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio tecnico-cientifico da Capes, CNPQ, CETENE e Laboratorio de Caracterização Mineral da UFPA (Instituto de Geociencias) e IFPA (Metalografia).

Referências

ARAUJO, Raphael Neto; SOUSA, Marcelo Januário de. Área de Relevante Interesse Mineral, Província Mineral de Carajás, PA: estratigrafia e análise do minério de Mn de Carajás, áreas Azul, Sereno, Buritirama e Antônio Vicente. Repositório Institucional de Geociencias-CPRM, 2018.
COSTA, M. L.; FERNANDEZ, O. J. C.; REQUELME, M. E. R.; O depósito de manganês do Azul, Carajás: estatigrafia, geoquímica e evolução geológica. In: MARINI, O. J.; QUEIROZ, E. T.; RAMOS, B. W. (Ed). Caracterização de depósitos minerais em distritos Mineiros da Amazonia. Brasilia: DNPM-CT/Mineral-ADIMB, 20005. p.227-333.
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NIMFOPOULOS, M. K.; PATTRIK, A. D.; Mineralogical and textural evolution of the economic manganese mineralisation in western Rhodope massif, N. Greece, Mineralogical Magazine, v. 55, p. 423-434, 1991.
SAMPAIO, J. A., PENNA, M.T.M. CV/Mina do azul. Usinas de Beneficiamento de Minérios do Brasil. 2001. p.93-102.
XIE, W. et al; Environmentally Friendly -MnO2 Hexagon-Based Nanoarchitectures: Structural Understanding and Their Energy-Saving Applications, Chem. Eur. J. , v. 15, p. 492 – 500, 2009.

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