• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Identificação lab-on-chip do anti-inflamatório não esteroidal Piroxicam

Autores

Sabbatini Capella Lopes, C. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Zanon de Moraes Goes de Oliveira, G. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; dos Santos Fernandes, J. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Oliveira Fernandes, J. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Augusto Rolim Bernardino, C. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Ferreira Braz, B. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Erthal Santelli, R. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Cincotto, F.H. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO)

Resumo

Neste trabalho, foi realizado um comparativo entre diferentes materiais eletroquímicos a base óxido de grafeno reduzido (RGO), para avaliar sua performace eletrocatálítica, e permitir o desenvolvimento de um eletrodo impresso descartável (SPE) modificado para a determinação de piroxicam (PRX).Foram realizadas as técnicas de voltametria cíclica e de pulso diferencial,à uma taxa de varredura de 100 mV s-1/pH 7,0.O modificador RGO-SbNPs, conferiu maior sensibilidade para PRX de acordo com os ensaios de voltametria cíclica. A eletro-oxidação irreversível próxima a +0,3 V sugere que o método em desenvolvimento é viável para a quantificação do analito. Espera-se que este novo material permita a determinação de PRX em uma faixa linear de 8 a 150 μmol e um limite de detecção de 0.40μmo L-1

Palavras chaves

Piroxicam; Nanomaterial de antimônio; eletrodo impresso descart

Introdução

Recentemente no Brasil, tem ocorrido uma mudança na percepção do bem estar de animais de produção, não somente por proprietários rurais mas também consumidores, aumentando assim o uso de AINEs como por exemplo em gado leiteiro, a fim de minimizar efeitos dolorosos de procedimentos clínicos (ENGELKING et al, p. 4144, 2022), contribuindo para um potencial aumento da contaminação do meio ambiente por AINEs (ESCHER et al, p. 143, 2019). O piroxicam (PRX) é um AINE não-seletivo que controla a dor e a inflamação, de uso humano (EARNET et al, p. 156, 1992) e veterinário (AKOGWUet al, p. 1,2017). A contaminação de leite e água potável com resíduos de PRX pode gerar danos a saúde humana (EUROPEAN MEDICINES AGENCY, 2008). Em comparação com os métodos cromatográficos a possibilidade de realizar a quantificação de PRX por métodos eletroanalíticos pode representar uma estratégia mais rápida e barata, para determinação deste AINE. Nos últimos anos, as propriedades eletrocatalíticas do grafeno vêm despertando a possibilidade em desenvolver senores eletroquímicos para determinação de contaminantes químicos. O grafeno posui uma única camada de átomos de carbono sp2, dispostos em uma rede organizada como colméia, que possui alta mobilidade eletrônica (2,0 x 105 cm2 V-1 s-1) (GEIM p.324,2009). Com a finalidade de aperfeiçoar as características elétricas e eletrônicas, faz-se necessário remover os grupos oxigenados da superfície do GO, isto é, reduzir o GO para produzir a forma óxido de grafeno reduzido (RGO) e modificar com nanomateriais eletrocondutivos visando aumentar a desempenho analítico para quantificação de PRX. Finalmente, propõe-se a construção de um sensor de eletrodo de carbono impresso (ECI) modificado por um naomaterial que aumente a sensibilidade na quantificação de PRX.

Material e métodos

Os eletrodos foram construídos a partir do método screenprinting sobre uma folha de acetato: imprimiu-se o molde, projetado pelo grupo de pesquisa GPEAA da UFRJ, por meio da impressora Silhouette CAMEO 4 em vinil; pintaram-se os eletrodos de trabalho, de referência e o contra-eletrodo com tinta condutiva de carbono, que foram secos em estufa a 50 º C por 40 minutos, e as folhas foram descansadas por um dia; após, pintou-se o eletrodo de referência com tinta de prata, repetindo- se os métodos de secagem e descanso. A preparação e caracterização do óxido de grafeno reduzido com óxido de antimônio (RGO-Sb2O5) ocorreu de acordo com a literatura (CINCOTTO et al, p. 333, 2015) e do óxido de grafeno reduzido com nanopartículas de antimônio (RGO- SbNPs) também de acordo com a literatura (CESARINO et al, p. 454, 2015).Prepararam-se suspensões aquosas modificadorasna proporção 1:2 (g L-1), que foramsonicadas em ultrassom por 20 minutos e por 1 hora respectivamente.Preparou-se uma suspensão com óxido de grafeno (GO), adquirido da Sigma-Aldrich, pelo mesmo procedimento, com sonicação em ultrassom por 20 minutos. Para a preparação dos eletrodos, a área eletroativa foi lavada com água Milli-Q e seca ao ar à temperatura ambiente. Por gotejamento, modificaram-se os eletrodoscom 10 µL de determinada suspensão previamente sonicada, sendo secos pelo mesmo procedimento. Para as análises, a solução-estoque de PRX, adquirido da Sigma-Aldrich, foi preparada em isopropanol. As medições com o analito foram realizadas com mistura isopropanol/(0,2 M tampão BR 7,0) por gotejamento de 50 µL na superfície eletroativa do eletrodo de trabalho. Utilizaram-se as técnicas voltametria cíclica (CV) e de pulso diferencial (DPV) por meio do potenciostatoµAUTOLABIII com o auxílio do software NOVA 2.1.

Resultado e discussão

Escolheu-se o eletrodo de carbono impresso para o desenvolvimento do sensor, porque ele apresenta uma série de vantagens, como baixo custo, pouco volume de análise, alta sensibilidade além de descartáveis. O óxido de grafeno têm sido muito empregado em trabalhos por causa da sua estrutura planar bidimensional, que pode ser funcionalizada, e de sua capacidade de interagir com outras substâncias, formando nanomateriais compósitos (CINCOTTO et al, p. 333, 2015). As nanopartículas de antimônio (SbNPs), ao serem utilizadas em eletrodos, conferem características químicas semelhantes ao bismuto. Essas nanopartículas, juntamente com óxido de grafeno reduzido, realizam um efeito sinérgico, pois este último apresenta-se como nanofolhas que se depositam sobre a área eletroquimicamente ativa do eletrodo, gerando um aumento na condutividade e área superficial, além de conter mais sítios ativos em relação ao GO, que apresenta sítios ativos bloqueados devido a interações п – п(CESARINO et al, p. 454, 2015). Adicionalmente, os dados obtidos pela volatametria cíclica corroboram com dados prévios da literatura (Feizollahi et al.2020), que relatam maior sensibilidade do modificador RGO-SbNPs para determinação de piroxicam devido à maior velocidade conferida na transferência de elétrons na reação de oxirredução. Além disso, a análise presente no gráfico também revela que a oxidação do analito ocorre irreversivelmente próximo a + 0,3 V, o que é uma vantagem do sensor proposto, pois despende-se menos energia para a eletro- oxidação em relação a outros trabalhos presentes na literatura, conforme relatado por Feizollahi (2020) o qual obteve uma oxidação próximo a + 0,5 V , ao utilizar um eletrodo de carbono vítreo modificado com nanopartícula de cobre em 0,1 M PBS pH 7.0.

Comparativo de sensores em estudo

Voltamograma cíclico de 0,029 mmol L-1 de PRX em 0,2 M tampão BR (pH 7,0) a 100 mV s-1

Conclusões

Um novo sensor eletroquímico para a determinação de PRX está sendo desenvolvido à base de eletrodo de carbono impresso modificado com o material RGO-SbNPs. Os resultados apresentados pela análise mostram que o modificador SbNPs gera uma oxidação irreversível do analito, conferindo uma maior sensibilidade para o sensor em relação aos outros materiais explorados neste trabalho baseado no maior pico de corrente obtido para este modificador. Posteriormente, serão realizados estudos de pH, de otimização da DPV, construção de curva analítica (DPV) e quantificação de PRX em amostras de leite e água.

Agradecimentos

ConselhoNacionaldeDesenvolvimentoCientíficoeTecnológico;Coordenaçãode Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio deJaneiro;Universidade FederaldoRio deJaneiro

Referências

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CINCOTTO, F. H.; CANEVARI, T. C.; MACHADO, S. A. S..; SÁNCHEZ, A.; BARRIO, M. A. R.; VILLALONGA, R.; PINGARRÓN, J.M..Reduced graphene oxide-Sb2O5 hybridnanomaterial for the design of a laccase-basedamperometricbiosensor for estriol. Electrochimica Acta, vo 174, 332-339, 2015.
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EUROPEAN MEDICINES AGENCY. Artigo 31º da Diretiva 2001/83/CE alterada: piroxicam. União Europeia: European Medicines Agency, 2008. Disponível em: <https://www.ema.europa.eu/documents/referral/piroxicam-article-31-referral-annex-i-ii-iii-iv_en.pdf.> Acesso em: 26 ago. 2022.
GEIM, A. K. Science, no324 vo 1530,2009.

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