• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

DESENVOLVIMENTO DE UM DISPOSITIVO BIODEGRADÁVEL PARA A LIBERAÇÃO CONTROLADA DO RINCOFOROL (E) 6-METILHEPT-2-EM-4-OL FEROMÔNIO DE AGREGAÇÃO DO Rhynchophorus palmarum

Autores

dos Passos Santos, M.J. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS) ; da Silva Moura, O.F. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS) ; de Freitas, J.M. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS) ; Duarte de Freitas, J. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS) ; Duarte de Freitas, A.J. (INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS)

Resumo

Para a produção do dispositivo, foi produzida uma matriz biológica a base de fibra da casca do coco e funcionalizada com o rincoforol. Para sua produção foram separadas granulometria com mesh’s 35, 60 e 140, para a avaliação da eficiência da liberação em laboratório, foram utilizadas as técnicas de termogravimetria , o método da coleta dinâmica de voláteis, utilizando os adsorventes, sílica, carvão ativo e tenax e cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas . Através da liberação controlava foi observado que utilizando qualquer um dos três adsorventes obtém-se picos referentes a biomatriz e ao rincoforol, que teve sua presença comprovada utilizando a biblioteca do espectro de massas, além do padrão utilizados para a caracterização do rincoforol sintetizado.

Palavras chaves

Dispositivo de liberação; Química verde; Insetos pragas

Introdução

A inserção de insetos no Brasil, acabou tornando-se um sério problema a longo prazo, pois esses encontraram ambiente favorável para sua reprodução e muitos tornaram-se pragas de determinadas plantações, que consequentemente acaba sendo um grande agravante na produção e exportação de alimentos (Embrapa, 2007) O Brasil é o terceiro maior exportador agrícola do mundo segundo os dados da Organização Mundial do comércio (TILMAN, 2011). É observado que o aumento da população acompanha o aumento por demanda de produção de alimentos, esse aumento na produção significa um acréscimo no plantio de lavouras, que devido à grande quantidade de pragas, contribui para a perda quase total da lavoura, levando assim a um grande prejuízo. O controle é realizado na maioria dos casos utilizando inseticidas que desempenham importante papel no controle de insetos- praga, no entanto, o uso indiscriminado vem ocasionando problemas ao homem e ao meio ambiente, além do alto custo e das dificuldades para aplicação de alguns desses produtos. Esses inconvenientes motivaram os pesquisadores a buscarem novas tecnologias que permitam um manejo racional de agrotóxicos (PEREIRA, 2007). Uma das alternativas utilizadas é o uso limpo sem agrotóxicos para o controle de pragas, de forma especial a utilização dos feromônios, que são substâncias químicas segregadas por um indivíduo e recebida por ouro da mesma espécie, que é responsável por uma ação específica, seja uma mudança no comportamento ou processo de desenvolvimento fisiológico definido (PEREIRA, 2007). O uso dos feromônios constitui uma técnica menos prejudicial ao ecossistema e figura como um meio promissor no manejo integrado para um grande número de espécies de pragas de importância econômica em todo o mundo. Com o uso dos feromônios para controle de pragas, é possível sanar uma das questões que preocupam o setor agrícola nacional: produzir alimentos sem resíduos tóxicos e diminuir o custo de produção (ZEVALLOS, 2013). Para a utilização de semioquímicos no controle de pragas são utilizadas armadilhas compostas pelo feromônio e um atraente alimentar, para aumentar a eficiência do produto, estas podem ser usadas de duas formas: como iscas em armadilhas para monitorar a população da praga (monitoramento), e para o controle da praga. O controle pode ser, por exemplo, por interrupção do acasalamento dos insetos (confusão sexual), pela coleta massal, pela técnica de atrai-e-mata, entre outros (RAMOS, 2012). Para utilizar os feromônios como gerenciadores de pragas, o composto químico ativo específico tem que ser isolado, identificado e produzido sinteticamente. Agentes externos como ventos fortes, chuvas e radiação UV podem prejudicar 16 a liberação. Para o uso do feromônio no campo a escolha do dispositivo liberador é importante, pois será ele que protegerá e controlará a sua concentração no ambiente (MORAIS, 2017). Visando a eficiência e competitividade para solucionar problemas de natureza fitossanitárias, com diminuição de custos, aumento da segurança a saúde humana, alimentar e ambiental, além da redução dos resíduos de agrotóxicos e de um melhor desempenho da produção agrícola, esse trabalho buscou trazer formulações que fossem adequadas ao ambiente brasileiro e que favorecessem de forma significativa no controle de pragas, pois sabe-se que a busca por meios de produção agrícola limpa vem crescendo bastante nos últimos anos, e que do ponto de vista cientifico essa busca por meios que possam acompanhar o grande demanda da agricultura nacional fornecendo-lhes um produto de qualidade, a preços competitivos e desenvolvendo uma tecnologia local de síntese e formulação de feromônio vem sendo bastante desafiante, mas ao mesmo tempo bastante compensador, pois beneficia aos agricultores, bem como, aos consumidores e ao meio ambiente.

Material e métodos

Síntese do (E) 6-Metilhept-2-en-4-ol (rincoforol) via metodologia de Grignard utilizando como solvente THF seco. Em um balão tritubulado de 100 mL foi conectado um funil de adição de 50 mL com um septo de borracha contendo uma bexiga de festa com gás nitrogênio (N2); um condensador de fluxo de serpentina com um septo de borracha contendo uma bexiga de festa com gás nitrogênio (N2) e na boca restante foi conectado um septo de borracha. Foi introduzido no balão uma barra de agitação magnética de 0,2 cm de comprimento, 2,0 g (0,083 mol) de magnésio, 7 mL de THF seco e um pouco de iodo molecular. Neste momento iniciou-se a agitação magnética, onde permaneceu por 5 minutos. Em seguida foi adicionada, gota a gota, com auxílio do funil de adição uma solução contendo 7,8 mL (0,057 mol) de 1-bromo-2-metilpropano e 5 mL de THF durante 1 hora. Decorridos 20 minutos do início dessa adição foi observado um aquecimento brusco do sistema reacional, visto que, a reação trata-se se uma reação exotérmica, sendo então necessário colocar o sistema em um banho, gelo- água para resfriamento do balão. A reação foi mantida em agitação por mais 30 minutos. Passado esse tempo, foi adicionada, gota a gota, uma solução contendo 5,1 mL (0,061 mol) do crotonaldeído e 5 mL de THF seco durante 1h e 20 min. Decorridos 20 minutos após o fim dessa adição, a mistura reacional foi hidrolisada lentamente com cerca de 40 mL de uma solução de ácido clorídrico a 10%. Os cocos sem distinção de maturação foram adquiridos no mercado local de Maceió e conduzidos ao laboratório de Síntese Orgânica do IFAL. Posteriormente foram lavados, enxugados e suas fibras (mesocarpo) retiradas manualmente (Figura 9A). Uma determinada massa dessas fibras foi para estufa de secagem a 105º C onde permaneceu por duas horas. Em seguida, as fibras foram raladas e postas em um separador de granulometria da Bertel (Figura 9 B) e foram classificadas em três granulometrias com peneiras de 35 ABNT/ASTM (35 Mesh),60 ABNT/ASTM (60 Mesh) e 140 ABNT/ASTM (140 Mesh). Para as análises estatísticas, foram feitos inicialmente testes de impregnação, onde foram adicionados em tubos de eppendorfs 500 mg do mesocarpo da casca de coco com os Mesh 35, Mesh 60 e Mesh 140, em seguida foi adicionado o rincoforol, gota-a-gota, até detectar a adesão firme à superfície, onde pode-se observar que para que essa adesão ocorresse era necessário adicionar 56 µL do rincoforol. O controle da liberação do feromônio foi feito através de uma câmara termostática com temperatura fixa de 35 °C por 128 dias, onde foi possível fazer uma simulação de como o dispositivo reagiria em condições ambientes, para estudar se havia uma liberação controlada e para que pudesse averiguar quanto tempo o semioquímico ficaria impregnado à matriz. Através das anotações de perda de massa diária, foi possível fazer a aplicação do delineamento inteiramente casualizado.

Resultado e discussão

Após a impregnação do rincoforol ao mesocarpo da casca de coco, foram feitas análises térmicas, do material presente nos tubos de eppendorfs, que foram utilizados para os testes iniciais e das pastilhas feita a partir da casca de coco, o dispositivo-pastilha feita através do mesocarpo da casca de coco utilizando o mesh 35 e o dispositivo-pastilha feita através do mesocarpo da casca de coco com a impregnação do rincoforol utilizando o mesh 35. Na curva verde é possível observar duas perdas de massa, onde a primeira refere-se a perda de umidade juntamente com a volatilização do rincoforol no intervalo entre 28 °C à 106,84 °C e uma segunda perda de massa referente a degradação do rincoforol que se inicia em 106,84 °C e vai a 263,12 °C. Referente ao dispositivo-pastilha do mesocarpo da casca de coco, apresenta uma primeira perda de massa entre 28,33 °C e 91,70 °C intervalo de perda de massa referente a umidade do material, apresenta uma segunda perda de massa entre 183,77 °C e 325,79 °C referente decomposição dos compostos livres ou complexados presentes na fibra da casca de coco, e uma terceira perda de massa entre 325,79 °C e 529,44 °C referente a degradação final do material. A curva vermelha trata-se da curva termogravimétrica do dispositivo impregnado com o rincoforol, nessa curva pode-se observar três perdas de massa, a primeira entre 28,33 °C e 91,70 °C referente a umidade juntamente com a volatilização do rincoforol, a segunda perda de massa ocorre entre 91,70 °C e 177,25 °C referente a degradação do rincoforol e uma terceira perda de massa entre 177,25 °C até 358,91 °C ocasionada pela reação de desidratação que se refere à decomposição dos compostos orgânicos, livres ou complexados da casca de coco. Os cromatogramas obtidos para amostras da biomatriz impregnada com o rincoforol utilizando-se dos três tipos de adsorventes: carvão, sílica e tenax, além do cromatograma do rincoforol sintético. Nota-se que o cromatograma dos voláteis dos dispositivos-pastilha feitas com a casca de coco incorporado com o rincoforol comportou-se de forma semelhante aos cromatogramas dos voláteis do mesocarpo da casca de coco, diferenciando apenas pela presença de um pico com um tempo de retenção de 10,5 minutos, que comparado com o cromatograma do rincoforol sintetizado e com os resultados da biblioteca do equipamento, é possível constatar que esse pico refere-se ao feromônio, visto que a metodologia e a coluna utilizada em todas as análises foi a mesma. Os picos adicionais apresentados no cromatograma do rincoforol referem-se às impurezas, possivelmente produtos de degradação e/ou resíduos de síntese. Os cromatogramas obtidos para amostras da biomatriz impregnada com o rincoforol utilizando-se dos três tipos de adsorventes: carvão, sílica e tenax. Nota-se que o cromatograma dos voláteis dos dispositivos com o rincoforol comportou-se de forma semelhante aos cromatogramas dos voláteis do mesocarpo da casca de coco, diferenciando apenas pela presença de um pico com um tempo de retenção de 10,5 minutos, que comparado com o cromatograma do rincoforol sintetizado pelo nosso grupo de pesquisa e com os resultados da biblioteca do equipamento, é possível constatar que esse pico refere-se ao do feromônio, visto que a metodologia e a coluna utilizada em todas as análises foi a mesma. Os picos adicionais apresentados no cromatograma do rincoforol referem-se às impurezas, possivelmente produtos de degradação e/ou resíduos de síntese. Através da análise estatística é possível observar que nos primeiros sete dias a liberação do feromônio ocorre de forma alinear, o que pode ser explicado pela alta concentração utilizada, que em poucos dias alcançou uma linearidade na perda de massa, pois a partir do oitavo dia nota-se que a perda de massa é constante, indicando assim que o dispositivo criado apresenta características de que pode ser utilizado, pois apresenta uma liberação controlada do material e que essa liberação persiste por mais de 128 dias.

Conclusões

A síntese em escala preparatória do 6-metil-hept-2-en-4-ol através da metodologia de Grignard, foi realizada com sucesso e obteve bons rendimentos reacionais, além disso, constatou-se que o produto formado possui uma alta compatibilidade com o feromônio sintetizado pelo inseto. Já o estudo desenvolvido utilizando a fibra da casca de coco como dispositivo de liberação controlada do rincoforol, feromônio de agregação do Rhynchophorus palmarum, tem um caráter promissor, pois além de ser um material de baixo custo, biodegradável, que apresenta uma boa impregnação, tem também a capacidade de fazer uma liberação prolongada de rincoforol. Os três tipos de mesh’s apresentaram uma boa impregnação e um índice de liberação controlada considerável, principalmente se tratando do material feito a parir da granulometria de 35 mesh, onde foi possível observar uma maior capacidade de liberação controlada do referido feromônio. Com isso pode-se dizer que o dispositivo desenvolvido atendeu ao objetivo desejado, pois teve uma boa eficiência quanto a adsorção e a liberação controlada do rincoforol. Cabe ainda salientar, que o referido trabalho visou o desenvolvimento cientifico, e tecnológico regional na área de química, em particular na síntese orgânica, pois além de fornecer os produtos desejados, qualifica e re-qualifica os estudantes e pesquisadores envolvidos, no que diz respeito a formação de recursos humanos no desenvolvimento de química fina aplicada.

Agradecimentos



Referências

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