• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Inclusive Química e Popularização da ciência: uso das mídias digitais como estratégia de Letramento científico e Ensino de Química.

Autores

Siqueira, B. (UERJ) ; Goncalves, M. (UERJ)

Resumo

O contexto pandêmico expôs uma necessidade de professores dialogarem ainda mais com as novas tecnologias no ensino remoto/ensino híbrido, a fim de promover a divulgação e popularização da ciência na sociedade. A Base Nacional Comum Curricular ressalta o uso da tecnologia em sala de aula, por ser entendida como ferramenta fundamental para o mundo moderno, com grande influência nas formas de trabalho, comunicação, relacionamento e aprendizagem. Em meio as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs), as redes sociais podem surgir como um meio complementar para aproximar o cotidiano dos alunos aos conteúdos de química. O projeto em questão se propõe a apresentar propostas de diálogo com a sociedade (estudantes, professores, bem como o público em geral).

Palavras chaves

Redes sociais; Tecnologias digitais ; Popularização científica

Introdução

Na sociedade atual percebe-se cada vez mais que a tecnologia é uma ferramenta parte do cotidiano, devido principalmente ao desenvolvimento de conhecimentos nas áreas de informação e comunicação que proporcionam novas formas de relações interpessoais, de trabalho, de execução de tarefas e de resolução de problemas dentro do contexto social. Essas características configuram a cibercultura, entendida como “uma forma sociocultural que modifica os hábitos sociais, práticas de consumo cultural, ritmos de produção e distribuição da informação, criando novas relações no trabalho e no lazer, novas formas de sociabilidade e de comunicação social. Esse conjunto de tecnologias e processos sociais ditam hoje o ritmo das transformações sociais, culturais e políticas nesse início de século XXI”. Em meio a essa Cultura Digital, as TDICs se referem ao conjunto de meios técnicos utilizados para tratar a informação e auxiliar na comunicação, integrando diversos ambientes e pessoas, fazendo o uso de dispositivos e equipamentos como computadores, smartphones, modens e, também de programas, mídias e aplicativos. Apesar da presença marcante em grandes segmentos da sociedade e do impacto significativo sobre a forma de comunicação entre os indivíduos, as TDICs por vezes aparecem distantes da área da educação. A não incorporação ou não apropriação desses recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem é consequência do que chamamos de tecnofobia, uma condição que tem seus primeiros registros históricos na Primeira Revolução Industrial, mas que tem sido mais discutida nos últimos anos. Essa condição pode ser entendida como o medo, resistência ou aversão ao uso da tecnologia. No campo da educação, um docente com tecnofobia pode não se sentir qualificado para usar os recursos nas suas aulas; o principal reflexo desse descompasso entre sociedade e educação é que “as salas de aulas ainda têm a mesma estrutura e utilizam os mesmos métodos usados na educação do século XIX”, baseadas no papel e lápis. Observando essa e outras características, a educação ainda é baseada em um conceito antigo de emissão e recepção de informações e conteúdo, criticada por Paulo Freire como uma educação bancária, onde a atribuição do professor é o de detentor do conhecimento e transmissor das informações7. Este cenário no qual o modelo de educação ainda não se atualizou aos tempos modernos é muito bem sintetizado e criticado por José Pacheco, um dos idealizadores do projeto Escola da Ponte, que afirma não ser aceitável um modelo educacional em que alunos do século XXI sejam 'ensinados' por professores do século XX, com práticas do século XIX”. Inserir as TDICs no contexto escolar e na prática docente, é um dos passos importantes para a educação no século XIX. Esse distanciamento entre escola, professores e as tecnologias digitais diminuiu consideravelmente no ano de 2020, em virtude da pandemia da COVID-19, o que promoveu um maior estreitamento entre educação e tecnologias digitais. O Inclusive Química é um espaço virtual de diálogo, vinculada ao Instagram, Facebook e Youtube, que tem como foco a Divulgação Científica e Popularização da Ciência, numa linguagem acessível e descomplicada, a fim de aproximar estudantes e a sociedade de assuntos científicos e tecnológicos, e assim tenham maior interesse pelos temas das aulas de ciências. É um espaço de formação para licenciandos e professores da educação básica, como forma de formação Docente Continuada. É possível trazer para a sociedade uma série de metodologias ativas de ensino, práticas na área de Educação Especial e Inclusivas, e informações recentes sobre as inovações científicas, como as vacinas contra a COVID-19, amplamente discutidas e colocadas em dúvidas em virtude da polarização política que nosso país se encontra. Nesse momento informação com fontes seguras, vindo dos especialistas da área, se faz extremamente necessária, desmitificando as Fake News, tão danosas em nossa sociedade nos últimos anos.

Material e métodos

É preciso conhecer e compreender as características da geração com a qual se vai trabalhar, saber como pensam, o que os entretêm e como aprendem. Para isso foi necessário adequar a linguagem acadêmica em uma abordagem que despertasse maior interesse nos estudantes e no público em geral. Estar atualizado na prática docente é entender o seu grupo discente, seu local de atuação e o contexto em que está inserido; saber dos fatos, informações e acontecimento; e, principalmente, conhecer as novas práticas pedagógicas, técnicas de condução didática modernas e as mais recentes tendências e ferramentas educacionais, como as TDICs. O uso delas requer uma condução que se aproprie de novas metodologias pedagógicas e didáticas, e um uso da tecnologia de maneira crítica, inteligente e significativa, que acompanhe os avanços. O objeto de estudo do Inclusive Química é divulgar ciência e aproximar o público de uma ciência temida, por se apresentar repleta de fórmulas, cálculos e conteúdo. Verificou-se também a necessidade de um diálogo, para combater as notícias falsas. A criação de conteúdo digital traz importantes assuntos relacionados aos avanços da ciência e pesquisa no Brasil e no mundo. A página promove entrevistas com profissionais que compartilham suas experiências e práticas; divulga trabalhos; traz práticas educacionais inclusivas, voltada aos docentes e sua formação continuada. Alguns conteúdos são combinados à memes (gênero digital), tornando mais lúdico o contato com a disciplina. Os memes promovem interações nas redes sociais e se encaixam no multiletramento, que dá foco a crescente diversidade cultural no mundo globalizado (multicultural), e forte influência da linguagem das tecnologias dos variados modos (multimodal), através da escrita, de imagens, áudios e vídeos. Atualmente a página Inclusive Química está vinculada como projeto de extensão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e conta com uma aluna bolsista que trabalha na página criando conteúdos digitais, de modo a promover a divulgação científica, focando a população com uma linguagem mais acessível, nas mídias digitais. Para tal foram criadas categorias de postagens, tais como: ciência contada, que são histórias em quadrinhos que mostram as aventuras da personagem Carbonila que aprende ciência conversando com pessoas próximas; conhecendo a escola, neste é mostrado diferentes histórias de escola públicas; divulgação cultural da ciência em espaços públicos, a fim de mostrar exposições de baixo custo na cidade do Rio de Janeiro; história da química e outros assuntos da área das ciências.

Resultado e discussão

A página vem entregando aos seus seguidores, desde 2016, conteúdos ligados à ciência, com uma linguagem acessível e de fácil entendimento, de modo que possa tocar também aos seguidores sem formação científica, além é claro, de estudantes da educação básica e superior. No ano de 2020 entregou uma série de entrevistas com profissionais de instituições públicas e privadas, que dividiram seus projetos e experiências acadêmicas. A página vem produzindo conteúdos e materiais educacionais, com ênfase em ensino de Ciências, Letramento e Alfabetização Científica, Divulgação e Popularização da Ciência, que são utilizados nas turmas de Educação Básica do CAp UERJ e outros espaços de ensino de escolas parceiras. Ainda promoveu encontros virtuais de Divulgação e Popularização da Ciência, palestras, cursos e minicursos, com parcerias entre outras escolas e universidades, dialogando e interagindo com estudantes e grupos de pesquisa de outros estados. A promoção de palestras virtuais, com os assuntos mais pertinentes à sociedade, foi um ponto que surtiu efeito durante os dois últimos anos pandêmicos, e se pretende permanecer, sempre com caráter informativo, em parceria com os docentes das instituições parceiras. Este projeto de extensão ainda visa: possibilitar aos estudantes das instituições envolvidas no projeto a participação em Congressos, Seminários e Eventos em âmbitos locais e nacionais, como o CBQ (Congresso Brasileiro de Química); produção e divulgação de artigos científicos; escrita de planejamentos pedagógicos e planos de aula a serem aplicados inicialmente no CAp UERJ, a fim de sejam multiplicadores das ações científicas em seus núcleos familiares; estimular rodas de leitura e debates entre os alunos bolsistas, a partir de conteúdos que são publicados em outras páginas de divulgação científica.

Conclusões

Apesar da sociedade contemporânea vivenciar a cibercultura, a educação ainda não se apropriou plenamente dos recursos proporcionados pelas TDICs. Após 2020 os professores começaram a dialogar mais com as tecnologias no ensino remoto, o que evidenciou a importância de uma formação docente inicial ou continuada, na qual o professor aprenda a usar recursos digitais, promovendo um processo de ensino- aprendizagem mais ativo e interativo. As redes sociais fazem parte do cotidiano de grande parte dos estudantes e demais integrantes da sociedade. Além do entretenimento, seu uso na prática pedagógica pode promover a aproximação entre professores e estudantes, possibilitando a construção de saberes de forma coletiva. As TDICs são necessárias no processo de ensino-aprendizagem, pois promove a alfabetização e o letramento digital. Ser letrado digitalmente é “saber usar as tecnologias, respondendo ativa e criticamente a diferentes propósitos e contextos”. Elas ainda promovem a inclusão digital, por garantir aos alunos condições de acesso às tecnologias, tornando-os participantes ativos. As novas mídias têm a missão de agregar e fortalecer o objetivo educacional: possibilitar que o aluno se torne um cidadão coerente, crítico e criativo para a vida em sociedade, dispondo dos recursos técnicos. Ampliam as possibilidades de pesquisa, autoria, comunicação e compartilhamento em rede, ou seja, mais ativos e engajados. Redefinem a troca entre os espaços formais e informais pelas redes sociais.

Agradecimentos

À Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ao seu Departamento de Extensão (DEPEXT), pela bolsa concedida à estudante de graduação do Instituto de Química do IQ/UERJ selecionada para o projeto.

Referências

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