• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Contextualizando a partir da leitura de rótulos/embalagens: uma experiência escolar envolvendo conhecimentos estruturados na química

Autores

Oliveira, B.S. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Valente, J.T. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Silva, E.F. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Costa, G.M.P. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS BELÉM) ; Silva, C.M.C. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Batista, R.G.C. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Botelho, E.V.D. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Chaves, J.P.R. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS ANANINDEUA) ; Moraes, G.L. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS BRAGANÇA)

Resumo

O presente trabalho teve como objetivo principal contextualizar o ensino de química através da leitura de rótulos/embalagens. Foi realizada uma exposição interativa para alunos da única escola de ensino médio da zona urbana do município de Bujaru-PA, na qual eles tivessem a oportunidade de atuar como protagonista mobilizando conhecimentos relacionados a misturas e quantificação de determinado componente em uma situação-problema envolvendo diabetes e hipertensão. Os resultados indicam que um número relevante de alunos teve a oportunidade de passar para um nível de maior conhecimento sobre o assunto e que a seleção de produtos adequados a uma dieta com restrições alimentar deve passar pelo saber fazer a leitura das informações contidas nos rótulos e embalagens.

Palavras chaves

Ensino de química; Rótulos/embalagens; Contextualização

Introdução

De acordo com o Ministério da Saúde, diabetes e hipertensão estão entre as doenças crônicas mais incidentes no Brasil (BRASIL, 2020). Identificar, analisar e discutir vulnerabilidades vinculadas às vivências e aos desafios contemporâneos aos quais as juventudes estão expostas, a fim de desenvolver e divulgar ações de prevenção e de promoção da saúde e do bem-estar (BRASIL, 2018) é habilidade que pode ser desenvolvida no ensino de química. Para tanto, é importante criar situações que envolvam os estudantes em problemas concretos que os façam perceber que os aportes teóricos e processuais da química podem ajudar a agir no mundo e sobre o mundo (BRASIL, 2018). Segundo Chassot (2003, p.94), “[...] seria desejável que os alfabetizados cientificamente não apenas tivessem facilitada leitura do mundo em que vivem, mas entendessem as necessidades de transformá-lo – e, preferencialmente, transformá-lo em algo melhor”. A contextualização, no sentido de aproximar os conteúdos estudados da experiência sensível do educando (BRASIL, 1999), através da resolução de problemas reais presentes no cotidiano podem ser um importante ponto de partida para tornar o ensino de química mais interessante e significativo. Segundo Grochowsk e Peres (2013), é importante que os alunos saibam fazer a leitura dos rótulos, para tomada de decisões na escolha de produtos mais concordantes às suas necessidades. Neste contexto, foi idealizada uma exposição interativa envolvendo a química na leitura de rótulos/embalagens, que incentivou a mobilização de conceitos relacionados a misturas e a relação quantitativa de determinado componente de uma mistura (concentração) na resolução de um problema relacionado à diabetes e hipertensão.

Material e métodos

Trata-se de um recorte de atividade prática extensionista desenvolvida no contexto da disciplina Práticas Pedagógicas de ensino de Química do curso de Licenciatura em Química do Campus de Ananindeua da UFPA. Foi realizada uma exposição interativa para 68 estudantes do 1°, 2° e 3° ano da única escola de nível médio da zona urbana do município de Bujaru-PA, EEEFM Dom Mário de Miranda Vilas Boas. Para contextualização e avaliação do trabalho, os estudantes foram recepcionados com o seguinte problema: “Um estudante de Bujaru-PA preocupado com seus pais pede ajuda aos amigos, pois sua mãe está com diabete e seu pai é hipertenso, a alimentação deles precisa ser mais saudável e por isso precisam consumir produtos com teor de açúcar e sódio reduzidos. Este estudante foi às compras em alguns supermercados da cidade e encontrou as opções de alimentos que estão na mesa. Ajude-o a fazer as escolhas mais adequadas dentre os itens disponíveis”. Após a apresentação do problema, foram apresentado aos estudantes produtos nas versões integral, light, diet e zero açúcar (Figura 1), solicitou-se que eles indicassem quais produtos seriam mais adequados para o consumo do pai hipertenso, da mãe diabética e as respostas foram coletadas por meio de um questionário. Em seguida, os estudantes foram orientados a respeito do emprego dos termos light, diet e zero nos alimentos em como identificar os componentes que têm composição alterada a partir da leitura de informações contidas nos rótulos/embalagem. Por fim, o questionário foi reaplicado a fim de oportunizar novas leituras e reflexões para um consumo consciente e saudável. Para coleta de dados foi usado um questionário, testado, com perguntas de múltipla escolha e seleção da amostra por acessibilidade (LAKATOS; MARCONI, 2008; GIL, 2008).

Resultado e discussão

A contextualização ajuda no processo de ensino e aprendizagem, já que relaciona os conteúdos estudados em sala de aula com situações do dia a dia do aluno, assim os estudantes conseguem compreender melhor o assunto abordado pelo professor. Segundo Santos et al. (2020), além de contribuir para uma aprendizagem significativa, também é instrumento para o consumo consciente de produtos com composição alterada em relação às versões tradicionais. A contextualização problematizada foi importante para obter indícios do que os estudantes já sabiam sobre o assunto. A análise dos dados indica que a maioria (68%) dos estudantes consideravam ter condições de mobilizar os conhecimentos necessários para tomar uma decisão de consumo adequado. Apenas 23 (34%) estudantes indicaram não saber qual seria a melhor opção a ser consumida pelo pai ou pela mãe em algum momento. Contudo, duas observações são curiosas. A primeira está relacionada ao percentual de estudantes que não sabiam ou selecionaram os produtos menos adequados para o consumo do pai hipertenso, principalmente entre as opções de torrada (Figura 2). Outra diz respeito ao alto percentual de acerto entre os 23 estudantes que inicialmente indicaram não saber alguma resposta e ao final conseguiram indicar o produto mais adequado de forma correta (91%). De forma geral, é possível perceber que inicialmente os percentuais de erro são maiores do que ao final da exposição, pelo que se entende que a estratégia de compartilhamento de conhecimentos teve resultado positivo (Figura 2). Nossos resultados são condizentes com Grochowsk e Peres (2013) e apontam para a importância de se saber fazer a leitura dos rótulos, para tomada de decisões na escolha de produtos mais adequados a cada necessidade.

Figura 1

Itens usados na exposição: a)granola zero açúcar, b)granola integral, c)torrada tradicional, d)gelatina diet, e)gelatina tradicional, f)torrada light.

Figura 2

Tabela de dados coletados dos questionários.

Conclusões

A contextualização a partir da leitura de rótulo mostrou-se significativa para o uso prático de conceitos relacionados a misturas e quantificação de determinado componente. Um número significativo de estudantes teve a oportunidade de passar para um nível de maior conhecimento sobre o assunto. Apesar de a maioria dos estudantes, inicialmente, considerarem saber a diferença entre os conceitos light, diet e zero e ter condições de selecionar os produtos mais adequados às restrições de consumo indicadas, a experiência mostrou que a escolha certa deve passar pelo saber fazer a leitura de rótulos.

Agradecimentos

Os autores agradecem à Faculdade de Química do Campus de Ananindeua da Universidade Federal do Pará e a escola EEEFM Dom Mário de Miranda Vilas Boas que permitiu a realização desta experiência.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2019: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/SEB, 2018.
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999.
CHASSOT, Attico. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. Rev. Bras. Educ. [online], n.22, 2003.
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de pesquisa social. 6º Ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GROCHOWSKI, C. L. K.; PERES. O. M. R. Os rótulos nutricionais com recurso didático no ensino de ciências. 1 ed. Versão On-line ISBN 978-85-8015-076-6 Cadernos PDE. Paraná, 2013.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, E. V. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
SANTOS, A. G. et al. Alimentos diet e light: uma abordagem no ensino fundamental. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 11, p. 87246-87250, nov. 2020.

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