• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

ANÁLISE QUÍMICA DOS SOLOS COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA PARA O ENSINO DE QUÍMICA

Autores

Moraes, J.M.B. (IFMA) ; Miranda, J.C.M. (IFMA) ; Melo, R.S.S. (IFMA) ; Pereira, L.N.S. (IFMA)

Resumo

O estudo de fertilidade de solos permite conhecer as condições de acidez, disponibilidade e relação dos nutrientes e identificação dos cátions e ânions presentes no solo. Assim sendo, este trabalho tem por objetivo oferecer aos estudantes do curso de graduação em Agronomia do Instituto Federal do Maranhão, Campus São Raimundo das Mangabeiras uma melhor compreensão dos fundamentos da análise química dos solos. Para isso, foram coletadas amostras de solos em diferentes locais do próprio campus e encaminhadas ao laboratório. O estudo foi eficiente em mostrar a necessidade de desenvolver novas estratégias de ensino. Nota-se também uma grande relação entre os conteúdos abordados em sala de aula, garantindo assim um nível de maior compreensão conceitual para os alunos.

Palavras chaves

Fertilidade; Solos; Ensino de Química

Introdução

A análise de solos é uma ferramenta indispensável na agricultura, pois detecta as principais características do complexo sortivo do solo - conjunto de partículas trocadoras de íons. Além de sugerir recomendações de reposições de nutrientes para obtenção de melhor produtividade da cultura. O ensino dos conteúdos de química abordando a análise de solos interliga vários conceitos tais como: reações de neutralizações, reações de oxidação e redução, polaridade, forças intermoleculares, equilíbrios químicos, adsorção e troca iônica, propriedades químicas do solo, cátions e ânions. A capacidade para manter os cátions no solo é denominada de capacidade de troca catiônica (CTC). Esses cátions são presos pela argila carregada negativamente e partículas de matéria orgânica no solo por meio de forças eletrostáticas, sendo facilmente trocáveis com outros cátions e disponíveis para as plantas. (TEIXEIRA, et al., 2017) Assim, como forma de diminuir o distanciamento de áreas e conteúdos correlatos, este trabalho tem por objetivo oferecer aos estudantes do curso de graduação em Agronomia do Instituto Federal do Maranhão, Campus São Raimundo das Mangabeiras uma melhor compreensão dos fundamentos da análise química dos solos.

Material e métodos

A extração de amostras composta foi retirada em pontos específicos do próprio campus de ensino. Foi realizada a divisão de oito glebas homogêneas levando em consideração o tipo de cobertura vegetal, relevo, características físicas (cor, textura e profundidade de perfil) e histórico prévio de utilização da área. (MARTINHÃO, 2004). As glebas foram demarcadas como cultivo de acerola, cultivo de maracujá, cultivo de banana, cultivo de batata doce, área da horta, área pasto curral, área pasto caixa d’água e banco de proteína que foram realizadas através de um caminhamento em zig-zag conforme as recomendações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) (ROQUIM, 2010). Quanto à amostragem do solo, a coleta foi realizada de forma que representasse com maior exatidão possível a gleba a ser avaliada. O equipamento de amostragem utilizado foi o trado holandês. Todas as coletas foram feitas na mesma profundidade 0-20 cm. Após isso, as coletas das amostras simples foram misturadas em um balde onde se retirou aproximadamente 400 gramas de solo, constituindo assim a amostra composta representando uma gleba. Em seguida, as amostras foram acondicionadas em sacos plásticos fechados, etiquetadas e enviadas ao laboratório da empresa Terra Brasileira, situado em Balsas – MA para análise química (pH, M.O, Al, Ca, Mg, K, P, SB, H+Al, CTC, m% e V%). Posteriormente, as análises foram interpretadas e discutidas para fins didáticos.

Resultado e discussão

Com base nas análises das glebas obtidas, podem-se elencar conceitos e abordagens para o ensino de química que são essenciais da análise do solo para fins agronômicos. Um conceito bastante empregado é a interação de reações químicas e potencial hidrogeniônico (pH) que define a acidez ou alcalinidade. Isso porque a disponibilidade dos nutrientes sofre influência direta no pH do solo. Para ajustes de correções de pH em solos ácidos é recomendado o processo de calagem, uso de carbonato de cálcio, conhecido como calcário que em contato com o solo interage com água e libera íons OH-, que reagem com íons H+, aumentando o pH. GOEDERT (1995) Uma análise química de solos permite identificar diferentes cátions, ânions, acidez potencial (H+ + Al3+), matéria orgânica, soma de bases trocáveis - somatória de cátions Ca2+, Mg2+ e K+ usada para cálculo de calagem. Os resultados obtidos (Tabela 1) possui uma ampla informação de conteúdos que podem ser desenvolvido em sala de aula. É possível prever a importância da CTC dos íons Ca2+, Mg2+, K+, H+ e Al3+. O valor V que indica a proporção da CTC do solo. (LOPES, et al., 2004) Assim, um solo com baixo valor V% significa uma maior adsorção de Al³+ e H+ e quantidades menores dos cátions básicos. Nestas condições, o solo será ácido e poderá conter Al3+ em nível de toxidez para a planta, comprometendo o desenvolvimento radicular das plantas e menor absorção de água e nutrientes. Outro item importante é o alto índice de saturação por alumínio que limita o crescimento das raízes e o desenvolvimento das plantas. (RONQUIM, 2010)

Tabela 1 - Análise química de solos de diferentes glebas.



Conclusões

A análise de solos como ferramenta didática é fundamental para o ensino aprendizagem, especialmente para fins de fertilidade. Pois permite prever uma investigação completa dos macronutrientes e micronutrientes, sendo um fator importante para o planejamento agrícola. Com base nas análises das glebas obtidas, podem-se notar uma grande relação de conceitos e abordagens para o ensino de química que são essenciais da análise do solo a fim de ajudar a maximizar o resultado de aprendizagem dos alunos do curso de Agronomia.

Agradecimentos

Ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), Campus São Raimundo das Mangabeiras.

Referências

GOEDERT, W. J. Calagem e Adubação. Brasília: EMBRAPA-CPAC, 1995.
LOPES, A. S.; GUILHERME, L. R. G. Interpretação da Análise do Solo - Conceitos e aplicações. Boletim Técnico No 2. ANDA, São Paulo. Ed. atual. 2004. 51p.
MARTINHÃO, D. G. S.; LOBATO, E. Cerrado – Correção do Solo e Adubação. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2004.
RONQUIM, C. C. Conceitos de fertilidade do solo e manejo adequado para as regiões tropicais. Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite, 2010.
TEIXEIRA, P. C et al., Manual de métodos de análise de solo. Editores técnicos. – 3. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Embrapa, 2017.

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