• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Atividade antimicrobiana de frações orgânicas obtidas de carapiá (Dorstenia asaroides Hook)

Autores

Passos, G.H. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA) ; Miranda, L.M. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA) ; Silva, R.A. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA) ; Silva, M.G. (INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA)

Resumo

Neste trabalho avaliou-se a atividade antimicrobiana de frações etanólica e em acetato de etila de rizomas de carapiá. Utilizou-se o método de difusão em ágar e cepas padrão de Staphylococcus aureus (NEWP 0023), Escherichia coli (NEWP 0018) e Pseudomonas aeruginosa (ATCC 27853). Os resultados mostraram potencial antimicrobiano das frações orgânicas testadas contra cepas de S. aureus e P. aeruginosa. Para estas cepas, o halo de inibição apurado para a fração etanólica foi de 19% do halo padrão. Resultado semelhante foi obtido pelos halos formados a partir do teste com a fração em acetato de etila, com medidas correspondentes a 20% do halo padrão. Este estudo demonstrou a potencialidade das frações orgânicas de carapiá quanto ao desenvolvimento de agentes com atividade antimicrobiana.

Palavras chaves

química ; antibiograma; produtos naturais

Introdução

A química de produtos naturais constitui uma importante área de pesquisa, identificação e desenvolvimento de substâncias com atividades terapêuticas que culminam em protótipos de fármacos para uma aplicação específica. Os produtos naturais representam uma excelente fonte de novos fármacos. Estima-se que cerca de 60 a 80% de novos antibióticos e de novas drogas antitumorais aprovadas pelo FDA e entidades similares de outros países, são produtos naturais ou seus derivados (HARVEY, 2000). Dorstenia asaroides é uma espécie da família Moraceae e conhecida popularmente como caapiá ou carapiá. Uma característica marcante desta planta são rizomas com odor adocicado, indicando a presença de furanocumarinas (BAUER, NOLL, 1986). Apesar da escassez de dados sobre o gênero Dorstenia sabe-se que todas as espécies são dotadas de propriedades medicinais como atividade analgésica e/ou antiinflamatória, atividade antileishmania, atividade antioxidante, atividade citotóxica, atividade giardicida, efeitos antihipertensivos e diminuição nos níveis de colesterol e insulina (BALESTRIN et al., 2008). O cultivo de espécies de carapiá tem sido alvo de diversas pesquisas, com vistas à determinação das melhores condições para a produção de metabólitos secundários de interesse (REZENDE et al, 2020). O objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade antimicrobiana de extratos e frações orgânicas obtidas de Dorstenia asaroides. A pesquisa por agentes antimicrobianos deve ser contínua a partir de espécies brasileiras, considerando a variedade de bactérias, fungos e leveduras que adquirem resistência aos antibióticos disponíveis bem como na descoberta de bactérias multirresistentes, como aquelas isoladas de ambiente hospitalar.

Material e métodos

Rizomas de D. asaroides foram obtidos no comércio em Brasília (CNPJ 09.471.535/0001-15). Após lavagem e secagem, 30 g de rizomas de carapiá foram submetidos a tratamento com acetato de etila por maceração com ultrassom, objetivando a extração geral de componentes dos rizomas. Em seguida, procedeu-se a extração com etanol. Após cada processo extrativo, os solventes foram eliminados em rotavapor a pressão reduzida, obtendo-se as frações em etanol (FrEtOH) e acetato de etila (FrACT). O perfil químico destas frações foi analisado por meio de cromatografia em camada delgada, utilizando-se placas de sílica gel (70/230 mesh, Fluka Analytical), GF254 5 x 10 cm e para a fase móvel (FM) utilizou-se uma mistura de hexano e acetato de etila 1:1. Gotas de ácido acético foram adicionadas à FM de modo a minimizar efeitos de cauda. Após a eluição dos componentes das frações, as placas foram reveladas por radiação ultravioleta nos comprimentos de onda 254 e 365 nm com vistas ao cálculo do fator de retenção. Para os ensaios da atividade antimicrobiana das frações FrEtOH e FrACT utilizou-se o método de difusão em ágar Mueller Hinton. Foram utilizadas cepas padrão de S. aureus (NEWP 0023) e E. coli (NEWP 0018) fornecidas pela Newprov e P. aeruginosa (ATCC 27853) fornecida pela CentralLab, tendo sido padronizadas ao equiparar a turbidez do inóculo com uma solução padrão de McFarland 0,5, equivalente à 2x108 UFC/mL. As frações foram preparadas em DMSO 20% a uma concentração de 100mg/100µL. Como padrões, utilizou-se DMSO 20% e antibiótico específico para cada bactéria. Ao fim do período de incubação, as placas foram examinadas para observar a formação dos halos de inibição e a análise dos resultados foi realizada por meio da comparação dos halos de inibição das amostras e do controle positivo

Resultado e discussão

Verificou-se que o processo de maceração seguido por ultrassom foi eficiente e permitiu a ruptura de estruturas celulares da amostra e assim a extração dos metabólitos secundários. Quanto à composição química das frações obtidas neste trabalho e analisadas por cromatografia em camada delgada, verificou-se que os valores de Rf (fator de retenção) foram similares, consequência da polaridade dos solventes utilizados. Relativo aos metabólitos secundários de Dorstenia, a presença de derivados de cumarinas e furanocumarinas figuram como importantes marcadores químicos desta espécie, sendo facilmente detectadas sob luz ultravioleta com comprimento de onda próximo a 365 nm. Na análise das frações, o Rf calculado em 0,586 muito provavelmente seja correspondente a derivados cumarínicos. Relativo a análise da atividade antimicrobiana, verificou-se que a fração em etanol foi efetiva contra S. aureus e P. aeruginosa. Esta fração apresentou 19,1% de atividade quando comparado ao padrão para as duas bactérias testadas. De forma análoga, a FrACT apresentou 20% da atividade do antibiótico padrão. Estes resultados estão de acordo com dados da literatura e em conformidade, por exemplo, com estudos realizados por Ali, Saeed, Fdhel, 2019. Além de atividade antibacteriana, estudos com espécies de Dorstenia têm demonstrado que os metabólitos secundários desta planta também são capazes de inibir o crescimento de fungos, como Trichophytn rubrum, um fungo dermatófito de interesse clínico (NGAMENI et al., 2009). Os resultados apresentados neste trabalho indicaram que o processo extrativo foi capaz de obter substâncias de interesse farmacêutico, contribuindo para o desenvolvimento da química de produtos naturais e para o desenvolvimento de novos medicamentos antibióticos.

Conclusões

O presente estudo possibilitou a observação de uma série de substâncias presentes nos extratos obtidos além da atividade antimicrobiana das frações orgânicas da carapiá. A partir dos resultados, outros estudos podem vir a ser realizados visando o isolamento destas substâncias por meio de métodos cromatográficos mais precisos. É um resultado importante, pois é um indicativo real da presença de substâncias bioativas que podem servir para o design de novas drogas com atividade antimicrobiana.

Agradecimentos

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – Programa de Iniciação Científica (PIBIC) – Instituto Federal de Brasília.

Referências

ALI, A. M., SAEED, A. A. M., FDHEL, T. A. Phytochemical analysis and antimicrobial screening of select Yemeni folk medicinal plants. Journal of Medicinal Plants Studies, v. 7, n. 5, p. 108-114, 2019.

BALESTRIN, L. et al. Contribuição ao estudo fi toquímico de Dorstenia multiformis Miquel (Moraceae) com abordagem em atividade antioxidante. Brazilian Journal of Pharmacognosy 18(2), p. 230-235, Abr./Jun. 2008.

BAUER, L., NOLL, IB. Furanocumarinas de Dorstenia brasiliensis Lam. Caderno de Farmácia 2, p. 163-170, 1986.

HARVEY, Alan. Strategies for discovering drugs from previously unexplored natural products. Drug Discovery Today, v. 5, n. 7, p. 294-300, 2000.

NGAMENI, B. et al. Antibacterial and antifungal activities of the crude extract and compounds from Dorstenia turbinata (Moraceae). South African Journal of Botany, v. 75, n. 2, p. 256-261, 2009.

REZENDE, M.N. et al. Relação entre fontes de adubação na produção de furanocumarina no cultivo de carapiá (D. brasiliensis). Científica Multidisciplinary Journal, v. 8, n. 2, 2020.

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