• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

ANÁLISE DOS PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICO DO XAROPE DE URUCUM (Bixa orellana L.)

Autores

Trindade Valente, J. (UFPA) ; Sousa Oliveira, B. (UFPA) ; Felix da Silva, E. (UFPA) ; Magno da Costa da Silva, C. (UFPA) ; da Cruz Batista, R.G. (UFPA) ; Palheta Rodrigues Chaves, J. (UFPA) ; Costa da Silveira de Sousa, R. (UNINTER) ; Damasceno Botelho, E.V. (UFPA) ; Lima da Silva, A. (UFPA) ; dos Santos Silva, A. (UFPA)

Resumo

O xarope de urucum (Bixa orellana L.) é uma formulação farmacêutica a base de mel e extrato de urucum, que apresenta propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias. A caracterização desse xarope favorece um controle de qualidade para o consumo. O objetivo deste foi realizar a caracterização físico- química por meio do pH,condutividade elétrica, viscosidade e umidade. Foi possível analisar os resultados comparando-os com dados obtidos em trabalhos publicados de xaropes de plantas medicinais, de mesma matriz de base (mel), pois não existe na literatura oficial do xarope de urucum. O produto se mostrou ácido (pH = 3,43) e viscoso (546,29 cSt )

Palavras chaves

Amazônia; Produto de origem vegeta; controle de qualidade

Introdução

A espécie B. orellana L., conhecido popularmente como urucum, pela fácil extração do seu fruto este é utilizado como corante alimentício, bem elucidado neste contexto sua utilização passa a integrar outra finalidade. Xarope de urucum é uma forma farmacêutica utilizada por via oral, rico em carotenoides, tocoferóis, flavonoides, vitamina A, fósforo, magnésio, cálcio e potássio, que lhe conferem propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias, sendo, por isso, utilizado na medicina tradicional para doenças pulmonares (REIS, 2021; RÊGO, 2008). Este xarope já está em uso na China, graças à exportação realizada por Terezinha Rêgo uma pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão que consolidou o uso desta via enteral, a fim de valorizar os benefícios promovidos. Este trabalho teve como objetivo analisar os parâmetros físico-químicos do xarope de urucum, de forma a contribuir para um controle de qualidade. Foram analisadas cinco amostras provenientes de ervanaria localizada em Belém do Pará. Os parâmetros analisados foram: pH, condutividade elétrica, viscosidade e umidade. Os resultados foram analisados e comparados com dados obtidos de xaropes de plantas medicinais, elaborados coma mesma base (mel) que o xarope de urucum, por não existirem dados suficientes do xarope de urucum na literatura.

Material e métodos

Para realização da investigação físico-química foram adquiridas cinco amostras de xarope de urucum (Bixa orellana L.) em uma ervanaria da cidade de Belém/Pará, contendo limão, alho, eucalipto, romã, calêndula, gengibre; própolis, guaco, angico, hortelã, sucupira, óleo de pequi; óleo de copaíba, andiroba e néctar de urucum (composição descrita no rótulo). Tais amostras foram adquiridas no mês de maio de 2022, sendo levadas ao Laboratório de Física Aplicada à Farmácia (LAFFA) da Faculdade de Farmácia da UFPA, onde foram desenvolvidas as análises seguindo metodologias oficiais, adaptadas (AOAC, 1998; BRASIL, 2011). Para a análise do pH se utilizou um pHmetro (PHTEK) calibrado com solução tampão pH 4 e 7 em diluição da amostra de 1:10 (v/v); para a condutividade elétrica (CE) se utilizou a mesma solução preparada a leitura de pH, sendo a CE executada através de um condutivímetro portátil (para Instrutherm, CD 880) calibrado com solução padrão de condutividade 146,9 μS/cm; a viscosidade foi realizada através do escoamento do xarope através do orifício do viscosímetro tipo copo Ford 6, sendo o tempo de escoamento convertido para viscosidade pela equação correspondente. A umidade foi determinada se pesando cerca de 2 g de amostra em cápsulas de porcelana previamente aferidas, que foram, então, levadas a secura completa em estufa a 105º C. Os dados foram tratados em planilhas em Excel 2010 e expressões em termos de média e desvio padrão.

Resultado e discussão

Os resultados encontrados podem ser verificados na Tabela 1. A média encontrada para o pH foi de 3,23 sendo um pH ácido, porém a literatura estabelece para esta forma farmacêutica um pH de 4,3 (BRANDÃO, 2001). No entanto os valores encontrados estão maiores dos que os obtidos para o xarope de jucá, o qual foi de 2,84 (REIS, 2019), porém menor do que o encontrado para o xarope de cupim que foi de 4,3 (FRANÇA, 2018). Um pH básico, aumenta a possibilidade de contaminação microbiólogica, enfatizando assim que o pH encontrado favorece o não crescimento microbiano, de acordo com que Madigan et al. (2016) defende. Em relação à condutividade elétrica, as amostras apresentaram média de 0,25 mS/cm próxima da encontrada para o xarope de jucá de 0,23 mS/cm (REIS, 2019). A viscosidade, segundo a literatura oficial para xarope, deve ser de 190 cSt (BRANDÃO, 2001), e as amostras do xarope analisado apresentam um resultado muito acima do encontrado na literatura com média geral de 546,29 cSt. A viscosidade influência na maior estabilidade, sendo que soluções com maior concentração de açúcar, como o xarope analisado, tendem a proteger a amostra contra ataques de microrganismos, pois não há água suficiente para sua proliferação (OLIVEIRA, 2017). A umidade média foi de 41,38 %, sendo esse valor superior ao encontrado por França (2018) que foi de 22,23 % em xarope de cupim. Maior umidade significa ser um meio mais favorável ao desenvolvimento de microrganismos que podem deteriorar o produto.

Tabela 1. Resultados obtidos para as variáveis físico-químicas



Conclusões

Os resultados observados indicam que o xarope de urucum apresenta boa estabilidade frente aos microrganismos, pois é um meio ácido, de baixa umidade e de elevada viscosidade, fatores que dificultam a proliferação microbiológica.

Agradecimentos



Referências

AOAC. Official Methods of Analysis. Association of Official Analytical Chemists,
Arlington, 16th Edition, 1998.
BRANDÃO, A. Controle da qualidade e controle da produção de medicamentos.
Disponível em: <http://boaspraticasfarmaceuticas.blogspot.com/2013/04/controle-da-
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BRASIL. Agência Nacional de vigilância sanitária (ANVISA). Farmacopeia Brasileira:
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FRANÇA, R. A. P.; OLIVEIRA, M. E. B.; CORRÊA, N. H. K.; VIANA, S. F.;
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MADIGAN, M. T et al. Microbiologia de Brock. 14.ed. Porto Alegre – RS: Editora
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OLIVEIRA, L. B. B. AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE XAROPES
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RÊGO, T. Série fitoterápicos: xarope de urucum. UFMA, 2008. Disponível em:
https://portais.ufma.br/PortalUfma/paginas/noticias/noticia.jsf?id=4596 Acesso em:
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REIS, L. J. P.; de MORAES JÚNIOR, E. F.; de MOURA JÚNIOR, J. M. N.; do
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R. M.; SILVA, A. A. ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DE XAROPE DE JUCÁ. In
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REIS, M. Revisão clínica: urucum: o que é, para que ser e como é usado. Tua
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29/07/2022.

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