• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Investigação do óleo essencial do cravo-da-índia como inibidor da corrosão do aço carbono em meio HCl 1M

Autores

Ramos, J.S. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ) ; Monteiro, A.B.L. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ) ; Lima, R.M. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ) ; Monteiro, T.S. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ) ; Paula, M.V.S. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ) ; Ribeiro, A.F. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ)

Resumo

A corrosão é um processo eletroquímico que leva a degradação do metal ou liga metálica através de atividades químicas e/ou eletroquímica. Uma das formas de minimizar os efeitos da corrosão em materiais metálicos é através da utilização de inibidores de corrosão.Os inibidores tradicionalmente utilizados exibem certo grau de toxicidade, uma alternativa a estes, seria o uso de inibidores naturais. Nesta investigação foi realizada a avaliação do óleo essencial do cravo-da-Índia como inibidor da corrosão do aço carbono SAE 1010 em meio de HCl 1M. Para a concentração de inibidor igual a 2,5 g/L, o valor de eficiência de proteção da corrosão foi igual a 82,83 %.

Palavras chaves

óleo essencial; corrosão; inibidor de corrosão

Introdução

O aço é definido como liga de ferro-carbono com teor de carbono de até 2% em peso. É um material utilizado em grande escala na produção de bens de consumo e bens de produção, em indústrias e na fabricação de veículos automotores, de máquinas e na construção civil. O aço é utilizado para fabricar desde pregos até tanques de armazenamento (COLPAERT, 2008). Contudo as propriedades esperadas para o aço podem ser comprometidas através do fenômeno conhecido como corrosão, que é um processo de deterioração de um material metálico através da ação eletroquímica ou química do meio ambiente, com atrelamento ou não a esforços mecânicos. A interação físico-química entre o material e o meio onde ele se encontra gera modificações não desejadas, que podem ser de natureza mecânica, como alterações e desgastes estruturais, ou de natureza química. Estas alterações acabam refletindo na interface entre meio/material, podendo fazer o material tornar-se inapropriado para a utilização (ASSIS, 2000; GENTIL, 2007). A maioria das aplicações de sistemas de inibidores aquosos ou parcialmente aquosos, estão preocupados com três tipos principais de ambiente: 1) Águas naturais, águas de abastecimento, águas industriais de refrigeração, e outros, em faixa de pH quase neutra, com variação entre 5 a 9; 2) Soluções aquosas de ácidos usadas em processos de limpeza de metais, como decapagem para remoção de ferrugem ou carepa rolante durante a produção e fabricação de metais, ou na limpeza pós-serviço de metais superfícies; 3) Produção primária e secundária de petróleo e subsequente refino e processos de transporte (SHREIR et al., 1994). Os inibidores de corrosão fazem a substituição das moléculas de água presentes na camada de hidratação, realizando preferencialmente a adsorção e passando a fazer o controle do índice de difusão dos íons na interface metal-eletrólito. Em consequência, reduz a transferência de elétrons, o que afeta a cinética do processo corrosivo (SASTRI, 2011; POPOV, 2015). Os inibidores inorgânicos e orgânicos sintéticos tradicionalmente utilizados exibem certo grau de toxicidade, contudo, uma alternativa mais econômica e ambientalmente viável é o emprego de inibidores naturais contra o processo corrosivo (HOSSAIN et al., 2019). Como inibidor natural pode ser avaliado a utilização de óleos essenciais, os mesmos estão entre os compostos oriundos do metabolismo de vegetais, também chamados de essências ou óleos voláteis (SOUZA, 2007). Esses óleos são misturas de vários compostos voláteis lipofílicos, geralmente com odor, no estado líquido e de coloração verde amarelado ou incolor, miscível em solventes apolares e instáveis à luz, calor, umidade e metais (SIMÕES; SPITZER, 2004). O óleo essencial obtido da espécie Eugenia caryophyllus conhecido como óleo essencial do cravo-da-índia tem sido usado em vários estudos e aplicações, dentre os constituintes químicos desse óleo, é possível destacar o eugenol, o qual é utilizado para o controle efetivo de fungos (CASTRO et al., 2016). Na atividade antibacteriana, o eugenol tem apresentado eficiência no tratamento de enfermidades cuja causa são os micro-organismos patogênicos, além de ser atribuída a estrutura fenólica do eugenol que em elevadas concentrações acaba degradando as proteínas das membranas celulares das bactérias, tendo como resultado o dano da membrana, que gera a morte da bactéria (ESCOBAR, 2002; LINARD, 2008). A importância do estudo das propriedades anticorrosivas dos óleos essenciais que não prejudiquem o ambiente, direciona a realização deste trabalho sobre as propriedades do óleo essencial do cravo-da-índia como inibidor de corrosão para o aço carbono SAE 1010 em meio ácido corrosivo (HCl 1M), que é um ácido comumente utilizado no setor industrial. Dessa forma, o objetivo principal desta pesquisa é estudar a propriedades anticorrosiva do óleo essencial do cravo-da- índia em meio ácido (HCl 1M) através de ensaios gravimétricos de perda de massa.

Material e métodos

Para a realização da análise laboratorial, utilizou-se como corpo de prova pregos TimelyTM de aço carbono SAE 1010. Quanto ao meio corrosivo do sistema, foi empregado o ácido clorídrico (HCL) em concentração de 1M.. Além disso, nesse procedimento, foi usado o óleo essencial do cravo-da-índia da marca Terra Flor, uma lixa D’água 3M de granulometria de 600 mesh e acetona P. A. da empresa Dinâmica Química contemporânea Ltda. A princípio, houve a preparação dos pregos para o ensaio de perda de massa, no Laboratório de Química pertencente à UFPA, iniciando com lixamento destes e seguindo para sua limpeza com água destilada e acetona, para remoção das impurezas presentes na superfície do material. Posteriormente, os pregos foram secados na estufa à temperatura de 80°C, ao longo de 20 minutos, para então serem pesados com auxílio de uma balança analítica do modelo JK-200, da marca Chyo. Posterior a isso, o óleo essencial foi disposto em erlenmeyers de 250 ml para serem pesadas as massas de 0,05g, 0,10g, 0,15g, 0,20g e 0,25g. É pertinente destacar que as análises foram realizadas em triplicata, sendo assim considerou- se cinco concentrações de óleo do cravo-da-índia, totalizando 15 análises, às quais adicionou-se uma alíquota de 100 ml do HCl em cada erlenmeyer. Ademais, preparou-se três análises do sistema em branco, que consiste na ausência do agente inibidor. Em seguida, os pregos foram inseridos dentro dos erlenmeyers durante o período de 24 horas, após isso, os corpos de prova foram lavados com água destilada e acetona, para serem direcionados à estufa a temperatura de 80°C ao longo de 20 minutos. Os pregos secos foram pesados com auxílio de uma balança analítica, a fim de calcular a Eficiência do Inibidor, que se deu pela seguinte expressão: n(%)= (1-Mf/M0) x 100 onde n(%) é a eficiência de proteção. Mf: é a média das massas finais dos corpos de prova de cada meio corrosivo com óleo essencial. M0: é a média das massas iniciais dos corpos de prova.

Resultado e discussão

Neste trabalho foi utilizado o experimento de perda de massa com objetivo de determinar a eficiência do óleo essencial cravo folha, como inibidor de corrosão em meio ácido. Para isso, foram estudados os parâmetros: concentração do inibidor e tempo de ensaio. Os corpos de prova foram pregos de aço carbono, SAE 1010, que tiveram suas medidas de perda de massa determinadas no sistema de trabalho: branco, 0 g/L, até o de concentração 2,5 g/L de óleo essencial nos tempos de 1 dia. A partir da Tabela 01, observa-se que a eficiência de proteção é diretamente proporcional à concentração do óleo essencial no sistema de trabalho. A concentração de 0,5 g/L mostrou-se 44,53% eficiente na proteção de corrosão, chegando a 82,37% para a concentração de 2,5g/L de óleo essencial. É possível inferir também, pelo Gráfico 01, que para a concentração de 0,5 g/L de óleo essencial a eficiência de proteção é muito baixa em relação à concentração de 1,0 g/L e as demais concentrações. Para o tempo de 24 horas, notou-se que a partir da concentração de 1 g/L de óleo essencial a eficiência de proteção à corrosão não variou tanto quanto em concentração menor (Gráfico 01). Entre 0,5 g/L a 1,0 g/L do inibidor a variação na eficiência de proteção foi de 31,92%, já da concentração de 1,0 g/L a 2,5 g/L a variação na eficiência de proteção foi somente de 5,93%. Logo, a melhor concentração de trabalho, visando a economia de óleo essencial, para esse inibidor em HCl 1M é em torno de 1,0 g/L. Nossos resultados estão de acordo com os observados por Bouyanzer et al. (2006), onde eles utilizando óleo essencial de menta obtiveram uma eficiência de proteção de corrosão igual a 80% para uma concentração do óleo de 2,76 g/L, indicando que este óleo é um bom inibidor da corrosão para o aço.

Tabela 01: Eficiência do inibidor em meio corrosivo HCl 1M no período

A Tabela 01 apresenta a eficiência de proteção do óleo essencial para o tempo de 1 dia nas diferentes concentrações avaliadas.

Gráfico 01: Eficiência de proteção em HCl 1M vs. concentração de óleo

Fonte: própio autor (2022)

Conclusões

A partir deste trabalho foi possível concluir que o óleo essencial da folha do cravo-da-índia (Eugenia Caryophyllus) apresentou ótimos resultados como inibidor de corrosão, determinados através da técnica de perda de massa, com eficiência de proteção à corrosão chegando a 82,37% em meio ácido (HCl 1M) para o tempo de 1 dia. variação da concentração do óleo essencial no experimento permitiu constatar que a eficiência de proteção é diretamente proporcional a essa concentração e ainda permite deduzir e otimizar os melhores valores de concentração a ser usado dentro do intervalo estudado, visando custo/benefício do processo e economia do óleo essencial. Portanto, nossos prévios resultados indicam que o óleo essencial da folha do cravo-da-índia teve um comportamento satisfatório para ser utilizado como inibidor natural da corrosão para o aço carbono em meio ácido (HCl 1M).

Agradecimentos



Referências

ASSIS, S. L. Estudo Comparativo de Ensaios Acelerados para Simulação da Corrosão Atmosférica. Dissertação (Mestrado em Ciência na Área de Reatores Nucleares de Potência e Tecnologia do Combustível Nuclear) IPEN, Autarquia Associada à Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
A. Bouyanzer, B. Hammouti, L. Majidi, Pennyroyal oil from Mentha pulegium as corrosion inhibitor for steel in 1M HCl, Materials Letters, Volume 60, Issue 23, 2006, Pages 2840-2843.
CASTRO, J.C.; ENDO, E.H.; SOUZA, M.R.; ZANQUETA, E.B.; POLONIO, J.C.; PAMPHILE, J.A.; UEDA-NAKAMURA, T.; NAKAMURA, C.V.; DIAS FILHO, B.P.; ABREU FILHO, B.A. Bioactivity of essential oils in the control of Alternaria alternata in dragon fruit (Hylocereus undatus Haw.). Ind Crop Prod. 2017 Mar; 97:101-109.
COLPAERT, Hubertus. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns. 4. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2008.
ESCOBAR, Raimara Gonzalez. Eugenol: propiedades farmacológicas y toxicológicas. Ventajas y desventajas de su uso. Rev Cubana Estomatol. Ciudad de La Habana, V. 39 no. 2, agosto 2002. Disponível em: http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034- 75072002000200005&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 23 jun. 2022.
GENTIL, V. Corrosão. LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora: Rio de Janeiro, 2007.
GENTIL, Vicente. Corrosão. 6. ed. Estado. 2011. 360 p.
HOSSAIN, S. M. Zakir; AL-SHATER, A.; KAREEM, S. A.; SALMAN, A.; ALI, R. A.; EZUBER, H.; HOSSAIN, M. M.; RAZZAK, S. A.. Cinnamaldehyde as a Green Inhibitor in Mitigating AISI 1015 Carbon Steel Corrosion in HCl. Arabian Journal For Science And Engineering, v. 44, n. 6, p. 5489-5499, 2019.

LINARD, Cybelle Façanha Barreto Medeiros. Estudo do efeito antinociceptivo do Eugenol. 2008. 90p. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Ceará, Fortaleza, 2008.
POPOV, B. N. Corrosion Engineering: Principles and Solved Problems. Elsevier, 2015.
SASTRI, V. S. Green Corrosion Inhibitors: Theory and Practice. 1 ed., New Jersey: Wiley, 2011, 310 p.
SHREIR, L., et al. (1994) Corrosion Metal/Environment Reactions. Vol. 1, 3rd Edition, Heinemann Ltd., Butterworth, London, 4-60.
SIMÕES, C. M. O.; SPITZER, V. óleos Essenciais. In: SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia da planta ao medicamento. 5a ed. Porto Alegre/Florianópolis: Editora da UFRGS / Editora da UFSC, p. 467-495. 2004.
SOUZA, Thaúsi Frota Sá Nogueira Neves de. Efeito antinociceptivo e antiedematogênico do Eugenol. 2007. 84p. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Ceará, Fortaleza, 2007.

Patrocinador Ouro

Conselho Federal de Química
ACS

Patrocinador Prata

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Patrocinador Bronze

LF Editorial
Elsevier
Royal Society of Chemistry
Elite Rio de Janeiro

Apoio

Federación Latinoamericana de Asociaciones Químicas Conselho Regional de Química 3ª Região (RJ) Instituto Federal Rio de Janeiro Colégio Pedro II Sociedade Brasileira de Química Olimpíada Nacional de Ciências Olimpíada Brasileira de Química Rio Convention & Visitors Bureau