• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Avaliação do Potencial Antimicrobiano de Extratos de (Maytenus ilicifolia e Arrabidaea chica) Plantas Medicinais Nativas do Maranhão

Autores

Fiaros, E.V.M. (UFMA) ; Ferreira, M.B.C. (UFMA) ; Teles, A.M. (UFMA) ; Mouchrek, A.N. (UFMA)

Resumo

As plantas de origem medicinal são amplamente importantes deste a antiguidade, seus efeitos no organismo vem sido estudado desde então, e sua substituição e combinações com medicamentos sintéticos vem mostrado um excelente resultado. O presente estudo teve como objetivo analisar e comparar essas ações frete a bactérias padrões de origem alimentar sendo elas Escherichia coli e Staphylococcus aureus, observou-se que os extratos obtiveram concentrações inibitórias mínimas entre 1050 a 9000uL sendo o extrato da Pariri bem mais eficiente, não só neste resultado, mas em relação a sua atividade antimicrobiana no geral, sendo observado também sua eficácia no método de difusão de disco, onde comparado com antibióticos utilizados para combater essas infecções como a Penicilina e Genifilina.

Palavras chaves

Atividade Antimicrobiana; Extratos; Plantas medicinais

Introdução

As antigas civilizações criaram seus competentes sistemas terapêuticos a partir da diversidade biológica, tendo como base a observação do meio ambiente. O uso de produtos naturais se deve ao fácil acesso da população as espécies vegetais disponíveis na biota inserida em um contexto cultural, em que a mesma representa por vezes opção terapêutica viável para comunidades com escasso recursos de assistência à saúde (Sharma & Sharma, 2007; Batista & Valença, 2012; Urso et al., 2016). A Maytenus ilicifolia Mart ex Reissek, conhecida popularmente como Espinheira Santa ou "Cancorosa", é a única planta medicinal nativa do bioma a ser conservada pelo banco de germoplasma mantido pela Embrapa Clima Temperado e integra na relação de plantas medicinais recomendadas para uso pelo Ministério da Saúde na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse do SUS (RENISUS), cujo uso foi regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, conforme a Resolução Normativa no 5, de 11 de dezembro de 2008 (Mariot & Barbieri, 2010). Na região Nordeste do Brasil, folhas de A. chica são utilizadas em tatuagens pelos índios devido aos pigmentos carajurina e carajurona (CORRÊA, 1926; CHAPMAN et al., 1927; ZORN et al., 2001). No Estado do Maranhão, extratos hidroetanólicos de folhas de A. chica foram utilizados no tratamento de cálculos renais e da hipertensão arterial sistêmica (PESSOA et al., 2006). Diversas patologias que afetam a saúde pública são de origem microbiana, nas últimas décadas, ganharam um destaque preocupante, devido não só à medidas inadequadas no controle de disseminação, mas principalmente com a evolução da resistência a antibióticos,que acaba limitando as opções terapêuticas dos processos infecciosos (RAPP, 2004; WHO, 2015).

Material e métodos

As amostras (Pariri e Espinheira Santa) serão adquiridas no estado do Maranhão. Serão coletadas amostras mensais durante dezesseis meses. Após as coletas, as amostras serão conduzidas ao Laboratório de Química e Microbiologia do Programa de Controle de Qualidade de Alimentos (PCQA), localizado no Pavilhão Tecnológico do Departamento de Tecnologia Química – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da UFMA - Campus do Bacanga. Foram utilizadas duas cepas de bactérias provenientes da “American Type Culture Collection” (ATCC) doadas pelo Laboratório de Microbiologia do Controle de Qualidade de Alimentos e Água da Universidade Federal do Maranhão (PCQA-UFMA), sendo duas Gram-negativas: Escherichia coli (ATCC 25922) e uma Gram-positiva: Staphylococcus aureus (ATCC 25923).A técnica de disco foi realizada segundo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, 2009) que padroniza os testes de sensibilidade de antimicrobianos por disco-difusão. Primeiramente foram preparadas soluções na concentração de 2.000μg/mL dos extratos. As soluções dos extratos foram preparadas utilizando-se dimetilsufóxido (DMSO) a 1% resultando nas concentrações de 2000 a 100.000μg/mL. A suspensão microbiana contendo 1,5x108 UFC/mL das cepas (Escherichia coli e Staphylococcus aureus) foram adicionadas a cada concentração. O controle constituído apenas da solução de DMSO nas mesmas concentrações testadas foi realizado. Ainda foram reservados tubos para controle de esterilidade do caldo e de crescimento bacteriano. Logo após a realização das análises os tubos foram incubados a 35°C por 24 horas. Após o período de incubação, foi verificada a concentração inibitória mínima dos óleos e extratos, sendo definida como a menor concentração que visivelmente inibiu o crescimento bacteriano (ausência de turvação)

Resultado e discussão

Utilizou-se os seguintes antibióticos para comparativo aos extratos: Penicilina e Genificina, em cada disco foi adicionado 100µL do extrato. Para a bactéria Staphylococcus aureus foi visto que o antibiotico que teria melhor eficiência seria a Genifilina, na qual apresentou um halo de inibição 1,7cm à 2,3cm, comparando aos extratos que obtiveram halos entre 0,7 a 1,4cm, tendo uma eficiência não muito boa, sendo o melhor extrato para inibir a bactéria foi o da Espinheira-Santa, ja para a bactéria Escherichia coli a Penicilina é a que melhor inibi o crescimento da bactéria onde obteve-se um halo de inibição de 3,2 a 3,5cm, comparando aos halos dos extratos tivemos entre 1,2 a 2,0cm sendo o extrato da Pariri o mais eficiênte, chegando a um tamanho mais aceitável dos halos com relação ao antibiótico. A concentração Inibitória Mínima (CIM) obteve- se valores de 1050uL a 9000uL, sendo o extrato da Pariri mais eficiente frente a essas bactérias padrões de origem alimentar. ALIGIANIS et al. (2001) propuseram uma classificação para materiais vegetais com base nos resultados do CIM, considerando como: forte inibição – CIM até 500 μg/mL; inibição moderada – CIM entre 600 e 1500 μg/mL e como fraca inibição - CIM acima de 1600 μg/mL. Já para Sartoratto et al. 2004, uma forte atividade de extratos vegetais seria para valores de CIM entre 50-500 μg/ml, CIM com atividade moderada entre 600-1500 μg/mL e fraca atividade acima de 1500μg/mL. No entanto, vários autores encontraram extratos vegetais com atividade tanto para bactérias Gram positivas como para negativas (KHAN et al. 2009; KUETE et al. 2010; ABD AZIZ et al. 2011; STEFANOVIC & COMIC, 2012). RIBEIRO et al. (2009) demonstraram que extratos de folhas de goiabeira, pirarucu e pariri foram ativos contra cepas de ambos os grupos.

Conclusões

Diante do presente estudo podemos concluir que os extratos tem sim uma boa eficácia diante das bactérias padrões de origem alimentar, sendo o extrato da Pariri se mostrando mais eficaz e resistente diante das mesmas, utilizando uma concentração aceitável na sua atividade.

Agradecimentos

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e ao Laboratório do Programa de Controle de Qualidade de Águas e Alimetos (PCQA).

Referências

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